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Irmã de antiterrorista: Pressionar Obama por indulto a 5 cubanos |
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Escrito por ...
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03/12/2009 |
María
E. Guerrero Rodriguez, irmã de Antônio Guerrero - um dos cinco cubanos presos
há 11 anos nos Estados Unidos acusados de espionagem -, está no Brasil para
reforçar a campanha de solidariedade ao grupo. Convencida de que, pela via
jurídica norte-americana, não há como mudar as arbitrárias penas impostas aos
cubanos, ela clama por uma mobilização internacional para sensibilizar o
governo de Barack Obama a conceder um indulto presidencial aos cinco. Eça teve
uma reunião com José Reinaldo Carvalho, Diretor do Cebrapaz.
María Guerrero detalhou todo o processo,
cujo julgamento aconteceu sob flagrante violação às leis dos próprios Estados
Unidos, sem que as acusações jamais tenham sido comprovadas. E, para pressionar
o governo norte-americano, ela pediu o apoio dos movimentos populares e
instituições democráticas brasileiras.
"Não acreditamos mais que podemos resolver
esta questão pela via judicial. Achamos que é preciso incrementar uma campanha
que incida sobre o governo Obama. Ele pode tomar uma decisão, firmar um indulto
presidencial e resolver, com um mínimo de justiça. E estaria ajudando
moralmente o governo dos Estados Unidos, que diz ser um lutador contra o terrorismo
(...) Só pedimos que apliquem a sua própria lei", afirma María.
Antônio Guerrero, Fernando Gonzáles,
Gerardo Hernandéz, Ramón Labañino e René González estão presos nos Estados
Unidos desde 12 de setembro de 1998, todos sob a acusação de conspirar para
praticar crime contra aquele país. Eles sempre afirmaram, contudo, que eram
agentes do governo cubano, mas estavam na Flórida a fim de obter informações
sobre os planos de organizações terroristas de Miami que atuavam abertamente
contra Cuba. Não estavam em busca de dados secretos da segurança nacional
norte-americana, como alegou o governo dos EUA.
"Em junho de 1998, Cuba informou aos
Estados Unidos sobre a ação dos grupos terroristas, quem eram, o que planejavam
contra Cuba, os danos que já haviam causado. E a resposta do governo norte-americano
não foi combater os terroristas, mas buscar a fonte da informação que Cuba
tinha nos EUA e prender", conta María Guerrero. De acordo com ela, os grupos
terroristas anticubanos atuam na Flórida há mais de 50 anos. Invadiram o espaço
aéreo da ilha, organizaram sabotagens, atentados e chegaram a causar mais de
três mil mortes.
O julgamento dos cinco cubanos aconteceu
entre 2000 e 2001, na Flórida. Gerardo
Hernández foi condenado a duas prisões perpétuas e mais 15 anos, já que também
lhe acusam de conspirar para cometer assassinato. Antonio Guerrero e Ramón
Labañino receberam prisão perpétua e mais vários anos na cadeia. Fernando
González e René González foram penalizados com prisão por 15 e 19 anos,
respectivamente.
Violações
explícitas
As penas foram impostas, apesar de a defesa
alegar que o julgamento não poderia ser realizado em Miami, uma vez que - de
acordo com uma pesquisa que fez parte do processo judicial - 85% da população
local tinha preconceito contra Cuba. E, segundo leis estadunidenses, um
julgamento só poderia ocorrer em território neutro.
Diante de várias irregularidades
identificadas no processo, em 2005, o Tribunal de Apelações de Atlanta anulou,
por unanimidade, as sentenças e exigiu um novo julgamento, mas o governo dos
Estados Unidos revogou a determinação. O Grupo de Trabalho sobre Detenções
Arbitrárias da Organização das Nacões Unidas também declarou indevidas as
prisões, alegando que não havia provas das acusações contra os cubanos, que as
sentenças tinham sido excessivas e que o julgamento ocorreu em local indevido.
"Em nenhum momento a juíza de Miami permitiu
que se introduzisse o tema do terrorismo contra Cuba no julgamento. E nunca
foram apresentadas provas de que atentavam contra a segurança nacional dos
Estados Unidos. Alegaram que as provas estavam sob uma lei de segurança
nacional. Nunca disseram qual o dano que eles causaram aos EUA", detalha a irmã
de Antônio.
Nova
sentença, mesma injustiça
De acordo com ela, a decisão tomada a partir
de então foi re-sentenciar apenas três dos cinco cubanos: Antônio, Ramón, e
Fernando. Até então, apenas seu irmão foi re-sentenciado, em uma sessão que
considerou "ridícula". Agora, ao invés de prisão perpétua, Tony, como é
conhecido, foi condenado a 22 anos.
"É muito injusto porque eles mesmos
reconhecem que não há evidências. Na sessão, houve uma controvérsia entre a
juíza de Miami e o Ministério Público, que levou a proposta de reduzir a pena.
Questionada porque, em sete anos, havia mudado de postura, a promotora afirmou
que o problema era que havia uma campanha internacional de desinformação da
justiça norte-americana", relata María Guerrero.
Na ocasião, o advogado de defesa voltou a
questionar que dano Antônio Guerrero haveria causado àquele país. E argumentou
que, durante os sete anos em que esteve preso até então, Tony se dedicou a dar
aulas de espanhol, matemática e inglês, a ajudar outros detentos, mesmo tendo
sido condenado sem provas à prisão perpétua. "Uma condenação que naquele dia se
reconhecia como injusta, excessiva. Quem pagaria pelo dano causado por esses
sete anos de condenação indevida?", teria dito o advogado, segundo María.
O caso foi apresentado à Corte Suprema no ano passado - reforçado pelo apoio de
doze personalidades, entre intelectuais, ganhadores do prêmio Nobel e
representantes de organizações de juristas -, mas a instância não acolheu o
pedido de nova análise. "Como é possível que um caso que trata da segurança
nacional dos Estados Unidos, com uma acusação de espionagem envolvendo cinco
cubanos não tenha sido acolhido?", questiona a cubana.
Solidariedade cubana
María Guerrero Rodriguez é uma mulher de fala baixa, serena, mas enfática
naquilo que diz. Sabe de cor datas, nomes, tudo o que se refere ao caso dos
cinco cubanos. Explica detalhes, pacientemente. Na conversa com José Reinaldo
Carvalho, ela mostrou-se inquieta não apenas com a situação de seu irmão, mas
de todos os envolvidos, especialmente Gerardo, que ela diz ter sido o caso que
os Estados Unidos mais quiseram politizar.
Segundo ela, Gerardo é o único que responde por "conspiração para cometer
assassinato", mesmo que o próprio Ministério Público não tenha encontrado
provas, pedindo a retirada da acusação. Na época do julgamento, a juíza
defendeu que não havia mais tempo para voltar atrás na denúncia e o juri de
Miami, que deveria ser imparcial, terminou condenando o cubano em todas as
alegações.
María denuncia ainda o fato de que os parentes dos presos têm sido impedidos de
visitá-los, nunca conseguem vistos, ou estranhamente não passam nos testes de segurança
exigidos nas penitenciárias. Ela não enfrenta esse problema, uma vez que nasceu
nos Estados Unidos, quando seu pai trabalhava no país.
O silêncio da mídia
Um dos objetivos da campanha de solidariedade aos Cinco Cubanos é ajudar a
divulgar o tema, que é sumariamente ignorado pela imprensa internacional. "Como
é possível que os meios de comunicação do mundo todo não se pronunciem? Se
verdadeiramente o governo dos Estados Unidos pudesse provar que há cinco
cubanos que tentaram penetrar na segurança nacional do país e obter
informações, isso teria sido notícia de primeira página em todos os jornais",
afirma.
Para ela, caso houvesse provas, o tema teria sido assunto no mundo todo, já que
seria do interesse dos EUA disseminar fatos negativos sobre a ilha. "Seria uma
bomba jornalística, uma maneira de o governo norte-americano mostrar ao mundo
os ‘danos' que o governo de Cuba poderia causar aos Estados Unidos", coloca.
A cubana revela que, afora poucos e remotos jornais de Miami que no princípio
tacharam os cinco como espiões, apenas uma vez o assunto ganhou destaque. "Em
2002, os amigos da solidariedade conseguiram pagar uma página no New York Times
que custou US$50 mil. E, nunca mais, nem pagando qualquer valor, eles quiseram
publicar nada", conta.
Vários jornalistas já a entrevistaram, mas as matérias nunca chegam ao público.
María ainda se espanta com as escolhas da mídia. Ao chegar ao Brasil, ficou
sabendo que por aqui muito se ouve falar da blogueira anticastrista Yoaní
Sanchéz.: "Como podem saber tanto da blogueira e não conhecerem bem a história
dos cinco cubanos?", surpreende-se.
A campanha
"O governo de (George W.) Bush foi muito duro para nós, afinal ele saiu
presidente pela Flórida. Sofremos muito durante este processo. Agora é outro
governo, que falou, prometeu, mas não deu sinais (...) Então o que queremos é uma
campanha que incida sobre o governo, pelos meios de comunicação, por meio de
cartas à Casa Branca e às embaixadas, declarações, pronunciamentos. Que o
mundo saiba destas violações", diz María.
Ela lembrou que o presidente de Cuba, Raúl Castro, já se colocou à disposição
do governo estadunidense para entregar os presos que interessem aos
norte-americanos, desde que os cinco fossem libertados. Mas não obteve um aceno
positivo.
Ao pedir apoio, ela afirmou que qualquer manifestação é bem-vinda e lembrou a
importância do Brasil no cenário internacional. Ouviu de José Reinaldo que não
só o Cebrapaz, como todas as forças progressistas do país, devem se solidarizar
com a causa dos cinco cubanos.
"É uma injustiça flagrante e qualquer pessoa que tenha sentimento de
humanidade, justiça e dignidade tem que ser contra isso", defendeu José
Reinaldo, afirmando que continuará denunciando as violações contra os
antiterroristas. Segundo ele, mais que uma questão política, a solidariedade
aos cubanos é uma posição humanística.
María E. Guerrero Rodríguez participou ainda de atividades na Câmara e na Assembleia
Legislativa de São Paulo, além de um ato da Federação Internacional de Mulheres
(Fedim).
Por Joana Rozowykwiat
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Atualizado em ( 08/12/2009 )
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