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Cebrapaz vai promover atos pela restituição de Zelaya

O Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz) decidiu encabeçar uma manifestação nacional pela restituição do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya. A iniciativa foi aprovada neste domingo (26), durante a plenária final da 2 ª Assembléia Nacional da entidade, no Rio de Janeiro. A ideia é promover, na próxima semana,  manifestações na embaixada hondurenha, em Brasília, e nos Estados onde existirem consulados do país.

No encontro que reuniu mais de 400 delegados de 17 estados brasileiros, além de representantes de mais de dez países, a solidariedade a Honduras, a luta contra o intervencionismo, contra a militarização e as guerras e pela soberania dos povos permeou a maioria das intervenções.

A assembléia do Cebrapaz, que aconteceu de sexta (24) a domingo (26), aumentou a capilaridade da entidade pelo país e elegeu uma nova direção, mais ampla, com 29 membros representantes de todos os Estados que participaram da atividade. A presidente do Centro, Socorro Gomes foi reconduzida ao cargo. A comissão executiva será ainda definida.

O Cebrapaz aprovou por unanimidade a declaração final da assembléia, que vai nortear a atuação do movimento, além de seis moções  - pelo fim do bloqueio a Cuba e a libertação dos cinco cubanos; contra a política de extermínio de Israel sobre a Palestina; pela abolição das armas de destruição em massa; em solidariedade à África; em solidariedade a Honduras; e contra qualquer forma de discriminação.

Durante a plenária final, a militante comunista e viúva de Luís Carlos Prestes, Maria Prestes, fez um breve discurso em defesa da paz e em homenagem a várias mulheres que militaram pela causa. Com 79 anos, ela doou ao Cebrapaz uma publicação com todos os discursos de Prestes, durante sua atuação como senador a partir de 1945, e um livro sobre a Coluna Prestes.

De acordo com Socorro Gomes, a assembleia reafirmou ''a convicção de lutar pela paz e a transformação da sociedade, atuando com solidariedade aos povos dop mundo, em especial do continente e com o desafio de denunciar o golpe de Honduras''.

Ela disse ainda que a entidade continuará o combate às armas,  guerras  e bases militares e ocupações estrangeiras. ''Somos otimistas. Vamos cumprir o dever de contribuir por um mundo mais justo'', encerrou.

Leia abaixo o documento final da Assembléia:

Declaração final da 2ª Assembléia Nacional do Cebrapaz

A 2ª Assembléia Nacional do Cebrapaz, expressando os sentimentos de solidariedade do povo brasileiro, junta-se aos povos de todo o mundo na luta contra as guerras imperialistas, as ocupações de países soberanos, a ofensiva brutal sobre os direitos democráticos e a violação do direito internacional.

Lutamos pela paz, a libertação nacional e social, a soberania dos povos e nações. Condenamos as potências imperialistas e seus aliados em todos os continentes, cujas políticas criam tensões, conflitos e ameaças à paz e à segurança no mundo.

São grandes os antagonismos da ordem internacional. À medida em que se evidenciam os sinais de declínio do poder político e econômico do imperialismo norte-americano, mais o sistema internacional tende às disputas por uma redistribuição de poder em escala mundial. A atual crise mundial do capitalismo - grave, profunda, estrutural e duradoura - provoca mudanças na ordem mundial.

Constatamos com otimismo histórico que cresce a resistência antiimperialista dos povos e nações, exigindo uma ordem mundial justa e democrática. Após exacerbar sua agressividade durante o governo Bush, com suas políticas de 'guerra infinita' e ' ataques preventivos', que provocaram enorme isolamento do imperialismo norte-americano no mundo, os Estados Unidos, a partir da eleição de Barack Obama, mudam a retórica e a tática, ao tempo em que diversificavam as formas de atuação.

A nova administração dos EUA, ao mesmo tempo em que alardeia o diálogo, o multilateralismo e o direito internacional, empenha-se para afirmar a hegemonia norte-americana e manter sua primazia militar. 

Isso ocorre porque os objetivos perenes, essenciais do imperialismo norte-americano de dominar o mundo, permanecem como política do Estado norte-americano, para além do ocupante temporário da Casa Branca. Atualizando a guerra ao terrorismo, o alvo do momento dos Estados Unidos são o Afeganistão e o Paquistão, para onde, juntamente com a Otan, direcionam suas armas e tropas, espalhando caos, destruição e mortes. O Iraque, a despeito da anunciada 'retirada' norte-americana, permanece sob ocupação e continua tutelado pelo império.

O povo palestino segue impedido de possuir seu Estado nacional e vê as ameaças se intensificarem com o novo governo de ultra-direita em Israel, que expande muros e colônias de assentamento. Países como Irã e Síria também são alvos de ameaças na região.

Em todo o mundo, os Estados Unidos preservam ampla rede de mais de 800 bases militares, estruturas que são reforçadas com a criação da Quarta Frota na América Latina e da Africom, na África - prontas para promover agressões em todas as partes. Os povos amantes da paz no mundo exigem o fim das guerras e de toda a tutela sobre nações soberanas, o fim das bases militares estrangeiras e da ostensiva presença armada dos EUA e da Otan no mundo.

Defendemos a abolição de todas as armas nucleares  e de destruição de massa e denunciamos a hipocrisia do imperialismo de proibir  países em desenvolvimento de possuírem armas nucleares - mesmo com fins pacíficos - ao tempo em que mantém intactos seus enormes arsenais - que poderiam destruir várias vezes o planeta. São intoleráveis ameaças à República Popular Democrática da Coréia.

A 2ª Assembléia Nacional do Cebrapaz ocorre no momento em que há um amplo repúdio internacional contra o golpe de Estado que aconteceu há poucas semanas em Honduras, afastando o presidente constitucional, Manuel Zelaya. Exigimos a imediata e incondicional restituição do cargo ao presidente Zelaya, deposto por defender democraticamente uma consulta popular para convocar uma Assembleia Constituinte.

O golpe em Honduras, a recriação da Quarta Frota, a instalação de novas bases militares estadunidenses na Colômbia e vários intentos golpistas e secessionistas ocorridos na América Latina nos últimos anos, são reações da direita e do imperialismo ao avanço das lutas populares e sociais e a um conjunto de governos democráticos e antiimperialistas na região.

O Brasil, com suas riquezas, sua posição geopolítica, suas potencialidades e capacidades transformadoras de seu povo, também é alvo da cobiça e das ameaças imperialistas, num contexto em que o mundo vive o agravamento da crise energética, alimentar, ambiental e de fornecimento de matérias primas. Apesar de todas essas ameaças, a América Latina continua sendo um continente rebelde.

Cuba, cuja Revolução acaba de cumprir seu cinquentenário, simboliza esta época de mudanças em nossa região, que hoje se expressa através da Revolução Bolivariana na Venezuela e de outras experiências democráticas e populares.

A luta pela paz ganha cada vez mais centralidade no mundo. Os povos já não aceitam viver sob ameaças e intervenções nem numa ordem internacional injusta, instável e conflitiva.

Nesse sentido, é imperioso fortalecer e seguir estruturando em todo o mundo, a partir do Conselho Mundial da Paz, um amplo movimento pela paz, pela solidariedade, pela libertação nacional e social e pelo inalienável direito à soberania dos povos e nações.

O Cebrapaz, herdeiro da tradição internacionalista do povo brasileiro, busca fortalecer a consciência antiimperialista em nosso país, tendo em vista que a luta pela soberania nacional, a democracia, o desenvolvimento econômico e o progresso social são partes integrantes do mesmo combate às políticas de guerra de agressão das potências imperialistas.

O imperialismo não é invencível e será derrotado.

Rio de Janeiro, 26 de julho de 2009

2ª Assembléia Nacional do Cebrapaz

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Por Joana Rozowykwiat

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