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Cebrapaz: Luta palestina é de sobrevivência, diz Fátima Ali

''A luta do povo palestino não é só de resistência, mas de sobrevivência''. Foi com essa constatação que a representante da Federação Árabe Palestina, Fátima Ali, abriu, no sábado (25), o painel ''Solidariedade aos povos em luta'', na 2ª Assembléia Nacional do Cebrapaz. Segundo ela, após 61 anos da criação do Estado de Israel, a Plestina vive um regime de apartheid. Fátima defendeu que o tema é de interesse não apenas do povos Árabes, uma vez que Israel funcionaria como uma base militar dos Estados Unidos.

''Temos ali uma extensão do imperialismo estadunidense, com o qual contribui Israel, para a eliminação dos restante de nove milhões de palestinos que ainda existem pelo mundo. Por isso, digo que essa é uma luta de sobrevivência'', afirmou.

Fazendo um resgate histórico do porblema palestino, que começou em 1897 após o primeiro congresso sionista, ela citou elementos que caracterizam uma situação de apartheid. De acordo com Fátima, o local hoje é divido em bantustões (pseudo-estados de base tribal criados pelo regime do apartheid na África do Sul, de forma a manter os negros fora de terras dos brancos) e separado por um muro com mais 700 quilômetros e 8 metros de altura.

''O muro divide cidades, passando por dentro de casas e é controlado por check points (pontos de controle), que são os únicos lugares por onde os palestinos podem passar. Então stamos, sim, nos omitindo já que, em pleno século 21, temos um país que ocupa militarmente outro'', colocou, afirmando que há ali uma base militar norte-americana ''montada em forma de estrutura de um estado, que é Israel, possuidora do segundo maior exército do mundo''.

Fátima detalhou ainda que todo o controle hídrico da região é feio por Israel, que também transformou as terras férteis em colônias judaicas. De acordo com ela, o território chamado de Autoridade Nacional Palestina é inviável, uma vez que não tem seqüência territorial, sendo obrigatório o acesso por dentro de Israel.

''E Israel escolhe quem pode ou não passar. Ou seja, o povo palestino está sendo privado de seu direito de retorno, é impedido de voltar à sua pátria. Muitas vezes somos deportados no aeroporto ou na ponte'', denunciou.

A representante da Fepal classificou como de humilhação a situação dos palestinos. ''São mais de 11 mil presos palestinos, sem direito a julgamento, nos cárceres israelenses. Dos nove milhões de palestinos existentes no mundo, quatro milhões vivem na Palestina, outros quatro milhões estão em difícil situação, em campos de refugiados pelo Oriente Médio, e um milhão vive espalhado no mundo.

Ao apontar o Estado de Israel como racista e colonizador, Fátima afirmou que os movimentos em prol do povo palestino defendem a criação de um estado  laico e democrático, que não seja baesado em uma única religião, como o que acontece hoje no território dos judeus.

Em um depoimento emocionado, ela relembrou a campanha contra o povo árabe, palestino e, em especial, muçulmano, que começou após o 11 de setembro. ''Não nos esqueçamos de que tem um povo sendo exterminado da face da terra. E é um povo que luta diariamente contra o imperialismo'', encerrou, após ler o poema ''Confissão de um terrorista'', escrito por Mahmoud Darwich.

A poesia diz: ''Ocuparam minha pátria/ Expulsaram meu povo/ Anularam minha identidade/ E me chamaram de terrorista. Confiscaram minha propriedade/ Arrancaram meu pomar/ Demoliram minha casa/ E me chamaram de terrorista. / Legislaram leis fascistas/ Praticaram odiada apartheid/ Destruíram, dividiram, humilharam/ E me chamaram de terrorista. / Assassinaram minhas alegrias/ Seqüestraram minhas esperanças/ Algemaram meus sonhos/ Quando recusei todas as barbáries/ Eles… mataram um terrorista''.

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Do Rio de Janeiro,
Joana Rozowykwiat

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