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Cuba: Mais de um milhão participaram de show pela paz

Sob o olhar firme de uma imagem de Che Guevara que enfeita a fachada de um ministério, mais de um milhão de pessoas, a maioria vestida de branco, ocupou, neste domingo (20), a Praça da Revolução, em Havana, para participar de um concerto pela paz. O evento foi encabeçado pelo artista colombiano Juanes – que chegou a ser ameaçado pelos anticastristas de Miami. O espetáculo "Paz sem fronteiras" teve como objetivo justamente promover uma aproximação entre os Estados Unidos e Cuba.


Ainiciativa foi transmitida por várias emissoras de TV dos Estados Unidos,Europa e América Latina. "Aos jovens de Miami e de todo o mundo: podemospensar diferente, mas, aqui, estamos pela paz. Deixemos o ódio de lado",disse Juanes, externando o desejo de promover o mesmo show em Miami."Queremos que, com o tempo, as coisas mudem e a família cubana seja apenasuma. E a melhor linguagem para chamar a atenção para isso é a da música e a dapaz", completou o cantor. 

A quantidade de gente surpreendeu os prórpiosorganizadores. A multidão – que superou o público da missa de João PauloII, em 1998, assistida por 800 mil pessoas – se amontoou desde cedo perto dogigantesco palco, desafiando um calor de mais de 30º C.

O show foi a segunda edição do evento pelapaz. O primeiro foi organizado no ano passado na fronteira entre a Colômbia e aVenezuela. "Não posso acreditar no que meus olhos estão vendo, é o sonhomais bonito de paz e amor que pude experimentar depois dos meus filhos",disse Juanes ao entrar no palco.

Desde que anunciou a intenção de promover oconcerto em Cuba, Juanes suscitou a ira de muitos exilados cubanos em Miami,feudo do anticastrismo, onde moram Juanes e sua família. Vítima da intransigência,o cantor recebeu ameaças de morte, e seus discos foram quebrados a golpes demartelo.

Ontem, a expectativa para o concerto era tanta queaté o presidente dos EUA, Barack Obama, falou sobre o tema. Ele elogiou ainiciativa, mas respondeu que não se deveria dar uma dimensão exagerada aoefeito de espetáculos como o de ontem e da diplomacia cultural com Cubapara a retomada das relações entre os dois países. "Não acredito que essetipo de evento prejudique as relações Estados Unidos-Cuba", disse Obama.Já o dirigente venezuelano Hugo Chávez não poupou elogios ao evento, quequalificou de "maravilhoso".

Além de Juanes – que escreveu a música"Cubano Soy especialmente para o evento, em "homenagem aos cubanos dedentro e de fora de Cuba" – ,outros 13 cantores populares de línguaespanhola se apresentaram. Participaram artistas como o espanhol MiguelBosé, o italiano Jovanotti e as bandas Ourishas e Van Van. A divaportorriquanha Olga Tañon chegou a qualificar a festa como "o concerto doséculo", lembrando que os artistas ali presentes estavam "fazendohistória".

A iniciativa, que aconteceu na véspera do DiaInternacional da Paz – proclamado pela ONU como momento de " comemorar efortalecer os ideais de paz em cada nação e cada povo e entre eles" -, duroucinco horas, prendendo a atenção da multidão que se espremia na praça – amaioria, jovens que tiveram sua primeira experiência desta magnitude. Seria o"Woodstock" de alguns, disse o jornal La Jornada.
 

"Juanes nos devolveu a dignidade", disseà EFE Rosário, professora cubana que assistiu ao show com seus três filhosadolescentes. Para Damian Estévez, 51 anos, nunca houve um espetáculo tãogrande em Cuba. ''A Praça parecia um animal vivo", afirmou. Era possívelver várias bandeiras cubanas e de outros países latino-americanos, como México,Venezuela, Puerto Rico e Chile

Sem longos discursos, mas com muita música,"Paz sem Fronteira" sugeriu mudar as bases de uma relação há muitoconflituosa e cercada por instransigências. O colombiano repetiu até não podermais a palavra "paz", e no final do espetáculo quis deixar claro quetrazia a mensagem de reconciliação entre cubanos de dentro e fora da ilha, aocantar "Arriba La Habana,arriba Cuba, arriba Estados Unidos, Miami, Nueva York y Washington".

"É um grão de areia a mais na tentativa demelhorar as relações entre EUA e Cuba por meio da arte. Vencemos o medo.Esperamos que também o possam vencer os jovens daqui e os de Miami", disseJuanes, mandando um recado: "É tempo de mudar".

Com agências

Fonte: Portal Vermelho- http://www.vermelho.org.br

 

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