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Honduras: Golpe de Estado teve selo “made in USA”, diz Zelaya

O ex-presidente Manuel Zelaya, atualmente exilado na República Dominicana, afirmou nesta segunda-feira (28) que o golpe de Estado contra seu governo, ocorrido há exatamente um ano, foi orquestrado pelos Estados Unidos e executado por "hondurenhos maus".

Zelaya faz a acusação em uma carta enviada à Frente Nacional de Resistência Popular (FNRP) de Honduras – que também realizou, no mesmo dia, uma mobilização em repúdio ao golpe que terminou na deposição do líder constitucional do país e contra o governo de Porfirio Lobo, eleito sob regime de facto e não reconhecido pela entidade.
  
"Escrevo estas palavras para o povo de Honduras ao se completar um ano daquela fatídica madrugada em que minha casa, em que eu habitava com minha família, na condição de presidente da República, foi rodeada pelas forças especiais dos militares. Tomada por homens com armas e metralhadoras, fui sequestrado e enviado para a Costa Rica", declarou o ex-governante.
  
No texto, Zelaya apontou que, após um ano do golpe de Estado militar, “já se sabem as causas e os atores intelectuais desse crime que eram mantidos ocultos". Nesse sentido, ele reiterou suas suspeitas de que os Estados Unidos estiveram "por trás" de sua destituição.
  
"No início desta tragédia, deste retrocesso, o Departamento de Estado negou sua vinculação ao golpe, inclusive a embaixada norte-americana fez demonstrações de condenação. Agora se sabe de tudo, e tudo indica que o golpe foi planejado na base militar de Palmerola [centro de Honduras], pelo comando sul dos Estados Unidos, e executado desonestamente por hondurenhos maus", acrescentou.
  
Para o ex-mandatário, os "autores intelectuais deste crime obedecem a uma associação ilícita dos velhos falcões de Washington com hondurenhos, proprietários de capitais e seus sócios de subsidiárias norte-americanas e agências financeiras, alguns proeminentes membros hondurenhos da SIP [Sociedade Interamericana de Imprensa, sigla em espanhol], responsáveis pelo silêncio interno e pela proteção dos assassinos que matam pessoas dentro do território nacional".
  
Na carta, Zelaya descreveu ainda as medidas que tomou enquanto governava e que foram, segundo ele, as principais causas que fizeram "os norte-americanos e seus sócios perderem o juízo". Um dos exemplos citados foi a mudança da proposta para reduzir os lucros das empresas multinacionais de comercialização de combustíveis e a iniciativa para recuperar a base militar aérea de Palmerola, onde permanecem cerca de 400 militares norte-americanos, para transformá-la em um aeroporto para passageiros.
  
Outro ponto recordado pelo ex-mandatário foi a assinatura do tratado de associação com a Petrocaribe e a adesão à Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba), "apesar da oposição dos Estados Unidos", e a mudança das políticas monetárias, cambiais e salariais, "contradizendo todas as políticas de recessão do FMI [Fundo Monetário Internacional]".
  
"Todas essas medidas, é necessário dizê-las e fazê-las notar, foram revertidas pelo regime ilegal e sanguinário de [Roberto] Micheletti, e no atual governo de Porfírio Lobo, com muito prazer continua sua derrogação contra os interesses dos hondurenhos", apontou. Segundo Zelaya, Lobo "não aceita conselhos senão dos norte-americanos, todas as ações que toma é para favorecer as multinacionais norte-americanas e especialmente as do petróleo".
  
Na carta, o ex-chefe de governo indicou ainda que Lobo devolveu os "privilégios ilegais" às transnacionais petroleiras, retirou Honduras da Alba – seguindo "a ordem de Washington que me proibia de ter relações com [Hugo] Chávez", presidente da Venezuela – paralisou a recuperação da base de Palmerola e premiou os "golpistas com ministérios, enquanto nos persegue".
  
Para o ex-presidente, a única saída para o país é uma nova reconciliação para o diálogo político, encaminhando a convocação de uma assembleia constituinte. Ainda na carta, Zelaya também se disse disposto a lutar "até a morte" para o restabelecimento da paz e da democracia em Honduras".

Fonte: Ansa

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