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Brasil repudia violência do governo líbio contra manifestantes

Segue tenso o clima na Líbia nesta segunda-feira, 21, quando se completa uma semana das manifestações contra o presidente Muamar Khadafi, que ocupa o poder a mais de 40 anos. Aviões militares atiraram contra milhares de manifestantes em Trípoli, capital do país, segundo informações da TV Al Jazeera. Cerca de 250 pessoas teriam morrido no ataque.

Moradores dos bairros de Fashlum e Tayura falaram de “massacre” com muitos mortos e também há relatos de que mercenários estariam atacando os manifestantes. Outros dizem que pilotos teriam se negado a disparar contra a multidão e desertado para a ilha de Malta.

Também hoje, pelo menos três diplomatas líbios renunciaram a seus cargos, e vários líderes tribais e religiosos aderiram à revolta popular. Uma coalizão de líderes muçulmanos líbios emitiu uma declaração dizendo que é obrigação de todo o muçulmano se rebelar contra o governo líbio.

A estimativa de mortos desde o início da revolta, no dia 15, até as primeiras horas desta segunda-feira, ia de 230 (segundo a Human Rights Watch) a cerca de 300 a 400 (segundo a Federação Internacional de Direitos Humanos).

Repúdio brasileiro

Diante da violência no país, ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, se pronunciou hoje repudiando a repressão do governo da Líbia contra os protestos populares. “O Brasil repudia atos de violência contra manifestantes desarmados e vê com grande preocupação o desenvolvimento (da repressão) na Líbia. Parece que alcançaram (os atos) um padrão de violência inaceitável”, disse Patriota.

A maior preocupação do Itamaraty neste momento é com a retirada de brasileiros da cidade de Benghazi. Os contatos para a saída dos brasileiros estão sendo feitos desde ontem pelo embaixador no país, George Ney de Souza Fernandes. Os brasileiros “eram para ser retirados ontem. De modo que estamos trabalhando intensamente para transferi-los o quanto antes. A situação está evoluindo rapidamente”, declarou o ministro.

Rumores sobre Khadafi

Em meio ao vai e vem de notícias, foi dito que Khadafi poderia vir para o Brasil ou para a Venezuela. No entanto, Patriota enfatizou que, até o momento, o Itamaraty não recebeu nenhum pedido de asilo político por parte do presidente líbio e disse que “a questão não se coloca porque não foi solicitada”.

Já o governo venezuelano desmentiu a notícia. O chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, disse ter conversado por telefone com o seu colega líbio, Moussa Koussa, que lhe garantiu que Khadafi está em Trípoli exercendo as suas funções. O vice-chanceler da Líbia, Khalid Kayem, também negou a informação, dizendo que ela “não tem fundamento”.

Alta no petróleo

A onda de violência na Líbia fez o preço do petróleo crescer hoje. O valor do Brent do Mar do Norte, de referência, ultrapassou os 105 dólares em Londres, o que não acontece desde 2008, enquanto que seu equivalente americano, o “light sweet crude” (WTI) registrou o nível mais elevado em duas semanas, a US$ 89,78.

A Líbia, membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), é um dos quatro principais produtores da África junto com a Nigéria, Angola e Argélia. Sua produção é avaliada entre 1,5 milhão e 1,8 milhão de barris/dia, com reservas estimadas em 42 bilhões de barris.

Com agências

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