Jornalista é atacada por matéria com deputada do Conselho Nacional Palestino da OLP

A jornalista Adriana Carranca está sendo atacada por publicar a matéria “Sequestro de aviões deu voz a palestinos” onde entrevista a deputada do Conselho Nacional Palestino da OLP, Leila Khaled. Em nota a Federação Árabe Palestina do Brasil – FEPAL expressa apoio à jornalista.

 

Leia abaixo a nota de apoio à Adriana Carranca:

Em nome da FEPAL – Federação Árabe Palestina do Brasil, fundada em 1980, entidade representativa da comunidade palestina no Brasil, quero expressar a nossa gratidão ao Brasil que acolheu povos e culturas de distintas regiões do planeta e que aqui convivem em respeito e cumprimento à Constituição Federal.

As diversas etnias e religiões encontraram no Brasil uma acolhida impar, civilizada, que em plena era da democracia colhe os frutos desse caldeirão de diversidade humana, fortalecendo o principio da convivência entre os diferentes, com tolerância, respeito e compreensão. É essa diversidade que coloca o Brasil como exemplo de sociedade democrática perante o mundo, pois os brasileiros, sem distinção de sua etnia, religião, ideologia, gênero e classe social, tem garantidos na lei máxima os mesmos direitos e deveres.

Parabenizamos a jornalista Adriana Carranca pela excelente reportagem com a Sra. Leila Khaled, Deputada do Conselho Nacional Palestino da OLP- Organização para a Libertação da Palestina, conselho esse que equivale à um parlamento, pois a OLP é a única e legítima representante do povo palestino, assim reconhecida pela ONU, pela Liga Árabe de demais organismos internacionais.

Parabenizamos a jornalista Adriana, que ouviu e relatou de maneira digna e respeitosa uma liderança nacional palestina. 

Sabemos que o conflito árabe palestino israelense exige de todos sobriedade e cautela, pois envolve muitas guerras, dores e lágrimas de todos os envolvidos. Mas sabemos também que sem a garantia dos direitos do povo palestino não haverá paz.

A presidenta Dilma, em seu discurso na ultima abertura da Assembleia Geral da ONU, expressou o seu apoio incondicional à admissão do Estado da Palestina como membro de pleno direito das Nações Unidas. A Presidenta expressou a vontade e a posição de mais de 140 países.

Infelizmente, enquanto Israel e Estados Unidos remarem contra a vontade das nações, continuarão sendo os responsáveis pela guerra e por mais vidas ceifadas. Respeitamos e apoiamos a convivência pacifica entre palestinos e judeus, mas não podemos apoiar que a nação palestina continue sendo ocupada, esmagada e humilhada por países e governos que apenas enxergam nos interesses econômicos a razão de suas ações, já que os resultados dessa visão não humana e inescrupulosa tem colocado em risco a paz mundial e levado fome e miséria a bilhões de seres humanos.

Leia a integra da matéria:

Sequestro de aviões deu voz a palestinos
Membro da Frente pela Libertação da Palestina defende governo de união com Fatah e Hamas
ADRIANA CARRANCA – O Estado de S.Paulo

Leila Khaled desce as escadas em um vestido justo de listras, senta-se à mesa e acende um cigarro. Antes da entrevista, pede à amiga brasileira que traga do supermercado cerveja e duas garrafas de vinho, branco e tinto. “Seco, por favor”, pede, ao lado do segurança particular, essa palestina de 64 anos, cuja foto com uma AK-47 em punho rodou o mundo em 1969 após ser presa por sequestrar um Boeing 707 para chamar a atenção do mundo à sua causa.

“Não é religiosa?” Ela mexe a cabeça negativamente. “Quem quer um Estado religioso é Israel”, diz Leila, membro da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) no Conselho Nacional Palestino (Parlamento). Ela está no Brasil para a criação de um comitê em solidariedade aos palestinos e amanhã fala em evento do Icárabe, no Instituto Cervantes, ao lado de três conterrâneos de linhas diferentes.

O FPLP de Leila diverge do moderado Fatah, no comando da Cisjordânia, e é acusado de promover atentados contra Israel, o que ela não nega. Defende o fim da disputa entre palestinos e um governo de união do Hamas e do Fatah, que se reconciliaram recentemente. Os grupos se reunião no dia 18, no Cairo, para decidir sobre novas eleições palestinas (mais informações na página A16).

Leila diz que aceitará a decisão de maioria, mas não rejeita a luta armada. “Vinte anos de conversa não nos levaram a nada. A Carta da ONU prevê como direito de um povo resistir à ocupação, que é em si um ato terrorista”, defende. “Os palestinos lutam contra sua expulsão, prisões arbitrárias, o bloqueio de Gaza, ofensivas que mataram milhares sem que Israel fosse punido e pelo direito de ir e vir, cerceado por soldados que decidem quando abrir os portões”, ela fala, sem respirar. “Por que acha que o povo palestino deveria suportar tudo isso sem reagir?”

Família palestina diante de sua casa demolida

Em seu tom de voz há toda a carga dos violentos conflitos que assolam a região desde 1948, quando meio milhão de palestinos fugiram da Guerra Árabe-Israelense, entre eles, seus pais. Ela tinha 4 anos. “Israel sufocou o povo palestino. E o que você faz quando está sufocando? Você usa até as unhas!” Ao sequestrar o avião que ia de Roma a Atenas e desviá-lo para Damasco, na Síria, ela exigiu que o piloto sobrevoasse Haifa, sua terra natal. Não houve feridos. “Sequestramos, sim, e o mundo passou a nos ouvir”. Ela fez seis cirurgias plásticas e no ano seguinte participou de novo sequestro. Foi presa em Londres e libertada numa troca de prisioneiros.

Leila vive na Jordânia e defende o direito de retorno – um dos principais impasses à paz. “Israel convoca judeus de todo o mundo a retornar às suas terras, por que não os palestinos?” Ela sabe que isso inviabilizaria o Estado de Israel, que teria maioria árabe. “Defendo um Estado laico em que judeus e muçulmanos possam conviver.”

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