Presidenta do Conselho Mundial da Paz repudia posição do Grupo de Lima contra o governo reeleito da Venezuela

A presidenta do Conselho Mundial da Paz, Socorro Gomes, emitiu nesta terça-feira (8) uma nota de repúdio à ingerência do Grupo de Lima, composto por 14 países, nos assuntos internos da Venezuela. Na sexta-feira (4), o grupo fundado em 2017 emitiu mais uma nota, da qual se retirou o novo governo do México, onde afirma não reconhecer o governo reeleito da Venezuela e demanda que o presidente Nicolás Maduro não assuma o mandato conferido pelo povo venezuelano. Leia a seguir a declaração de Socorro Gomes.

Rechacemos a ingerência e ameaças contra o governo reeleito da Venezuela!

As forças democráticas e progressistas acompanham e denunciam a sequência infindável de declarações, sanções e outras medidas ofensivas contra a República Bolivariana da Venezuela. Desta feita, alinhados à agenda imperialista ditada pelos Estados Unidos para a América Latina e o Caribe, à exceção do México sob um novo governo, os países que compõem o Grupo de Lima voltaram a carregar contra a Venezuela e, consequentemente, contra o seu povo, sua soberania e a democracia, declarando que não reconhecerão a legitimidade do governo do presidente reeleito Nicolás Maduro, a se inaugurar em 10 de janeiro.

Em seu desprezo pelo processo eleitoral democrático e legítimo, como reconheceram observadores internacionais, o Grupo de Lima, em sua declaração de 4 de janeiro, ainda ousou demandar ao presidente reeleito pelo povo venezuelano que não assuma as funções. Tamanha arrogância é inaceitável, especialmente numa região que há muito sofre da ingerência externa direta comandada pelos EUA, onde os povos tiveram sempre que lutar arduamente pela democracia.

Operações de mudança de regime, de variadas formas, não passam de golpes que atentam contra os direitos civis e políticos dos cidadãos e contra a soberania das nações, impedindo a estabilidade regional e relações de respeito, cooperação e amizade que consolidarão uma paz justa e soberana. Ainda mais ultrajante é que se promovam sob o pretexto, precisamente, de proteger a democracia. Ora, o governo bolivariano tem um histórico de práticas de consulta popular que o referendam inéditas nos países cujos governos se arrogam o papel de polícia da democracia no continente — a começar pelos governos da Colômbia, do Peru e do Brasil pós-golpe de estado de 2016.

O Conselho Mundial da Paz tem reiterado sua solidariedade ao povo venezuelano no enfrentamento à ingerência estrangeira, conduzida seja através do Grupo de Lima ou da Organização de Estados Americanos, mas sempre comandada pelos patrões imperialistas das forças reacionárias e golpistas, os EUA. A defesa da soberania da Venezuela é fundamental para assegurar a paz no continente e fortalecer os laços de respeito e amizade entre os povos.

Somamo-nos a todas as forças amantes da paz e da liberdade no apoio irredutível à luta do povo venezuelano por sua democracia e por superar de forma soberana a grave crise política e econômica, insuflada através de uma pesada guerra midiática, econômica e política, causando a instabilidade, buscando instigar a polarização no país. Estamos certos de que o aguerrido povo venezuelano superará mais esta ameaça, mas seguimos atentos, mobilizados na denúncia e solidários à sua luta!

Todo o respeito à soberania da República Bolivariana da Venezuela!
Não à ingerência do Grupo de Lima!
Em defesa da Paz entre as nações latino-americanas e caribenhas!

Socorro Gomes
Presidenta do Conselho Mundial da Paz
8 de janeiro de 2019