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Cebrapaz repudia ofensiva contra palestinos e acordo do Brasil com Israel

A Palestinians protestor holding the Brazilian flag argues with an Israeli soldier during a demonstration on December 10, 2010 in the West Bank village of Bilin against Israel's separation barrier and to mark one year since the arrest by Israeli authorities of Palestinian activist Abdullah Abu Rahma, the coordinator of the Popular Committee against the Wall and Settlements in Bilin. Argentina said on December 6, 2010 it recognized a "free and independent" Palestinian state, days after Brazil drew sharp criticism from Israel and US lawmakers for taking the same step. AFP PHOTO/ABBAS MOMANI

O Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz) mais uma vez manifesta o seu contundente repúdio às ofensivas das forças de ocupação da Palestina, demandando das lideranças internacionais o cumprimento da sua responsabilidade para com o povo palestino, que resiste há sete décadas ao colonialismo, à expulsão e à opressão impostas pelo regime israelense. Como entidade brasileira fiel à tradição do nosso povo de amizade e fraternidade com os povos em luta, somamo-nos aos apelos contra qualquer movimento de aproximação militar-comercial que legitime o regime israelense através de parcerias estabelecidas com a sua máquina de guerra e opressão. 

Mais especificamente, opomo-nos ao Acordo sobre a Cooperação em Questões Relacionadas à Defesa, que o presidente Jair Bolsonaro assinou com o governo de Israel, durante visita a Jerusalém, em 2019. O contexto da assinatura deste acordo é mais uma entre tantas outras evidências da sua ilegitimidade, já que aconteceu durante as promessas do governo israelense de anexar vastas porções do território palestino ocupado, enquanto o seu patrocinador maior, os Estados Unidos, então sob o governo Trump, ratificava o plano e também ousava legitimar, unilateralmente, a anexação de Jerusalém por Israel, reconhecendo a cidade como sua capital. 

Bolsonaro prometeu fazer o mesmo, o que contraria tanto as resoluções da ONU quanto a posição histórica da nossa diplomacia e a vontade do povo brasileiro. Nunca é demais recordar que o Brasil reconhece o Estado da Palestina desde 2010 e com o povo palestino deve continuar consolidando relações de amizade e cooperação, um objetivo que o posicionamento do governo Bolsonaro, não de amizade com o povo israelense, mas de subserviência ao regime extremista, racista e supremacista assente nos ideais sionistas, só pode entravar.

Por isso, o CEBRAPAZ também repudia nos mais firmes termos a dupla violência imposta pelo regime israelense ao povo palestino nos últimos dias em Jerusalém, no distrito de Seikh Jarrah, de onde o governo busca despejar famílias palestinas inteiras para alojar em suas casas colonos israelenses, contra o que estas famílias e seus vizinhos e amigos resistem e são, por isso, brutalmente reprimidos pelas forças israelenses e atacados por colonos por elas protegidos. Também denunciamos com firmeza a repetição das ofensivas israelenses contra a Faixa de Gaza, que está sitiada há mais de uma década e é frequentemente bombardeada por Israel, cuja liderança já vislumbra o banco dos réus do Tribunal Penal Internacional (TPI) por cometer crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Entretanto, o atual presidente Joe Biden reafirma a posição estabelecida dos EUA de afirmar que Israel tem direito à segurança com um apelo genérico por contenção, enquanto a segurança dos palestinos é inexistente.

Que este contexto se perpetue já é por si só uma afronta a todos os amantes da paz e da vida e defensores da dignidade humana, além de uma violação do direito do povo palestino à autodeterminação e os seus direitos humanos em geral, alimentando a violência permanente e persistente.

Que a expulsão de palestinos de suas terras e as ofensivas militares contra Gaza se repitam enquanto o governo Bolsonaro planeja assinar acordos militares com Israel, cuja indústria bélica e de “segurança” só se sustenta às custas da repressão e do massacre do povo palestino, é algo que o povo brasileiro não pode aceitar! 

Pelo fim da ocupação e a colonização da Palestina por Israel,

Em rechaço completo às políticas do governo Bolsonaro de aproximação e colaboração com este regime opressor e racista,

Em solidariedade absoluta com o povo palestino em resistência e defesa da sua autodeterminação nacional,

Palestina livre, já!

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