Conselho Mundial da Paz emite declaração sobre Afeganistão

O Secretariado do Conselho Mundial da Paz emitiu uma declaração nesta segunda-feira (16) sobre a retomada do poder no Afeganistão pelo grupo Talibã, com a derrota na guerra e a retirada das tropas estadunidenses, 20 anos após a invasão pela potência imperialista na chamada “guerra ao terror”. Leia o texto a seguir:

Declaração sobre os recentes acontecimentos no Afeganistão

O Conselho Mundial da Paz expressa profunda preocupação com os recentes eventos no Afeganistão. Vinte anos passados da agressão imperialista e a invasão do Afeganistão pelos EUA e a OTAN, o sofrimento do seu povo não tem fim.

Quando os EUA lançaram sua suposta “Guerra ao Terror” em 2001, as forças anti-imperialistas amantes da paz estiveram cientes da hipocrisia e dos verdadeiros objetivos da agressão contra o Afeganistão.

Os Mujahedin, Talibã e outras forças religiosas extremistas, que foram criadas, financiadas e dirigidas por mais de uma década pelos EUA e seus aliados europeus para derrubar o primeiro governo popular nos anos 1980, tomaram o controle do país por mais de 10 anos. O apoio internacionalista da URSS, que havia trazido grande progresso em todos os campos sociais, foi distorcido e falsificado por razões ideológicas.

Em 2001, depois de haver servido aos planos imperialistas, o Talibã virou um “alvo” dos seus mestres anteriores. O ajuste da política externa dos Estados Unidos e da OTAN na Ásia central tinha em mente a confrontação com a Rússia e a China. Centenas de milhares de pessoas perderam sua vida, milhões foram deslocadas e tornaram-se refugiadas. Mais de dois trilhões de dólares foram gastos em todos esses anos pelos imperialistas para operações militares e o financimento de regimes fantoches voluntários em Cabul. O negócio lucrativo do ópio proliferou-se e se multiplicou pelos últimos 20 anos.

Há dias, o governo Biden começou a retirada de forças estadunidenses do país após longas negociações (que começaram no governo Trump) com as forças do Talibã. O país está sendo entregue ao “inimigo anterior” com o perigo iminente de obscurantismo e o fundamentalismo institucionalizado. Os EUA não estão deixando o Afeganistão para cortar gastos. Suas prioridades no Oceano Pacífico requerem o reajuste e o remanejamento das suas tropas.

Entre outras questões, a nova situação adicionará novos problemas sociais para o povo do Afeganistão, particularmente para as mulheres do país. O perigo existe de uma emersão mais forte do fundamentalismo religioso na região, enormemente armado com equipamentos que os EUA estão deixando para trás, enquanto preocupações por uma nova onda de refugiados crescem.

O CMP expressa sua solidariedade com o povo do Afeganistão, que pelos últimos 30 anos, nunca tiveram a liberdade de decidir sobre seu futuro e destino. A ocupação militar dos EUA/OTAN e o governo do Talibã são os dois lados da mesma moeda.

Secretariado do Conselho Mundial da Paz
16 de agosto de 2021