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Novo recorde: gastos militares globais ultrapassam os R$ 10 trilhões

“Em plena pandemia”, como se tem reiterado para ressaltar o contra-senso de tais tendências diante do sofrimento dos mais afetados, os gastos militares mundiais pela primeira vez na história ultrapassaram os USD 2 trilhões, alcançando USD 2,113 trilhões (R$ 10,14 trilhões). É o equivalente a 2,2% do PIB mundial. Como sempre, os EUA encabeçam a lista com USD 801 bilhões (R$3,8 trilhões), dando grande peso para a pesquisa e desenvolvimento de tecnologia militar, de acordo com o Instituto Internacional de Estocolmo de Pesquisas para a Paz (Sipri), em publicação deste domingo (24).

Os gastos militares globais em 2021 aumentaram em 0,7% em relação a 2020 e 12% em relação a 2012, afirma o Sipri. “Os efeitos econômicos da pandemia de Covid-19 não encerraram a contínua tendência ascendente dos gastos militares mundiais verificada desde 2015”.

Já em 2020 foram gastos no setor USD 2 trilhões. Os EUA representaram 39% deste total, dedicando USD 778 bilhões para o seu orçamento militar. Naquele ano, os países-membros da União Europeia (UE) gastaram juntos quatro vezes mais do que a Rússia no setor, e os Estados Unidos, mais do que todos juntos. É um dado relevante diante da atual conjuntura no leste europeu e a guerra na Ucrânia, somado às há muito reiteradas denúncias da mobilização ofensiva e expansiva da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que inclui os membros da UE e é encabeçada pelos EUA.

Em 2021, os Estados Unidos, que gastaram USD 801 bilhões no setor militar (38% do total mundial), foram seguidos de longe pela China (USD 239 bilhões, 14% do total), Índia (USD 76,6 bilhões), Reino Unido (USD 68,4 bilhões) e Rússia (USD 65,9 bilhões). O Sipri nota ainda como Reino Unido e França subiram duas posições, para o quarto e o sexto maiores orçamentos militares, respectivamente.

De acordo com a pesquisadora do Sipri Alexandra Marksteiner, os EUA têm dedicado mais recursos à pesquisa e desenvolvimento durante a década de 2012-2021, focando em desenvolver tecnologias de nova geração para “preservar a vantagem tecnológica do seu exército”.

Em 2006 os membros da OTAN já haviam se comprometido a se esforçar por compor os seus orçamentos militares com 2% do Produto Interno Bruto (PIB) de cada país. Em 2021, foram já oito os que cumpriram ou ultrapassaram esse compromisso. Os EUA gastaram 3,5% do seu PIB no setor. Além disso, para 2022, a OTAN já conta com um orçamento dedicado de quase USD 2 bilhões.

Em um período em que os povos são atingidos por grandes crises econômicas, financeiras e, mais recentemente, sanitárias, como desde 2020 com a pandemia de COVID-19, o compromisso de dedicar parte considerável dos recursos nacionais à promoção da guerra é mais uma amostra da natureza dessa aliança beligerante, que aposta na corrida armamentista e na demonstração de força e a ameaça permanente como estratégia de contenção de outras potências. Os EUA mantêm atualmente mais de 400 mil tropas em cerca de 155 países, segundo o Chefe do Estado-Maior Mark Milley, em uma audiência da Comissão de Serviços Armados da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos.

Note-se que os EUA gastaram USD 8 trilhões nos 20 anos da estrondosamente fracassada “guerra ao terror”, que provocou as mortes de mais de 900 mil pessoas, número provavelmente subestimado, de acordo com o projeto Costs of War (“Custos da Guerra”), da Universidade de Brown, em comunicado de setembro de 2021. Além disso, “a guerra continua em mais de 80 países”, onde persistem as chamadas “operações contra-terroristas” dos Estados Unidos.


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