Seminário pelo fim das bases militares fortalece a luta pela Paz

Entre 18 e 20 de novembro de 2013 a cidade de Guantânamo, Cuba, sediou o Terceiro Seminário Internacional pela Paz e a Abolição das Bases Militares Estrangeiras. O seminário, promovido pelo Conselho Mundial da Paz, pelo Movimento Cubano pela Paz e a Soberania dos Povos e pelo Instituto Cubano de Amizade com os Povos, teve a participação de 152 delegados e delegadas de 22 países, dentre eles os representantes do CEBRAPAZ e a presidenta nacional da entidade e do Conselho Mundial da Paz, Socorro Gomes.

A declaração final do seminário denuncia a escalada das guerras de agressão imperialistas e as políticas de desestabilização promovidas pelos EUA e a OTAN, reafirma o apoio incondicional à resistência dos povos e destaca a importância de se ampliar a Rede Mundial contra as Bases, Instalações e Territórios Militares, além de desenvolver e ampliar a Campanha Continental “América Latina e Caribe é Região de Paz: não às bases, instalações e territórios militares estrangeiros”. Veja a íntegra da declaração a seguir:

“Por um mundo sem bases, instalações e territórios militares estrangeiros”
DECLARAÇÃO FINA

“Que a paz seja o lema do mundo”

Guantánamo, 18, 19 e 20 de novembro de 2013

Delegados e Delegadas de 22 países reunidos na cidade de Guantânamo, capital da província de mesmo nome, na República de Cuba, nos dias 18,19 e 20 de novembro de 2013, convocados pelo Conselho Mundial da Paz, pelo Movimento Cubano pela Paz e a Soberania dos Povos e pelo Instituto Cubano de Amizade com os Povos, para celebrar o Terceiro Seminário Internacional pela Paz e a Abolição das Bases Militares Estrangeiras.
Um total de 152 participantes provenientes de Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salvador, Estados Unidos, Finlândia, França, Ilhas Comores, Itália, Japão, México, Peru, Porto Rico, República Árabe Saharaui Democrática, República Dominicana, Rússia, Suíça e Venezuela, se fizeram presentes no Seminário.

O evento acontece nos marcos de uma complexa situação internacional em que a linguagem das armas não cessa e se aprofundam a crise econômica sistêmica capitalista e as tendências a globalização neoliberal, com seus impactos negativos sobre nossas sociedades. As bases, instalações e territórios militares estrangeiros e a proliferação de armamentos se intensificam com o objetivo de facilitar às potências imperialistas a prática do hegemonismo, em clara violação das normas do Direito Internacional e da Carta das Nações Unidas. Os investimentos militares a nível mundial se mantém a níveis inaceitáveis, sob o falso pretexto de cobrir os maiores gastos na luta contra o narcotráfico, os fluxos migratórios descontrolados e as atividades terroristas.

Plenamente conscientes dos problemas que enfrentam nossos povos; chamando a atenção sobre os perigos de guerra no Oriente Médio, especialmente na Síria; e ressaltando as ameaças militares iminentes contra a América Latina e o Caribe e outras regiões do mundo, denunciamos:

• As políticas agressivas e intervencionistas do atual governo dos Estados Unidos e de seus aliados da OTAN, que perseguem o objetivo de dominar o mundo com a ajuda da extensa rede de bases, instalações e territórios militares existentes, na qual investem não somente armas do mais alto nível tecnológico, efetivos militares e mercenários, senão também modernos meios de exploração que monitoram, controlam e registram as comunicações estatais, civis e particulares, o que se reconhece como uma ciberguerra.
• A hipócrita manipulação do sistema das Nações Unidas e de seu Conselho de Segurança por parte das principais potências imperialistas, com a clara intenção de colocá-los a serviço de seus interesses e objetivos de Política Exterior e Segurança Nacional.
• A estratégia de desestabilização política e econômica contra os países da ALBA, da CELAC, do MERCOSUL, da UNASUL e outros mecanismos de integração e cooperação, não apenas na América Latina e Caribe, como também em outras regiões do planeta, com o objetivo de lhes impor governos submissos aos ditames imperialistas e configurar um novo esquema geopolítico mundial.
• A criminalização dos movimentos sociais, da luta da classe trabalhadora e das exigências das populações originárias, que reivindicam o direito de explorar de maneira sustentável os recursos naturais, eliminar a pobreza, a marginalização e o subdesenvolvimento.
• A continuidade da política colonialista do Reino Unido, que mantém militarmente ocupadas as Ilhas Malvinas, Sandwich e Geórgia do Sul, negando à República Argentina a soberania sobre elas.
• O incremento das manobras militares das Forças Armadas dos Estados Unidos e dos Estados membros da OTAN a nível global, nas quais se delineiam as futuras intervenções humanitárias que lhes garantirão o saque e o controle dos recursos energéticos e minerais estratégicos.
As organizações de paz e solidariedade aqui presentes, junto a todas as forças e organizações progressistas, antiimperialistas, antimilitaristas, antiintervencionistas, antissionistas e amantes da paz mundial, reiteramos a condenação à ingerência nos assuntos internos às nações, ao reordenamento imperial do planeta sob os desígnios do imperialismo e da OTAN, ao militarismo que põe em perigo a espécie humana e provoca danos ecológicos irreversíveis, sem ter em conta a fome, a pobreza e as enfermidades que assolam nossos povos.

Testemunhas das graves violações dos direitos humanos que os EUA e a OTAN praticam por meio do terrorismo de estado; das reiteradas ameaças à democracia e à que EUA e seus aliados europeus impõem a nossos povos por meio das forças armadas e sofisticados armamentos, nos comprometemos a:

• Lutar contra toda forma de agressão, intervencionismo e ingerência sobre os assuntos internos dos Estados; pela retirada de todas as tropas de ocupação e fechamento das bases, instalações e territórios militares;
• Fortalecer e ampliar a Rede Mundial contra as Bases, Instalações e Territórios Militares e a Campanha Continental “América Latina e Caribe é Região de Paz: não às bases, instalações e territórios militares estrangeiros”, os quais expressam a unidade que devemos continuar construindo para alcançar êxito;
• Continuar estimulando a campanha internacional por um mundo sem armas nucleares, químicas e bacteriológicas e pelo fim do desenvolvimento tecnológico nuclear com fins não-pacíficos;
• Seguir expressando a mais ampla solidariedade com a República Bolivariana da Venezuela, seu governo e seu povo, que enfrentam a gurra econômica e outras ações desestabilizadoras por parte das forças opositoras internas com o apoio do imperialismo estadunidense, com o propósito de destruir o legado do Comandante Presidente Hugo Chávez Frías e seu impacto regional e internacional;
• Expressar o mais firme apoio a outros processos revolucionários e democráticos genuínos dos povos, pela justiça social, a defesa da soberania e a independência nacionais e por um mundo de paz;
• Reiterar a confiança no processo de negociação da paz na Colômbia que se desenvolve entre o Governo e as FARC-EP, em La Havana, Cuba;
• Elevar o rol da cultura no trabalho pela Paz e contra as guerras convertendo-o em fator que propicie a compreensão de que um mundo melhor, mais justo é necessário e possível;
• Reiterar o compromisso solidário com a causa do povo palestino em sua justa luta pelo direito de possuir seu próprio Estado independente, laico e soberano com Jerusalém como capital, com a libertação imediata de todos os presos políticos palestinos em cárceres israelenses, com o retorno dos refugiados às suas terras de origem e com a mais ampla condenação da política expansionista e intervencionista do sionismo;
• Manter mais ativa a denúncia das ambições imperialistas contra a Síria e em defesa da livre determinação do povo sírio em seus assuntos internos;
• Defender o direito de todas as nações a desenvolver a energia nuclear com fins pacíficos e denúncia das sanções injustamente impostas contra o Irã;
• Continuar exigindo dos EUA a devolução da Base Naval de Guantânamo ilegalmente ocupada contra a vontade do povo cubano, o fim do injusto e criminoso bloqueio econômico, comercial e financeiro contra Cuba e a imediata libertação dos lutadores antiterroristas cubanos prisioneiros nos cárceres estadunidenses;
• Ao mesmo tempo, sustentar a exigência ao Governo dos EUA para a libertação dos presos – detidos e torturados – na Base de Guantânamo e o fechamento desse centro de tortura e outras violações aos direitos humanos;
• Reafirmar nosso compromisso de apoio ao projeto de integração latinoamericana e caribenha;
• Continuar dedicando o mais decidido apoio à causa da independência de Porto Rico, a libertação dos prisioneiros políticos portorriquenhos nos cárceres dos EUA e aos movimentos que, como o das Madres contra la Guerra, assumem um protagonismo destacado nesse país;
• Recomendar a realização de Seminários e outras formas de manifestações a favor da abolição das bases militares estrangeiras em todos os continentes.

Os delegados participantes expressaram seu reconhecimento às autoridades políticas e governamentais da Província de Guantánamo, à delegação provincial do Instituto Cubano de Amizade com os Povos e ao povo guantanamero pela cálida acolhida e o apoio dedicado para a exitosa realização do Seminário.

Com informações do site cubaporlapaz

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