Opinião: Mais uma vez, um risco de golpe na Venezuela

Os movimentos de solidariedade devem estar prontos para combater a ofensiva imperialista e midiática, e usar todo seu poder de mobilização para que não ocorra uma guerra.

Por Thomas de Toledo – Secretário Geral do Cebrapaz

O que a oposição venezuelana está fazendo é um crime, com objetivos claros de obter dividendos nas eleições de 8 de dezembro. Desde 1998, com a vitória do presidente Chávez, os oposicionistas seguem perdendo todos os pleitos. Apesar das monumentais derrotas eleitorais, eles tentaram por diversas vezes promover golpes de Estado, apoiados e financiados, pelos Estados Unidos. Agora, experimentam a tática de desabastecer o país, proibindo a entrada de alimentos e de bens de primeira necessidade nos supermercados, algo muito parecido ao que antecedeu ao golpe contra Salvador Allende no Chile em 1973.

Misteriosamente, os voos para Caracas até o dia das eleições praticamente desapareceram (tente você mesmo procurar um, de qualquer lugar do mundo, e verá a quase nula disponibilidade de assentos). Na ausência de observadores internacionais no processo eleitoral, basta a oposição alegar fraude generalizada para que se fabrique uma crise de legitimidade no país. Considerando que a mídia venezuelana e internacional trabalha a serviço do imperialismo, a divulgação dos fatos será invertida da mesma forma como ocorre hoje na Síria. Em pouco tempo, pode-se criar o caldo para um golpe e, na medida em que isto afete as importações de petróleo aos Estados Unidos, o pretexto há tempos procurado para a tão sonhada “mudança de regime” estará dado.

Ocorre que a Revolução Bolivariana tem um profundo enraizamento popular e conta com fortes bases políticas. Por mais que a oposição tenha dinheiro e apoio militar estadunidense, a situação pode se deteriorar para uma guerra civil. Assim, a Venezuela do século XXI se tornaria a Espanha da década de 1930. Isto comprometeria todas as conquistas e avanços na integração latino-americana, obtidas na última década.

Os movimentos de solidariedade devem estar prontos para combater a ofensiva imperialista e midiática, e usar todo seu poder de mobilização para que não ocorra uma guerra. Vale lembrar que circunstâncias suspeitas rondam a morte de Chávez que, segundo o governo do país, existem provas prestes a serem reveladas de ele ter sido envenenado. Quando algumas pessoas alegaram essa possibilidade acerca da morte de Arafat, foram ridicularizados, mas o laudo final de cientistas suíços confirmou o uso de plutônio para envenenar o líder palestino.

O imperialismo sabe muito bem quem são seus inimigos, e por isto estejamos a postos para evitar mais este conflito.

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