Unir forças para responder à visita do vice-presidente dos EUA e rechaçar o entreguismo do governo Temer

A visita do vice-presidente dos Estados Unidos Mike Pence ao Brasil e ao Equador, no fim deste mês, é sintomática de nossa quadra histórica de lutas no país e na região. Noticiada pela mídia brasileira como pauta estratégica que inclui temas comerciais e de segurança, a agenda de Pence reforça a ingerência na Venezuela e a participação do Brasil neste episódio lastimável, além de tocar em pontos estratégicos da soberania nacional.

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Donald Trump e seu vice, Mike Pence.

Primeiro, o governo ilegítimo de Temer segue ao menos duvidoso também para a comunidade internacional. Em dois anos, poucos chefes de Estado fizeram questão de ir ao Palácio do Planalto — exceto aproveitando outros eventos, como o Fórum Mundial das Águas.

Segundo, Mike Pence representa a linha dura da política externa dos EUA. Em outras palavras, o núcleo do intervencionismo na política imperialista estadunidense.

A visita de Pence, além de um sopro de retribuicão pelo desmonte do Brasil, com o leilão dos campos do Pré-Sal e as privatizações de setores estratégicos avançando a passos acelerados, é uma forma de insuflar os venezuelanos contra o governo do presidente Nicolás Maduro. O governo golpista de Temer se presta a participar na desestabilização do país vizinho, posição oposta àquela dos governo Lula e Dilma de compromisso com uma integração regional solidária e de respeito à soberania das nações.

Pence visitará Manaus para discutir a situação do que os EUA e a direita reacionária e subserviente regional chamam de “crise dos refugiados venezuelanos”, em simplória alusão ao debate inflamado nos EUA e na Europa sobre a política de recepção. É preciso destacar, porém, o conteúdo político deste alarde e a simplificação da situação resultante de uma crise insuflada precisamente pela ingerência estadunidense e de seus aliados regionais na Venezuela, além de ponderar o caráter costumeiro da migração regional, principalmente nestas condições, para que se lide com a situação de forma adequada.

O vice estadunidense deve ainda impulsionar as negociações desengavetadas pelo governo Temer, sem qualquer legitimidade para a tratativa de temas estratégicos para a soberania brasileira, relativas ao uso da base de lançamento de satélites de Alcântara, no Maranhão, pelos EUA. Assim que assumiu a Presidência, Lula suspendeu as negociações devido às demandas abusivas por parte do governo estadunidense, que atentavam diretamente contra o projeto de desenvolvimento tecnológico e a soberania nacional, mas estas não são preocupações da agenda Temer.

Ao mesmo tempo, o governo Temer observa passivamente a integração da Colômbia à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) como “parceiro global” do bloco beligerante. Ressalte-se: qualquer país de postura firme na defesa da sua soberania daria respostas duras ao avanço de uma aliança militar ofensiva em direção às suas fronteiras, principalmente considerando o histórico da influência estadunidense em uma região crescentemente militarizada.

O Brasil desgovernado por Temer também contribui para o desmembramento da UNASUL e a diluição dos rumos que o Mercosul vinha tomando em prol de uma integreção mais ambiciosa em termos políticos e sociais, preferindo impulsionar sua coordenação com a Aliança do Pacífico.

Em suma, a visita de Pence ao Brasil reflete os rumos do desmonte do país e o peso do intervencionismo estadunidense na América Latina. Coloca-se, portanto, como expressão imediata do desafio às lutas dos povos por democracia, integração regional e desenvolvimento soberano.

Por isso, o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz) conclama sua militância e convida entidades amigas a unir forças para responder com brios à visita do vice-presidente dos EUA ao Brasil.

Antônio Barreto,
Presidente do Cebrapaz
Pela Direção Nacional