Socorro Gomes: Instituições democráticas devem rechaçar a ingerência na Venezuela

A presidenta do Conselho Mundial, Socorro Gomes, emitiu nota nesta quarta-feira (23), repudiando a sequência de declarações dos governos dos EUA, do Brasil, da Colômbia e outros países da região, que reconhecem o golpista Juan Guaidó presidente interino da Venezuela. Guaidó se auto-proclamou líder de um “governo de transição” que visa derrubar o governo legitimamente eleito do presidente Nicolás Maduro e os representantes vizinhos apressaram-se para apoiá-lo, ainda que Guaidó não tenha o voto popular para o posto. Leia a íntegra da nota de Socorro Gomes.

“O imperialismo deu uma ordem e o povo venezuelano não cumpre ordens do imperialismo. O povo da Venezuela é um povo livre, rebelde, valoroso”, disse Maduro

Reforçar o apoio à luta do povo venezuelano contra a ingerência 

As forças democráticas e da paz, constantemente mobilizadas em apoio à luta do povo venezuelano na defesa da sua soberania, manifestam-se novamente em repúdio contundente à ofensiva contra o governo legitimamente eleito do presidente Nicolás Maduro. Nesta quarta-feira (23), evidenciando sua disposição para levar a ingerência na Venezuela às últimas consequências, o governo de Donald Trump afirmou reconhecer o líder da oposição, o golpista Juan Guaidó, sem mandato popular, como presidente interino do país, no que foi secundado por governos aliados.

Tamanha afronta é um atentado contra as normas mais essenciais das relações internacionais prezadas por todas as forças verdadeiramente democráticas dedicadas à construção de um mundo de paz e cooperação. Deve ser amplamente rechaçada não apenas pelas entidades populares, como também pelas instituições que prezem pela democracia e os princípios plasmados da Carta das Nações Unidas.

O Conselho Mundial da Paz defende a soberania das nações e o respeito mútuo como pilares de relações construtivas entre as nações. Por isso, repudia nos mais firmes termos mais este anúncio ultrajante do governo estadunidense, sugerido pelos países que aderiram à prepotente declaração emitida em nome do Grupo de Lima, há duas semanas, afirmando não reconhecer a legitimidade do governo Maduro, cujo mandato foi renovado pelo voto popular. A maioria dos governos de tal grupo, como afirmamos então, padece da completa falta de competência para se reivindicar promotores da democracia. É o caso, entre outros, dos governos da Colômbia e do Brasil, que também declararam reconhecer Guaidó como presidente.

As tentativas de golpe de estado na Venezuela são incessantes e a resistência tem sido valente, um exemplo para os povos determinados na defesa dos rumos soberanos de suas nações. Resolver a crise no país e corrigir cursos cabe única e exclusivamente ao povo venezuelano, em diálogo já convocado pelo governo entre aqueles que sinceramente buscam uma saída democrática.

Os governos de Hugo Chávez e, desde seu início, o do presidente Maduro, respaldado pelo povo e pelas forças patrióticas venezuelanas, têm enfrentado com valentia tais intentos. Tamanha resistência deixa clara também a continuidade da política de ingerência do imperialismo estadunidense, que não mede esforços para manter seu domínio sobre a América Latina, atropelando o direito internacional e tripudiando a democracia que diz defender.

Por isso, instamos ao reforço da mobilização internacional em apoio à luta do povo venezuelano em defesa da sua soberania e da democracia, da legitimidade só garantida pelo voto popular para conduzir os rumos do país, em diálogo franco e soberano com a oposição democrática, fazendo frente aos golpistas que contam com o patrocínio declarado do imperialismo estadunidense e das forças reacionárias da região.

Pelo fim da ofensiva imperialista e a intentona golpista!
Pela soberania e a paz na Venezuela!

Socorro Gomes,
Presidenta do Conselho Mundial da Paz
23 de janeiro de 2019