Estados Unidos incrementam apoio militar ao país-exército Israel

Israel e EUA assinaram nesta quarta-feira (14 de setembro de 2016) um acordo histórico. Não é inovador, mas é recordista: por 10 anos, os Estados Unidos enviarão a um projeto colonial assentado no genocídio dos palestinos e na ameaça constante a seus vizinhos US$ 38 bilhões (R$ 127 bilhões), apenas em “assistência militar”. E mais: o presidente estadunidense Barack Obama, que se despede do cargo, garante que o montante pode ser incrementado, “se necessário”.

Por Moara Crivelente*

Resultado dos bombardeios israelenses contra a Faixa de Gaza em 2014,
a devastação do território sitiado desde 2007 persiste.

Obama e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, não são chegados. Obama esforça-se por mostrar que é o melhor amigo de Israel, mas Netanyahu abusa. Impõe-se e expõe a diplomacia estadunidense em seus reais objetivos: deixar que a ocupação israelense da Palestina se enraíze, incólume – o que foi bem explicado na nota da Casa Branca durante a brutal ofensiva de Israel contra a Faixa de Gaza, em 2014.

O governo estadunidense por vezes repreende o israelense pela expansão acelerada das suas colônias na Palestina ou pelas verborragias racistas de Netanyahu – representando um papel há muito desgastado de “mediador” – mas também faz questão de assegurar, como tem feito sua candidata à Presidência, Hillary Clinton, que os EUA sempre estarão ao lado de Israel, custe o que custar.

A nova fatura é esta: US$ 38 bilhões, ou US$ 3,8 bilhões (R$ 12,7 bilhões) anuais, no mínimo, para os gastos militares de Israel.

Desde a década de 1970, os EUA já remetiam aos sucessivos governos sionistas, responsáveis por acumulados massacres de palestinos, libaneses e sírios, US$ 3 bilhões anuais. A soma foi fixada com o Acordo de Paz de Camp David, de 1978, entre Israel e o Egito – que também recebeu sua fatia, embora menor. Até 2015, os EUA já enviaram a Israel cerca de US$ 100 bilhões em “assistência militar” – mais do que a qualquer outro país. Já o novo pacote será remetido entre 2019 e 2028.

Mas, um exemplo do compromisso com o aumento da quantia fixada “se necessário”, mostrando o completo desprezo dos EUA pela vida palestina, foi a remessa “extra” de US$ 225 milhões (R$ 752 milhões) em 2014, durante a ofensiva israelense que matou mais de 2.200 palestinos em Gaza, para o sistema antimíssil “Cúpula de Ferro” – que foi construído em conjunto com os EUA.

Obama e Netanyahu, durante visita de Obama a Israel, em 2013.

Em julho daquele ano, o governo Obama também permitiu que Israel usasse munições estadunidenses armazenadas no país, já que os 51 dias de bombardeios, que incluíram algumas semanas de invasão terrestre, chegaram a esvaziar os armazéns israelenses. Parece que o negócio foi também uma questão técnica. De acordo com a Newsweek, Israel sequer invocou uma “emergência”, que seria a justificativa usual para acessar o estoque dos EUA, mas o pedido foi considerado porque os Estados Unidos precisavam renovar as granadas de 40mm e os morteiros de 120mm que guardavam em Israel, de qualquer forma.

Em 2015, o governo Obama anunciara que pressionaria o Congresso estadunidense por um acordo de US$ 30 bilhões para a próxima década, mas o empreendimento mostrou-se mais promissor. Além disso, o acordo assinado ainda permite que Israel requisite ajuda para o “desenvolvimento de sistemas de defesa contra túneis e cibernéticos”.

A relação, sabe-se bem, não é altruísta. Israel também tem um papel estratégico na projeção dos Estados Unidos no Oriente Médio e, por isso, a potência imperialista investe tanto na manutenção de um país-exército na região.

Susan Rice, conselheira da Segurança Nacional, disse que fica afirmado “o laço inquebrantável” entre os EUA e Israel. Ela reforçou: desde 2009 – quando Israel concluiu outra das suas ofensivas contra Gaza, que matou mais de 1.500 palestinos – “os EUA deram quase US$ 24 bilhões em assistência militar a Israel”. Susan disse que a equipe de Obama está “orgulhosa porque nenhum outro governo fez tanto para melhorar a segurança de Israel”.

Segurança é a palavra-chave trancando qualquer prospecto de avanço na diplomacia entre Israel e Palestina para o fim da ocupação israelense. É assim que a liderança sionista e seus cúmplices estadunidenses têm justificado o controle militar das terras e das vidas dos palestinos. Mas este é um artigo de luxo que os EUA compram apenas para Israel. O custo real disso, claro, é a segurança dos palestinos e a sua autodeterminação, prometida há quase sete décadas.

*Moara Crivelente é doutoranda em Política Internacional e Resolução de Conflitos e membro do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), assessorando a Presidência do Conselho Mundial da Paz.

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