A razão palestina ao rejeitar a mediação dos Estados Unidos

A ocupação israelense da Palestina está cada vez mais isolada política e diplomaticamente. Evidencia-se que o imperialismo estadunidense não passa de um aliado da potência ocupante, racista, colonizadora e criminosa que é Israel. Cabe ao movimento internacional de solidariedade ao povo palestino reforçar a luta pela sua libertação, afastando os EUA definitivamente do papel de mediador. É a posição defendida também pela Organização para a Libertação da Palestina (OLP), em declaração emitida na segunda-feira (15).

Por Socorro Gomes*

O premiê israelense Benjamin Netanyahu e seu aliado, o presidente dos EUA, Donald Trump.

Desde que proclamou Jerusalém a capital de Israel, na contramão da opinião majoritária nas Nações Unidas e das posições de um amplo movimento pela paz e a solidariedade internacional sobre a situação da Palestina ocupada e, antes, quando seu governo ordenou o encerramento do escritório da OLP em Washington, o presidente Donald Trump provocou uma situação que leva à intensificação dos confrontos.  

Para a liderança palestina e os povos do mundo, foi a prova cabal de que não se pode contar com a mediação estadunidense, porquanto os interesses dessa potência imperialista coincidem com o aprofundamento da colonização sionista e racista, do regime de apartheid e da política genocida promovida pela liderança israelense.

A opinião da liderança palestina se expressou na declaração do Conselho Central da OLP reunido em Ramallah em 14 e 15 de janeiro. Ficou também patente no discurso, na mesma ocasião, do presidente palestino Mahmoud Abbas. As autoridades e o povo palestino põem em xeque o chamado processo de paz que, mediado principalmente pelos EUA, há mais de 20 anos é sistematicamente violado. Todas as promessas contidas nos acordos foram ignoradas e desrespeitadas por Israel.

O povo palestino não pode mais esperar enquanto assiste à ocupação estabelecer-se como situação permanente, enfrentando o encarceramento arbitrário e massivo, o massacre, o espólio dos seus recursos, a expulsão e o genocídio.

O Conselho Mundial da Paz tem reforçado sua atuação nesta importante frente de luta da humanidade, correspondendo ao compromisso que cabe a todos os povos amantes da paz com o fim da catástrofe imposta ao povo palestino.

trump-israelReforçando a exigência de respeito ao direito do povo palestino à autodeterminação e ao fim da ocupação israelense, com o estabelecimento do seu Estado livre e independente, a libertação de todos os prisioneiros políticos e o retorno dos refugiados obrigados a essa condição há sete décadas, temos também afirmado o direito inalienável do povo palestino à resistência.

O presidente Trump, por sua vez, tem imposto ao mundo a ignomínia de uma política externa chauvinista, xenófoba, racista e beligerante, causando a reação global com frases como a proferida na semana passada, em que classificou com termos chulos algumas das bravas nações africanas e o Haiti, todas submetidas pelas potências coloniais e imperialistas a horrendo martírio e exploração.

A política estadunidense, em especial no caso da Palestina, foi sempre a de apoio incondicional aos criminosos de guerra à frente do governo israelense, aliados incondicionais dos planos do imperialismo para o mundo e para o Oriente Médio em particular. No cume dessa escalada, Trump decidiu golpear os interesses mais sagrados do povo palestino, que já enfrenta as consequências de cinco décadas de ocupação militar e sete décadas desde a catástrofe que, a partir da ocupação, se tornou cotidiana. Assim, o imperialismo estadunidense fica completamente impossibilitado de manter a farsa da mediação.

Por isso, cabe ao movimento internacional de solidariedade ao povo palestino apoiar o avanço da sua luta e a exigência por uma solução imediata e definitiva que garanta sua libertação. O imperialismo estadunidense tem sido garantidor desta situação insustentável, uma vergonha para a humanidade.

O povo palestino reafirma sua disposição ao diálogo, mas também a sua resolução soberana e legítima de não mais se submeter aos desmandos de um falso processo de paz continuamente redesenhado para mantê-lo subjugado. O heróico povo palestino não pode mais esperar. A solução da questão palestina, com a independência de seu povo e a conquista do seu Estado nacional, é indispensável para assegurar a paz mundial.

*Socorro Gomes é presidenta do Conselho Mundial da Paz