CEBRAPAZ envia contributo à Reunião da Região América do Conselho Mundial da Paz

As entidades da Região América do Conselho Mundial da Paz (CMP) encontram-se no México, entre 18 e 21 de setembro. O Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (CEBRAPAZ), membro do Secretariado do CMP, não pôde comparecer, mas enviou o seu contributo. O anfitrião é o Movimento Mexicano pela Paz e o Desenvolvimento (MOMPADE) e o encontro é convocado pela coordenação regional do CMP, liderada por Fernando González Llort, presidente do Instituto Cubano para a Amizade com os Povos (ICAP). Leia a seguir o contributo do CEBRAPAZ, assim como uma síntese das atividades da entidade. Os resultados da reunião, inclusive planos de ação e resoluções, serão divulgados em breve.

Reunião da Região América do Conselho Mundial da Paz
Cidade do México, 18 a 21 de setembro de 2023

Contributo do CEBRAPAZ

Queridos camaradas do Mompade – Movimento Mexicano pela Paz
Queridos camaradas do Icap – Instituto Cubano de Amizade com os Povos
Querido camarada Iraklis Tsavdaridis, Secretário Executivo do Conselho Mundial da Paz
Queridos camaradas participantes da Reunião Regional Américas do Conselho Mundial da Paz

Ausentes desta importante reunião regional do Conselho Mundial da Paz nas Américas, por motivos alheios à nossa vontade, enviamos desde o Brasil nossas entusiásticas saudações, certos de que deste encontro emanarão importantes resoluções que hão de impulsionar as nossas lutas pela paz, os direitos dos nossos povos e a soberania de nossas nações. Reafirmamos nosso compromisso com o fortalecimento do Conselho Mundial da Paz e de suas organizações constitutivas nas Américas e em todas as regiões do mundo. As nossas lutas nas Américas não estão dissociadas dos graves problemas geopolíticos que marcam os acontecimentos internacionais.

O imperialismo estadunidense e seus aliados na Otan e União Europeia ameaçam de diferentes formas a segurança internacional, a paz mundial, os direitos e a soberania dos povos. O mais eloquente exemplo disto é sua maciça participação, com armas e assistência de todo tipo ao regime ucraniano, com o objetivo de impor uma derrota política e militar à Federação Russa, faz parte dos planos estratégicos da superpotência estadunidense fragilizar, fragmentar e destruir o país euroasiático, como já foi anunciado em diferentes ocasiões pela Casa Branca, o Pentágono e o Departamento de Estado. De igual maneira, os Estados Unidos têm como objetivo central a contenção da República Popular da China, país contra o qual realiza uma tentativa de cerco econômico e militar. São exemplos disto a incitação ao separatismo em Taiwan, as incursões de navios de guerra no Estreito de Taiwan e no Mar Meridional da China, além da militarização da região da Ásia-Pacífico.

O imperialismo estadunidense reage assim à nova realidade do mundo multipolar, que se expressa no processo histórico de seu declínio, na emergência de novos atores relevantes no palco internacional, na ascensão da China, na revitalização da Rússia, no surgimento de novos mecanismos de ação multilateral com impacto econômico e político, destacadamente o Brics, e na ação em prol do desenvolvimento independente dos países emergentes. Igualmente, as lutas dos povos por democracia, direitos sociais, soberania nacional e paz, nas formas mais diversificadas na vastidão do planeta, fazem parte do novo cenário mundial.

Na nossa região, principalmente na América Latina e Caribe, são cada vez mais intensos os movimentos que envolvem governos progressistas, instituições parlamentares, organizações sociais e partidos políticos que se opõem ao hegemonismo do imperialismo estadunidense e seus intentos de manter laços de dominação sobre nossas nações. Esses movimentos reiteram diuturnamente com suas ações a luta pelos objetivos comuns de nossos povos – a defesa e fortalecimento da soberania e independência dos países da região, a integração regional soberana em prol do desenvolvimento econômico e social.

Fazem parte deste processo as vitórias eleitorais em vários países da região, a permanência e resiliência dos processos revolucionários na Venezuela e na Nicarágua e as vitórias da Revolução cubana, com o aperfeiçoamento e atualização do modelo econômico para fortalecer o socialismo.
A conjuntura política na América Latina e no Caribe reflete o desenvolvimento da luta anti-imperialista nas novas circunstâncias. Por diferentes caminhos os nossos povos se empenham pelo resgate da soberania e independência na luta contra as políticas neoliberais e a desigualdade econômica. A vitória de governos progressistas em vários países da América Latina é uma resposta popular a essas políticas que favorecem o capital financeiro transnacional em detrimento da maioria da população. A integração regional é uma estratégia crucial para enfrentar as ameaças imperialistas, resistir a pressões externas e à ingerência nos assuntos internos dos países da região. A luta anti-imperialista e a solidariedade entre os países da região desempenham um papel central neste contexto, enquanto se busca construir uma região da América Latina e Caribe mais justa e independente.

No momento histórico que vivemos observa-se um salto qualitativo na consciência dos nossos povos e no labor político de diferentes correntes políticas progressistas na compreensão dos prejuízos que os nossos povos sofreram devido ao domínio estadunidense, as ações espoliadoras desse imperialismo e dos governos neoliberais e os golpes, intervenções e agressões perpetrados.
Hoje é incontornável a busca pela autodeterminação, a concertação de alianças, a construção de mecanismos de integração, a busca por alternativas ao neoliberalismo, adotando políticas independentes e voltadas para a luta pelo bem-estar social. A integração regional tem sido uma resposta na busca por maior autonomia e força nas relações com as potências comerciais e financeiras do mundo. Organizações como o Mercosul, a Unasul e a Celac podem e devem desempenhar um papel pró-ativo em função desses objetivos e do fortalecimento da independência das nossas nações.

A realização da 7ª reunião de Cúpula da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos), em Buenos Aires, Argentina, em janeiro deste ano, foi um acontecimento de projeção internacional. Foi neste evento que o Brasil, sob a liderança de Lula, retornou ao palco internacional e se reintegrou ao mecanismo do qual o governo de extrema-direita de Jair Bolsonaro o afastou. O encontro fez parte da retomada dos processos de integração latino-americana e caribenha e da emergência do mundo multipolar. O espírito desta cúpula traduziu-se em cinco conceitos: integração, soberania, paz, democracia e multipolaridade.

A Celac se fortaleceu como mecanismo indispensável por transformações de fundo no sistema internacional. A Celac representa uma vertente do anti-imperialismo, do anti-hegemonismo, com o protagonismo de seus povos, nações independentes, governos revolucionários e progressistas.
É neste quadro de emergência do mundo multipolar e de afirmação dos sentimentos favoráveis à soberania e à integração dos países latino-americanos e caribenhos que o Brasil voltou a ser governado por forças progressistas, depois do triunfo eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva, o líder popular que pela terceira vez exerce a Presidência da República no Brasil. Foi uma vitória da consciência democrática do povo brasileiro, que rechaçou o governo de extrema direita liderado por Jair Bolsonaro, um governo que vilipendiou os direitos sociais, as liberdades políticas, os direitos humanos, violou as leis, prevaricou, praticou corrupção, praticou genocídio durante a pandemia de covid-19 e desmoralizou o país no concerto internacional. Sob aquele governo, o Brasil faliu como ator importante na geopolítica regional e mundial, assinalando um enorme retrocesso em nossa história, porquanto um dos grandes saltos que o país tinha dado no período dos governos democráticos de Lula e Dilma foi a inserção soberana no mundo globalizado, desempenhando o papel de polo aglutinador de forças da autodeterminação nacional, do desenvolvimento compartilhado e da paz.

A eleição de Lula abre um novo ciclo político. O povo brasileiro agora se sente fortalecido, reúne melhores condições de se unir e mobilizar para abrir caminho à construção de um país democrático, soberano e socialmente justo. O Brasil está voltado agora para a obra da reconstrução nacional, a restauração da democracia e a realização das políticas públicas necessárias à promoção dos direitos sociais. O presidente Lula, em seu terceiro mandato, tem o desafio de forjar o apoio de uma expressiva maioria política e social no país, a fim de consolidar a democracia e avançar na implementação do projeto vitorioso nas urnas pela “Reconstrução e Transformação do Brasil”.

Já são sensíveis os progressos alcançados no exercício de uma política externa altiva e soberana, que prioriza a autodeterminação, a inserção soberana do Brasil no mundo e nas instâncias multilaterais. O Brasil volta a dar contribuição de peso à construção da multipolaridade, rechaçando as políticas hegemonistas. Isto tem ficado evidente com a atuação no âmbito do Brics, no G20, no enfrentamento do “neocolonialismo verde”, na luta por uma nova arquitetura financeira mundial, nas negociações entre o bloco imperialista europeu e o Mercosul, no âmbito dos mecanismos de integração da região latino-americana e caribenha, na solidariedade reafirmada com Cuba e a Venezuela.

Também no que se refere ao conflito na Ucrânia, destaca-se a recusa do Brasil a se alinhar com a posição imperialista e belicista dos Estados Unidos e da Otan. Consideramos positiva a posição adotada por Lula de defesa da paz e de negociações que conduzam de imediato a um cessar-fogo e, em perspectiva, a um acordo de paz.

Nesta ocasião em que se realiza a reunião regional das Américas do Conselho Mundial da Paz, saudamos os povos dos países irmãos latino-americanos e as vitórias eleitorais das forças progressistas na Colômbia, Guatemala e Chile. Desejamos êxito às forças progressistas nos próximos embates eleitorais no Equador e na Argentina, para conjurar o perigo de conquista do poder pela direita e extrema direita nesses países. Saudamos o avanço das negociações pela paz entre o governo colombiano e a guerrilha do ELN. Expressamos nossa solidariedade ao povo irmão do Peru, vítima de um golpe de Estado e da violência política do governo usurpador. Nossa solidariedade com a Nicarágua Sandinista, alvo de sanções e de ameaças de intervenção por parte do imperialismo estadunidense. Expressamos nossa total solidariedade com o povo venezuelano e sua Revolução Bolivariana, no momento em que se avizinham as eleições presidenciais do próximo ano. Rechaçamos as provocações do imperialismo e da direita regional que insufla os conflitos políticos e alimenta com todo tipo de ajuda candidaturas de figuras condenadas por terem cometido crimes de traição nacional. Desejamos total êxito ao povo mexicano, que vive um ciclo político democrático cuja continuidade favorece o conjunto das forças progressistas latino-americanas e caribenhas.
Estamos às vésperas de mais uma Assembleia Geral das Nações Unidas, quando mais uma vez a esmagadora maioria dos países membros se pronunciarão contra o cruel bloqueio econômico imposto pelo imperialismo estadunidense a Cuba socialista. Como movimento pela paz e a solidariedade com os povos ameaçados e agredidos pelo imperialismo, o Cebrapaz reitera sua total solidariedade ao povo cubano na luta contra o bloqueio e pela conquista de novas e maiores vitórias no esforço coletivo pelo aperfeiçoamento do modelo econômico e social socialista, pelo progresso econômico e o desenvolvimento nacional.

Desejamos pleno êxito à reunião das Américas do Conselho Mundial da Paz e nos somamos ao esforço coletivo pela execução de suas resoluções.

Viva a Paz e a Solidariedade entre os Povos!
Viva o Conselho Mundial da Paz!
O Cebrapaz – Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz
São Paulo, Brasil, 19 de setembro de 2023


Atividades do CEBRAPAZ – 2022 / 2023