No 4º aniversário do massacre na Ucrânia, organizações denunciam apoio dos EUA e União Europeia a forças fascistas

Em 02 de maio de 2014, ao menos 43 pessoas foram mortas em um ataque contra uma sede sindical em Odessa, na Ucrânia, no contexto da crescente violência fascista que tomou conta do país. Uma crise alimentada pelos EUA e pela União Europeia havia derrubado o governo de Viktor Yanukovych em 2013. O apoio incondicional manifesto a forças nazi-fascistas, com um discurso russofóbico e uma subsequente ofensiva militar contra o leste do país, foi amplamente denunciado por organizações de paz, partidos progressistas e movimentos sociais.

A protester walks past a burning pro-Russia tent camp near the trade union building in Odessa
Acampamento em Odessa é incendiado por neofascistas em 2014. Yevgeny Volokin/Reuters

Até 2017, as investigações sobre o incêndio que matou dezenas de pessoas na Casa Sindical em Odessa arrastavam-se, mas segundo o especialista ucraniano, Sergey Iskruk, que participou do esforço e foi citado pela Donetsk News Agency, um agente químico foi usado no ataque.

De acordo com Iskruk, clorofórmio, que se transforma em fosgênio quando exposto à luz ou ao fogo, havia sido encontrado nas análises de sangue das vítimas. O especialista, que afirma acreditar que o ataque foi cuidadosamente calculado, diz que deixou a Ucrânia devido às pressões que recebeu do governo (instalado com aval estadunidense e europeu) para rever suas conclusões.

Militantes do Setor de Direita, neofascista, e os da Autodetefesa de Maidan, queimaram um acampamento na praça Kulikovo Pole, onde assinaturas estavam sendo coletadas em prol do referendo pela proposta de uma Ucrânia federal e de concessão do status oficial à língua russa, segundo a Donetsk News Agency. Os promotores da proposta buscaram refúgio na Casa Sindical, mas os atacantes cercaram o local e atearam fogo.


Breve documentário do Centro para a Pesquisa sobre a Globalização expõe o fascismo.
No início, o protesto é guiado por slogans como “Enforquem os comunistas! Viva
a nossa nação! Morte aos inimigos!” 

Parte significativa da população na região tem ascendência russa e buscava este reconhecimento. Entretanto, a mídia hegemônica reproduzia a versão do novo governo ucraniano e seus aliados europeus e estadunidenses de que se tratava de “militantes pró-Rússia contra militantes pró-Kiev”, ignorando o caráter fascista das manifestações e a ofensiva do novo governo contra o leste do país.

 

Na República Tcheca, o Movimento Tcheco da Paz e outras organizações anti-fascistas marcaram o 4º aniversário do incêndio, homenageando suas mais de 40 vítimas fatais, denunciando as forças fascistas por trás do massacre.

O ato em Praga contou com a participação de representantes tchecos, ucranianos e russos que rechaçaram a guerra e o fascismo. Milan Krajca, presidente do Movimento Tcheco da Paz, membro do Conselho Mundial da Paz, disse que o massacre em Odessa e outros eventos na Ucrânia mostram que, mesmo nos 73 anos após a vitória dos povos, com o fim da Segunda Guerra Mundial, “o fascismo ainda está vivo e, por isso, as forças anti-fascistas ainda devem confrontá-lo, lutando para derrotá-lo.”

Cebrapaz