Conselho Mundial da Paz e Federação Mundial da Juventude Democrática visitam a Venezuela; leia a resolução conjunta

O Conselho Mundial da Paz (CMP) e a Federação Mundial da Juventude Democrática (FMJD) realizaram uma visita conjunta de solidariedade à Venezuela entre os dias 12 e 14 de abril. Ambas as organizações, de longa trajetória anti-imperialista, reuniram-se com entidades populares e partidos venezuelanos e visitaram importantes locais e monumentos, além de se reunirem com o presidente da República Bolivariana, Nicolás Maduro. Leia ao final da matéria a tradução da resolução conjunta adotada pelo CMP e a FMJD.

Da 2ª Missão de Solidariedade Internacional à Venezuela participaram 87 delegados de 67 organizações provenientes de 45 países. Liderando a delegação do CMP esteve a sua presidenta Socorro Gomes, e a da FMJD, seu presidente Iakovos Tofari. O Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz) participou, representado pela vice-presidenta Jussara Cony.

As atividades iniciaram-se com uma oferenda de flores ao monumento do libertador nacional Simón Bolívar, seguida de uma visita à Casa Amarilla, um espaço histórico-cultural. Os delegados das entidades membros do CMP e da FMJD visitaram ainda a Academia Militar do Exército Bolivariano de Fuerte Tiuna, a Base de Misiones Hugo Chávez e o Quartel de la Montaña.

Na programação, os delegados participaram do Ato de Solidariedade dos Povos do Mundo ao Povo da Venezuela, que se dividiu em duas partes: um encontro das direções do CMP e da FMJD com o presidente Maduro e um Ato Popular, também com Maduro. No segundo momento puderam intervir os representantes das organizações e a Federação de Solidariedade e Apoio à Revolução Bolivariana.

A presidenta do CMP Socorro Gomes fez contundente afirmação do apoio à luta do povo venezuelano em defesa da sua soberania nacional e popular diante de uma assembleia com participantes em número que extrapolava a capacidade do local. No evento, teve destaque a participação popular, com intensas ações das mulheres e da juventude, demonstrando o significado da luta e da unidade do povo venezuelano e dos povos do mundo em apoio ao governo e à Revolução Bolivariana.

O presidente Maduro também falou, afirmando a firmeza das suas convicções e da unidade concreta com seu povo e as forças revolucionárias do mundo presentes, repudiando as ameaças de Bolsonaro de enviar tropas brasileiras em aliança com o imperialismo estadunidense. Fez contundente defesa de sua pátria, de seu governo legitimamente eleito e de seu povo revolucionário, afirmando considerar o Brasil um país irmão, mas advertindo o atual presidente e as Forças Armadas brasileiras a não se atreverem a ocupar militarmente sequer um milímetro do território da Venezuela. Também destacou, em vigoroso pronunciamento, seu apoio à libertação de Lula, um preso político, enfatizando o significado da sua libertação para a luta no Brasil, na América Latina e no mundo.


Membros do CMP observam a entrega de alimentos pelo governo bolivariano

Maduro referiu-se ao importante ato que ocorria naquele momento na Venezuela, inclusive com a apresentação de um vídeo, direto de um local da entrega pelo Ministério correspondente, de 2,6 milhões de habitações a famílias venezuelanas, num Projeto de Moradias que chegará, até ao final do ano de 2019, a três milhões de residências. Membros do CMP também acompanharam a entrega de alimentos pelo governo a comunidades, como mostra a reportagem da TeleSur, acima.

A programação incluiu ainda o ato político de comemoração dos 70 anos do Conselho Mundial da Paz, cumpridos em 21 de abril. No evento destacou-se a amplitude das ações do CMP e seu compromisso com a unidade, onde luta houver, por independência e pela soberania dos povos. Também se reconheceu, na atual etapa, a formação, dedicação e unidade de seus representantes de todos os continentes, comprometidos com a essência da luta dos povos por libertação. A presidenta Socorro Gomes recebeu uma comenda em nome de seus pares pelo compromisso incansável e ação firme na promoção da unidade e da amplitude na resistência anti-imperialista.

Além disso, os delegados reuniram-se com a Comissão Política do Partido Comunista da Venezuela e também se realizou um Ato de Solidariedade dos Povos do Mundo, dos Movimentos Sociais, do CMP e da FMJD com a República Bolivariana da Venezuela, seu povo e seu governo. O ato culminou com as intervenções políticas do CMP, da FMJD e das delegações de países de cinco continentes em apoio à unidade, à amplitude e à dedicação na luta do povo da Venezuela em seus espaços de participação popular e movimentos sociais, ao Governo e às Forças Armadas Revolucionárias — elementos que constituem o processo da construção da Republica Bolivariana da Venezuela em caminho da garantia de um Projeto Nacional de Desenvolvimento Político, Econômico, Social, com Democracia, Soberania e Independência Nacional.

“O ato revelou a compreensão de outros povos também em luta do significado da vitória da Venezuela para dinamizar esse andar coletivo da humanidade, no enfrentamento dos dominadores – o imperialismo estadunidense e seus aliados — por um mundo de igualdade, desenvolvimento e paz”, disse a vice-presidenta do Cebrapaz, Jussara Cony, cujo relato subsidia esta matéria.

Resolução de solidariedade com a Venezuela

Caracas, 13 de abril de 2019

Como parte de uma de uma iniciativa da Federação Mundial da Juventude Democrática e do Conselho Mundial da Paz, expressa na participação de 87 delegados internacionais de 67 organizações representativas de 45 países, se realizou em Caracas, Venezuela, a Segunda Missão Internacional de Solidariedade da FMJD e do CMP ao povo venezuelano. 

As organizações e forças progressistas, anti-imperialistas e de paz aqui reunidas saudamos a valente resistência do povo venezuelano na defesa de sua soberania, independência e autodeterminação, que hoje se encontram ameaçadas como consequência das permanentes agressões e ingerências nos assuntos internos do país. 

As ações intervencionistas no âmbito político, econômico e diplomático, e inclusive militar, postas em marcha pelos EUA e a União Europeia, são um esforço coordenado para tomar o controle dos recursos estratégicos desta nação, especialmente a principal reserva de petróleo do mundo, que hoje representa um objetivo claro na estratégia de recomposição da dominação imperialista sobre o continente. 

Rechaçamos de forma categórica a exponencialmente crescente ameaça à paz da Venezuela e da América Latina, através das recorrentes declarações por parte do governo dos Estados Unidos, ao assinalar que no caso da Venezuela, todas as ações estão sobre a mesa, inclusive a opção militar. Denunciamos os EUA como o principal promotor das guerras no mundo e como a principal força imperialista que, junto a seus aliados da OTAN, hoje pretendem afundar a Venezuela em uma guerra imperialista que resultará no sofrimento do povo.

Expressamos nosso rechaço às distintas manobras postas em marcha na região, sob o auspício dos Estados Unidos e da União Europeia, empregando instrumentos como a OEA e o autodenominado Grupo de Lima, com o fim de legitimar seus planos ingerencistas e desestabilizadores na Venezuela. 

Condenamos as medidas coercitivas unilaterais aplicadas contra a Venezuela, que se constituem como ações violadoras do direito internacional, que têm como principal objetivo debilitar e asfixiar a economia do país e, com isso, criar condições favoráveis para fortalecer o falso argumento de uma crise humanitária que possibilite a entrada de forças militares estrangeiras. 

As organizações da juventude, das forças da paz e da solidariedade expressamos nosso reconhecimento à luta do povo da Venezuela, saudamos sua resistência e ratificamos nosso compromisso de nos manter firmes, defendendo a paz e rechaçando a guerra na Venezuela. 

Reiteramos que continuaremos marchando unidos por um mundo de paz, solidariedade e justiça social.