Na Sérvia, conferência internacional reforça luta contra a guerra e por uma ordem mundial justa; leia os documentos

Entidades diversas e personalidades políticas, jornalistas, e associações de veteranos e vítimas reuniram-se em Belgrado, Sérvia, de 22 a 24 de março, para uma Conferência Internacional por ocasião dos 25 anos do ataque da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) à ex-República Federal da Iugoslávia. Como em edições anteriores, o evento contou com o respaldo e a participação de membros do Conselho Mundial da Paz (CMP), inclusive o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (CEBRAPAZ), representado pela diretora Moara Crivelente. 

Conferência “Da Agressão a uma Nova Ordem Justa”, realizada em Belgrado, capital da Sérvia, entre os dias 22 e 24 de março de 2024

Sob o tema “Da Agressão a uma Nova Ordem Justa”, o evento foi inaugurado por autoridades sérvias e o presidente do Fórum de Belgrado por um Mundo de Iguais, membro do CMP, Zivadin Jovanovic. A conferência teve dois paineis realizados ao longo de dois dias com as contribuições de delegados de diversos países, como África do Sul, Alemanha, Brasil, Canadá, China, Chipre, Cuba, Estados Unidos, Grã Bretanha, Grécia, Índia, Irã, Líbano, Palestina, Portugal, Rússia, Suécia, entre outros, inclusive membros do CMP e o próprio presidente Pallab Sengupta. A participação do CEBRAPAZ, intitulada, “Belicismo da OTAN atinge o Sul Global e pode causar a catástrofe mundial”, pode ser lida ao fim da matéria. 

Além disso, foram adotadas uma “Declaração de Belgrado” com os principais pontos levantados nos paineis sobre a situação mundial e uma declaração de repúdio ao ataque perpetrado em Moscou enquanto os participantes estavam reunidos. Os textos podem ser lidos adiante.

Algumas ideias principais foram destacadas pelos relatores dos dois paineis, a começar pela constatação de todos os participantes de que a agressão da OTAN trouxe consequências devastadoras aos povos da RFI e abriu portas para uma era de intervencionismo e mais guerras. A OTAN, classificada de “máquina de guerra, imperialista e gananciosa”, provocou a guerra e, embora a RFI estivesse debilitada pelo cerco, as sanções e a instabilidade, em situação de desvantagem de forças militares, os seus povos resistiram e as potências recorreram a falsos pretextos para iniciar a agressão, usando armas como o urânio empobrecido para levá-la a cabo. Só assim conseguiram atacar e desmembrar a RFI, apontaram os relatores. Ao mesmo tempo, os sérvios receberam apoio para enfrentar os legados da agressão e vários participantes a classificaram como terrorista por natureza.

Também se condenou a subordinação da UE à OTAN, mais evidente hoje, e o papel da mídia na guerra de então e também hoje, quando muitos jornalistas se tornaram “mercenários”. Classificando a OTAN como uma “relíquia da Guerra Fria”, os participantes apontaram para a sua incompatibilidade com a construção de uma ordem mundial mais justa e demandaram a sua dissolução. Todos consideraram estes grandes desafios, mas reforçaram que estão comprometidos com a construção da paz, pela qual todos devemos trabalhar em solidariedade e cooperação. 

Leia a seguir a contribuição de Moara Crivelente, pelo CEBRAPAZ, e a Declaração de Belgrado, ao fim. 

A conferência foi organizada pelo Fórum de Belgrado por um Mundo de Iguais, em cooperação com a Associação dos Generais e Almirantes Sérvios, a União das Associações de Veteranos das Guerras de Libertação Nacional da Sérvia (SUBNOR), o Conselho da Diáspora Sérvia e a Associação dos Anfitriões Sérvios. 

Contribuição do CEBRAPAZ: Belicismo da OTAN atinge o Sul Global e pode causar a catástrofe mundial

DECLARAÇÃO DE BELGRADO