NOTA | 70 Anos da Conferência de Bandung – Viva o Sul Global, Abaixo o Imperialismo!

No mês de abril de 1955, na cidade de Bandung, na Indonésia, reuniram-se 29 países recém-libertados e em vias de libertação do colonialismo, provenientes da Ásia e da África, para afirmar ao mundo a dignidade e a soberania dos povos do Sul. Era o nascimento simbólico do que mais tarde se chamaria Terceiro Mundo — não como espaço da carência, mas como expressão da resistência, da esperança e da luta por um mundo justo.

Setenta anos depois, o Cebrapaz celebra essa data como marco fundamental da história da humanidade. Bandung foi mais do que uma conferência: foi o grito coletivo dos povos oprimidos exigindo seu lugar no concerto das nações, sua autodeterminação política, seu direito ao desenvolvimento e, sobretudo, a paz mundial com justiça social.

A Conferência de Bandung lançou as bases do que se tornaria o Movimento dos Países Não Alinhados. Sob a liderança de figuras como Jawaharlal Nehru (Índia), Gamal Abdel Nasser (Egito), Sukarno (Indonésia), Zhou Enlai (China), Kwame Nkrumah (Gana), entre outros, os países participantes reafirmaram princípios essenciais que continuam atuais: o respeito à soberania nacional, o repúdio à ingerência estrangeira, a igualdade entre as nações, a cooperação pacífica e a solidariedade internacional.

Hoje, em pleno século XXI, vemos esses princípios ganharem novo fôlego com a emergência do que se convencionou chamar de Sul Global — um conjunto de países da América Latina, África, Ásia , Eurásia e Caribe que se erguem em defesa de um novo equilíbrio internacional. O Sul Global avança com rapidez, consolidando-se como alternativa concreta à ordem vigente. Detém a maior população, vastos recursos naturais e crescente dinamismo econômico. Sua força produtiva impulsiona o desenvolvimento independente. Economias emergentes ganham protagonismo. A multipolaridade deixa de ser uma perspectiva e já se tornou realidade.

Não aceitamos mais um mundo dominado por uma minoria de potências que impõem guerras, sanções, bloqueios e miséria aos demais povos. Rejeitamos a hegemonia dos Estados Unidos, da OTAN e do G7, que para manter seus privilégios e impor sua hegemonia, destroem nações, saqueiam riquezas e sufocam a soberania alheia.

Em contrapartida, afirmamos o papel construtivo de blocos como os BRICS, a CELAC, a União Africana e a ASEAN, que resgatam o espírito de Bandung ao promover o multilateralismo, a cooperação solidária, o respeito mútuo e a busca por uma nova ordem econômica e política internacional. Essa nova ordem deve garantir o controle dos recursos naturais por seus próprios povos, a democratização das instituições multilaterais, a superação das dívidas ilegítimas e o fim das sanções que punem países soberanos.

A luta contra o imperialismo é, acima de tudo, uma luta pela paz. Porque onde há dominação, há guerra. Onde há exploração, há resistência. Onde há opressão, haverá sempre a chama acesa da liberdade.

Por isso, nós, do Cebrapaz, afirmamos:

Viva a Conferência de Bandung! Viva o despertar dos povos do Sul Global! Viva a solidariedade internacional!

Abaixo o imperialismo e suas guerras! Abaixo a exploração e o neocolonialismo!

Pela soberania, a autodeterminação, a paz e a justiça social!

Setenta anos depois, Bandung vive. E com ela vive a esperança de um mundo novo — um mundo multipolar, solidário, democrático e pacífico. Que cada povo possa caminhar com a cabeça erguida, sem tutelas nem ameaças, construindo seu próprio destino.

24 de abril de 2025,

A Direção Nacional do Cebrapaz