Nos dias 16 e 17 de junho de 2025, realizou-se na cidade brasileira de Salvador da Bahia a Reunião Regional para as Américas e o Caribe do Conselho Mundial da Paz, com a participação de representantes e convidados das organizações da região.
Contamos com a presença de autoridades e representantes de organizações políticas do Brasil e do governo do estado da Bahia.
O encontro foi presidido por Victor F. Gaute López, vice-presidente do Instituto Cubano de Amizade com os Povos, na qualidade de Coordenador Regional para as Américas e o Caribe; pelo Secretário Executivo do Conselho Mundial da Paz, Iraklis Tsavdaridis; por José Reinaldo Carvalho, presidente nacional do Cebrapaz; e por Socorro Gomes, dirigente nacional do Cebrapaz, na condição de anfitriões.
O tema central do encontro foi as ações estratégicas para enfrentar o complexo cenário regional, fundamentalmente a defesa da Proclamação da América Latina e do Caribe como Zona de Paz.
Além disso, a partir do informe regional e dos relatórios de cada organização, foi analisado o cenário contemporâneo americano: a profunda crise multidimensional vivida por nossos povos com o aumento das desigualdades socioeconômicas, a contraofensiva das oligarquias e da direita, o avanço da repressão e das tendências neofascistas, bem como a projeção agressiva da atual administração estadunidense sobre nossos povos e sua expansão militarista imperial, junto à OTAN na região.
Diante dessa situação, também foram analisadas as principais ameaças que enfrentamos e que requerem a atuação imediata por parte dos membros da nossa organização.
Para isso, chegamos aos seguintes acordos, aprovados de forma unânime:
- Denunciar as políticas agressivas e intervencionistas do atual Governo dos Estados Unidos e de seus aliados da OTAN, que visam dominar o mundo com o apoio da extensa rede de mais de 800 bases, instalações e enclaves militares existentes, assim como o perigo representado pela incorporação de novos membros a essa organização belicista.
- Continuar exigindo a devolução do território ilegalmente ocupado pela Base Naval dos Estados Unidos em Guantánamo, contra a vontade do povo e do Estado cubanos, assim como continuar denunciando a permanência de seu centro de detenção no qual se cometem sistematicamente violações contra os direitos humanos e crimes de lesa-humanidade.
- Condenamos energicamente as declarações do presidente estadunidense Donald Trump, que reafirmou a doutrina imperial Monroe com suas pretensões coloniais sobre territórios soberanos como Groenlândia, Panamá ou a renomeação do Golfo do México. Da mesma forma, denunciamos sua política migratória xenófoba e fascista, que cometeu graves violações dos direitos humanos e da dignidade dos migrantes.
- Continuar realizando ações massivas em 21 de setembro, Dia Internacional da Paz, coordenadas com outras organizações defensoras da paz da região.
- Promover a unidade em defesa de uma paz digna, da soberania e da autodeterminação dos povos junto a outras organizações de paz da região.
- Consideramos fundamental, para alcançar uma paz sustentável, promover a preservação e a relação harmônica com o Meio Ambiente. Isso supõe a transformação dos padrões de consumo e produção promovidos pelo atual modelo socioeconômico capitalista.
- Concretizar o apoio à convocatória do Movimento Caribenho pela Paz e a Integração para celebrar em Barbados o dia 6 de outubro, Dia Internacional contra o Terrorismo adotado pelo CARICOM. Nesse sentido, devemos fortalecer a luta contra o terrorismo em todas as suas formas e continuar denunciando o vínculo dessa praga com o imperialismo estadunidense. Exigimos que Cuba seja retirada de forma imediata da lista arbitrária e espúria de países que supostamente patrocinam o terrorismo.
- A situação na Palestina fere a consciência daqueles que amam e defendem a paz. Poucos precedentes se comparam ao nível de destruição, massacres e desrespeito aos mais elementares direitos de qualquer ser humano. A Palestina é um exemplo evidente da política criminosa, genocida e de limpeza étnica do regime sionista e do imperialismo, sendo também um espelho no qual nossos povos se veem refletidos.
- Ainda que resulte frustrante a impunidade com que Israel tem atuado e a ineficácia de múltiplos organismos para pôr fim ao genocídio, nossas organizações devem redobrar esforços para gerar maior impacto na opinião pública, adotar ações com efeitos consistentes em favor de uma paz digna para o povo palestino e apontar os responsáveis pelos crimes de lesa-humanidade que ocorrem diariamente.
- Continuar expressando a mais ampla solidariedade com os países e povos sob ocupação e domínio colonial na América continental e no Caribe. Assim como com a justa causa de outros povos ainda colonizados em outros continentes, especialmente o povo saaraui.
- Expressamos solidariedade com o povo trabalhador argentino, vítima da repressão desmedida por parte do governo fascista de Javier Milei. Denunciamos a perseguição política a líderes e membros sindicais, além de ativistas que promovem legítimas demandas frente aos imensos cortes sociais promovidos pelo atual inquilino da Casa Rosada.
- Denunciamos as políticas xenófobas do governo dos Estados Unidos com o ressurgimento de leis retrógradas como a “Lei do Inimigo Estrangeiro”; e, em particular, condenamos a sistemática campanha fascista e racista de criminalização e satanização do povo venezuelano, que pretende justificar o ataque, sequestro e tortura da população migrante, a separação de famílias, ressaltando o sequestro de meninas e meninos usados como reféns. Alertamos que essa política faz parte da agenda imperialista para justificar uma ação direta e militar contra a soberania da Venezuela. Da mesma forma, denunciamos e exigimos o retorno de mais de 250 migrantes venezuelanos que permanecem sequestrados em prisões de El Salvador.
- Denunciamos a ingerência imperialista dos Estados Unidos na Venezuela, manifestada por meio da desestabilização política contra suas instituições legítimas, promovida por meios transnacionais a serviço do hegemonismo ianque. Essas ações são expressão da guerra sistemática e multifatorial contra a Revolução Bolivariana, com o objetivo de enfraquecer a democracia, impor um governo fantoche e saquear os recursos do povo venezuelano. Exigimos o fim imediato dessa agressão, que busca submeter povos soberanos!
- O Haiti vive uma grave situação humanitária e de segurança, que aprofunda a instabilidade social e a pobreza causada por séculos de saque colonial e neocolonial, subdesenvolvimento e intervenção estrangeira. O povo haitiano tem o direito de encontrar uma solução pacífica, sustentável e duradoura para os enormes desafios que enfrenta, com base no pleno respeito à sua autodeterminação, soberania e independência. Por isso, expressamos nossa solidariedade com o povo haitiano; nos opomos a qualquer intervenção militar nesse país e apoiamos um plano de desenvolvimento social que beneficie essa nação irmã.
- Ampliar a batalha comunicacional por todos os meios possíveis, inclusive plataformas digitais, para enfrentar as campanhas de mentiras do imperialismo e de seus grandes meios de comunicação que manipulam as realidades de nossos países.
- Expressamos nossa solidariedade com o povo e o governo colombianos. Fazemos um chamado pela implementação dos Acordos de Paz e pelo respeito à vida e aos direitos humanos, ao mesmo tempo em que apoiamos o programa de paz total promovido pelo atual governo.
- Rejeitamos a aplicação de medidas coercitivas unilaterais contra nossos povos com o objetivo de impor agendas políticas e fomentar mudanças de regime. Destacamos as graves implicações que esses instrumentos de guerra geram para a paz, o desenvolvimento e os direitos humanos. Nesse sentido, exigimos o fim imediato do bloqueio econômico, comercial e financeiro a Cuba, Venezuela e Nicarágua.
- Condenamos a perseguição e a campanha de difamação contra as brigadas médicas cubanas, que são um exemplo de internacionalismo, solidariedade e cooperação entre os povos. Da mesma forma, condenamos as pressões diplomáticas e econômicas exercidas pelos Estados Unidos contra os países que aceitam a colaboração médica cubana, o que representa mais uma demonstração do intervencionismo e do duplo padrão do império.
- Ampliar a divulgação do conteúdo da Proclamação da América Latina e do Caribe como Zona de Paz, dada sua atualidade e vigência no contexto político latino-americano e caribenho, e exigir dos governos que honrem o compromisso que ela estabelece. Também estender essa campanha a movimentos populares, sindicais, estudantis, camponeses e demais setores que assumam essa importante perspectiva de paz em todo o continente. A reunião considerou positivamente o texto intitulado “Declaração de Princípios da Campanha Internacional para Fazer da América Latina e do Caribe uma ‘Zona de Paz’”, o qual será a base para o início da campanha.
- Expressar nossa solidariedade com os povos indígenas e comunidades de origem africana das Américas e do Caribe; ao mesmo tempo, exigimos a reparação pelos danos causados pelo colonialismo e pela escravidão a essas populações.
- Expressamos solidariedade com as nações originárias dos Estados Unidos e do Canadá em sua luta contra a ocupação e a contaminação de seus territórios ancestrais, principalmente pelas mãos de megaprojetos extrativistas executados por transnacionais. Denunciamos o silêncio cúmplice de governos ocidentais e grandes meios de comunicação que condenam violações de direitos humanos no Sul Global, mas ignoram o etnocídio em seus próprios territórios.
- Manifestar nosso apoio ao povo dos Estados Unidos que luta pela paz e rejeita a expansão das bases militares e as ações intervencionistas de seu governo. Da mesma forma, solidarizamo-nos com os jovens estudantes que estão sendo reprimidos pelo governo dos Estados Unidos.
- Chamamos atenção para a militarização do Ártico e do uso do espaço exterior com fins belicistas.
- Continuar fortalecendo o CMP, incorporando organizações amigas defensoras da paz.
- Promover a participação das novas gerações para garantir maior conhecimento e gerar ações a favor dos princípios e postulados da paz.
- Apoiar o povo mexicano em suas lutas anti-imperialistas, com base nos princípios de justiça social, soberania energética e combate às desigualdades.
- Condenamos a guerra provocada pela OTAN, tendo como alvo a Federação Russa, em território ucraniano. Igualmente, condenamos a militarização da União Europeia, especialmente do Leste Europeu, por meio da expansão da OTAN até os limites territoriais da Rússia. Pronunciamo-nos por uma solução política que garanta a paz na região.
- Condenamos energicamente e exigimos o fim imediato da agressão dos EUA e de Israel contra o Irã e os povos da região, particularmente Palestina, Líbano, Iêmen e Síria, e clamamos pela total implementação dos princípios da Carta das Nações Unidas, exigindo que as violações das leis internacionais por parte de Israel sejam responsabilizadas. Esses atos de agressão, apoiados política e militarmente pelo governo dos EUA, ameaçam a estabilidade regional e colocam em risco a paz global. São continuidade dos crimes de lesa-humanidade praticados pelo sionismo e seus aliados imperialistas contra o povo palestino.
