Moara Crivelente, membro da Direção Executiva Nacional do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), participou de sessão de solidariedade com a Venezuela e a América Latina realizada em Lisboa, Portugal, no dia 13 de janeiro de 2026. O ato foi organizado pelo Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) e pela Associação de Amizade Portugal-Cuba, na Casa do Alentejo, e contou com a presença dos embaixadores da Venezuela e de Cuba em Portugal.
Em sua intervenção, Crivelente manifestou a solidariedade irrestrita do Cebrapaz ao povo venezuelano diante das agressões imperialistas, denunciou o recrudescimento da política externa dos Estados Unidos sob Donald Trump e reafirmou o compromisso com a defesa da autodeterminação, da soberania dos povos e da paz.
Confira a íntegra da fala abaixo:
Estimada Sra. Embaixadora da República Bolivariana da Venezuela, Mary Flores
Estimado Sr. Embaixador da República de Cuba, José Jamón Saborido Loidi,
Cara companheira Sandra Pereira, Presidente da Associação de Amizade Portugal Cuba,
Cara companheira Isabel Camarinha, Presidente da DN do CPPC
Caro companheiro Pedro Prola, coordenador do núcleo do Partido dos Trabalhadores em Lisboa
É uma honra imensa estar convosco nesta sessão e agradeço, em nome do CEBRAPAZ, pelo convite para partilhar deste momento.
Começo por manifestar a solidariedade irrestrita do CEBRAPAZ com o povo venezuelano e a sua Revolução Bolivariana diante da agressão perpetrada pelos Estados Unidos contra a sua soberania, repudiando nos mais firmes termos o sequestro do Presidente Nicolás Maduro e da Deputada e primeira-dama Cília Flores. Também reforço a nossa solidariedade com o valente povo cubano, que enfrenta mais de seis décadas de um bloqueio criminoso imposto pela mesma potência imperialista, mas que não titubeia na defesa da sua Revolução.
O CEBRAPAZ tem estado envolvido ativamente e co-organizado diversos atos de solidariedade, no Brasil, além de integrar plataformas, redes e comitês de solidariedade estabelecidos em vários estados da Federação e na América Latina. Somos parte da ALBA Movimentos, a Articulação Continental de Movimentos Sociais e Populares em defesa da ALBA – Aliança Bolivariana para a Nossa América, e através dessa grande plataforma de entidades e pessoas solidárias, estamos mobilizados em conjunto.
Também no Conselho Mundial da Paz, de que fazemos parte junto com o CPPC, temos acompanhado há vários anos a luta do povo venezuelano e do povo cubano, denunciando e protestando contra as medidas coercivas impostas pelos EUA e seus aliados contra povos soberanos. Da mesma maneira, opomo-nos juntos à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), esta entidade com tentáculos longos, que nos alcançam também no Sul, na América Latina e o Caribe.
O que temos visto mais recentemente é o recrudescimento do imperialismo, que há muito consideramos estar num declínio relativo, mas ainda assim e por isto mesmo, mais agressivo e virulento. Não é de hoje que os EUA enxergam a América Latina e o Caribe como o seu quintal, nem é de hoje que se arrogam o direito a intervir em qualquer parte do mundo para impor os seus interesses. As forças da paz têm há décadas denunciado o intervencionismo e as agressões dos EUA a povos e países soberanos, violando o seu direito à autodeterminação. As consequências foram a instalação de décadas de ditaduras militares na América Latina e a devastação de diversos países. Da Iugoslávia ao Afeganistão, o Iraque, a Líbia, a Síria, e tantos mais agredidos e destroçados pela intervenção estadunidense, as consequências são brutais e sempre nos mobilizaram, em resistência, para defender a paz e a igualdade.
Contudo, Donald Trump desfaz qualquer ilusão que ainda houvesse para fazer o mesmo de forma ainda mais virulenta ao admitir abertamente os interesses egoístas dos EUA por controle de recursos e das chamadas zonas de influência, retirando qualquer freio que ainda existisse à política externa imperialista, encontrando uma postura passiva, se não de covardia, de cumplicidade, na Europa. Assume e promove com orgulho uma política de caráter autocrático e fascistoide, interna e externamente, provocando tensões e terror diante da acelerada e visível degradação das instituições e do direito internacional, com uma postura autoritária, persecutória e personalista, avançando contra todos os que não se submetem. No processo, alia-se aos maiores criminosos da nossa época. O genocídio do povo palestino, pelo qual a liderança israelense passa incólume e continua contando com o patrocínio e a parceria dos EUA e de potências europeias, é mais uma evidência incontornável. A sua releitura da Doutrina Monroe, o chamado corolário Trump, adiciona injúria a uma afronta de dois séculos aos povos da América Latina, desvelando algo que não é propriamente novo no conteúdo, embora pareça ser na forma. Os efeitos também poderão continuar agravando a situação internacional num momento em que atravessamos uma proliferação de turbulências estruturais.
Com isto, Trump intensificou a sua ofensiva contra a região, impondo medidas tarifárias descabidas contra o Brasil e, depois de invadir e sequestrar o presidente, elencar que medidas tomará para roubar um país inteiro, focando nos seus recursos e buscando impor uma tutela. Como uma demonstração de poder, redobra a ameaça a Cuba, ao governo de Gustavo Petro na Colômbia e ao governo do México. São posições intoleráveis que precisamos e continuaremos a repudiar, reforçando a mobilização popular.
No Brasil, continuamos também mobilizados em defesa da democracia, contra o golpismo e pelo progresso, enfrentando séculos de desigualdade social e da violência das elites reacionárias, com quem os EUA sempre contaram. Estamos mobilizados na resistência contra as tentativas dos setores conservadores, base de apoio do bolsonarismo, de anistiar os golpistas que invadiram as sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2026, e que contam com o apoio aberto do governo dos EUA – especialmente a família Bolsonaro.
E é assim que, agora com o pretexto de impedir que a China ou a Rússia controlem regiões e recursos que os EUA cobiçam, da Venezuela à Groelândia – criando mentiras e violando os direitos das nações de estabelecerem os tipos de governos e as parcerias que bem entenderem, Trump se coloca como o ditador de uma nova ordem internacional pautada pelos seus interesses.
Contudo, não está no nosso horizonte a vassalagem e continuaremos lutando por um mundo mais justo. Por isso, é crucial continuarmos convergindo em sessões, atos, e tantas manifestações de resistência quantas conseguirmos organizar, em solidariedade internacional, para defender a autodeterminação, a soberania dos povos e a paz. Vamos em frente!
