Discurso pronunciado por José Reinaldo Carvalho, presidente do Cebrapaz (Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz), no ato em solidariedade a Cuba, realizado em 24 de janeiro, na sede da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil). O ato foi organizado pela Ancreb (Associação Nacional dos Cubanos Residentes no Brasil)
Camaradas e amigos, senhoras e senhores,
Reunimo-nos hoje, em um momento de grave perigo, em que é necessário fazermos uma profunda reflexão, para erguer nossa voz em defesa de Cuba. Estamos aqui para manifestar nossa solidariedade inquebrantável à Revolução Cubana, ao seu povo heroico e ao seu governo legítimo, perante as crescentes ameaças de agressão por parte do governo dos Estados Unidos.
Não nos enganamos sobre a natureza destas ameaças. Elas são a continuação de uma política de mais de seis décadas, destinada a submeter, a isolar e a castigar todo um povo por querer ser livre, soberano, dono do seu próprio destino e construir uma sociedade digna, de bem-estar, cultura e civilização elevada, a sociedade socialista. Por isso, nosso primeiro brado é de denúncia e repúdio: Continuamos a dizer, em alto e bom som: Abaixo o bloqueio!
Este cerco criminoso, este ato de guerra econômica que persiste em tempos de paz, é condenado ano após ano pela esmagadora maioria das nações do mundo. É uma agressão a toda uma população, uma violação do Direito Internacional e dos mais elementares direitos humanos. O bloqueio é a tentativa de estrangulamento econômico-social, o obstáculo ao desenvolvimento, a tentativa de asfixia cotidiana do povo. Nosso compromisso como movimento pela paz, organização política e social, é lutar, em todos os fóruns, até que este crime cometido pelo imperialismo estadunidense contra o povo cubano seja extinto já e para sempre.
Como se não bastasse o bloqueio, os governos criminosos sediados em Washington acrescentam outra infâmia: a injusta e mentirosa designação de Cuba como “Estado patrocinador do terrorismo”. Esta é uma calúnia grotesca contra um país que é símbolo mundial da solidariedade humanitária, que exporta médicos, não bombas; que oferece educação, não destruição. Exigimos a retirada imediata desta designação hipócrita, que serve apenas para justificar novas agressões e intensificar o sofrimento do povo cubano.
Camaradas e amigos,
Nossa solidariedade hoje também é um grito de dor, de luto e de luta. Homenageamos os 32 heróis cubanos que foram brutalmente assassinados. Caíram em combate, sob um ataque covarde e terrorista. A operação militar contra a República Bolivariana da Venezuela, que resultou no sequestro do Presidente Nicolás Maduro e a Primeira Combatente Cília Flores, revela a sanha do imperialismo e dos seus aliados mercenários.
Aqueles 32 cubanos foram formados no espírito do internacionalismo, que seu povo cultiva a partir do legado de José Martí. Seu caráter, como o de todos os combatentes revolucionários, faz parte da obra gloriosa do eterno comandante Fidel, cuja prédica lhes ensinou a servir à Pátria com devoção. A ação que os assassinou é um crime contra a humanidade. Honramos sua memória e continuaremos a denunciar os mandantes e os sicários que o praticaram.
No momento em que realizamos este ato de solidariedade, celebramos também o aniversário do Apóstolo José Martí, que nasceu em 28 de janeiro de 1853. O homem que previu com clareza o perigo que pairava sobre Nossa América vindo do Norte expansionista. O que ensinou que “Pátria é Humanidade”. O que forjou, com sua palavra e exemplo, a alma da nação cubana. Martí nos convoca hoje a unir os povos, a resistir com lucidez, inteligência e dignidade, a entender que a segunda independência está em marcha. Fato marcante dessa luta patriótica é a decisão tomada pela Celac em 2014, na Segunda Cúpula da Celac (Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos), em Havana, de proclamar a região como Zona de Paz.
E celebramos, com ainda maior magnitude e fervor revolucionário, o centenário do Comandante Fidel Castro. O homem que transformou o sonho martiano em realidade. O estrategista da Sierra Maestra e de Playa Girón, o arquiteto da resistência, o líder que ousou desafiar o império a apenas 90 milhas de sua costa. No ano de seu centenário, exaltamos Fidel como o farol que continua a guiar não apenas Cuba, mas todos os que acreditam na libertação nacional e social dos povos. Sua obra, suas ideias, seu exemplo de firmeza inquebrantável, são nossa inspiração neste momento de desafios.
Por tudo isso, camaradas e amigos, neste ato de solidariedade, renovamos o compromisso de difundir a verdade sobre Cuba, de rechaçar o cerco, as pressões e ameaças do imperialismo estadunidense, de levar adiante a campanha contra o bloqueio e a designação de patrocinador do terrorismo.
Compromisso de honrar os mártires, seguindo o exemplo de Martí e de Fidel.
Viva Cuba! Cuba vencerá!
