A República Árabe Saarauí Democrática (RASD) completa 50 anos. São cinco décadas desde que o insubmisso povo saarauí, organizado na Frente Polisario, resolveu realizar o seu anseio de independência, proclamando a RASD em 27 de fevereiro de 1976, para prosseguir soberano na sua marcha histórica e pôr fim à colonização do Saara Ocidental. Desde então, o colonialismo mudou de aparência, mas não de essência, e continua impedindo a libertação nacional.
O povo saarauí resiste de diversas maneiras ao jugo e à dominação estrangeira no Saara Ocidental há pelo menos sete décadas. Através do movimento estudantil, dos protestos, e da negociação com a potência colonial, até os apelos às Nações Unidas, os saarauís conquistaram o reconhecimento do seu pleito e o seu território foi listado pela ONU para a descolonização pela Espanha em 1963.
Contudo, os colonizadores e a chamada comunidade internacional não cumpriram o seu dever. Portanto, em 1973, os saarauís organizaram o movimento de libertação nacional na Frente Polisario para continuar a travar uma corajosa luta anticolonial. Em 1975, os opressores espanhóis abriram caminho aos novos ocupantes: a Mauritânia – que se retirou em 1979, e o Marrocos, que ocupa, coloniza e explora o Saara Ocidental até hoje. A sua presença no território é uma ocupação militar prolongada que serve à colonização e à exploração de recursos, possibilitadas pela brutalidade da repressão marroquina no território ocupado e pelo exílio forçado nos campos de refugiados.
Mesmo assim, parte da resistência saarauí constitui-se precisamente da consolidação de instituições estatais e do estabelecimento de laços internacionais. A RASD chegou a alcançar o reconhecimento de mais de 80 nações e a tornar-se membro fundador da União Africana. Assim, a República Saarauí não é uma mera declaração, é a realização da autodeterminação do povo saarauí, que não espera pela “permissão” dos ocupantes e dos seus cúmplices. As escolas, a universidade, o Parlamento, cada daira e wilaya (unidades administrativas – município e província), a música, os museus, os festivais, o exército e tantas mais expressões da cultura e da política saarauí são manifestações da determinação de um povo de ser o sujeito da sua própria história.
Por outro lado, é não só preocupante como inaceitável a revisão histórica patrocinada pelos Estados Unidos, a União Europeia, e os aliados especiais do Reino do Marrocos – Espanha e França, entre outros governos inimigos dos povos, que têm aceitado a soberania marroquina sobre o Saara Ocidental ou “retirado” reconhecimento à RASD, dando a ocupação por fato consumado e exaltando a “solução marroquina para o conflito”. Assim, atropelam não só a autodeterminação saarauí como todo o progresso histórico de luta contra o colonialismo. Não podemos permitir tamanho retrocesso. O fim do colonialismo é uma responsabilidade universal e um dever coletivo.
Por isso, o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz) soma-se ao movimento de solidariedade internacional para reforçar a demanda pelo respeito à autodeterminação do povo saarauí. Nos 50 anos da RASD, saudamos a valentia e a resistência saarauí na defesa da sua justa causa pela independência, a paz justa e a liberdade, na certeza de que veremos um Saara Livre!
