Por José Reinaldo Carvalho*
Após 40 dias de uma guerra que irrigou o solo persa com o sangue de inocentes, a arrogância, a agressividade, o banditismo do eixo imperialista liderado por dois monstros – Donald Trump e Benjamin Netanyahu – foram forçados a se curvar, envergonhados e humilhados diante da resistência inquebrantável da República Islâmica do Irã, do seu heroico povo e sua firme e lúcida Liderança.
O que o mundo testemunhou na noite desta terça-feira (7) não foi apenas a declaração de um um cessar-fogo, mas a capitulação de uma superpotência militar e seu cúmplice, de um poder baseado no terrorismo de Estado praticado em massa, diante da força política e da superioridade moral de um povo que se recusa a ser massacrado e submetido.
O Rastro da Infâmia: 40 Dias de Terrorismo de Estado
A cronologia do horror começou em 28 de fevereiro. Sob o cinismo de uma operação falsamente designada como “defensiva e cirúrgica”, Washington e Tel Aviv lançaram sobre o Irã o que há de mais abjeto na tecnologia de morte. Mas os fatos revelam a face real da agressão. O alvo nunca foi apenas militar, nem o programa nuclear ou uma suposta construção da bomba atômica. O alvo era a alma e o futuro da civilização iraniana, sentenciada com o aniquilamento e o retrocesso à Idade da Pedra.

Como esquecer o massacre que inaugurou esta barbárie? No primeiro ataque de grande escala, mísseis ditos “inteligentes” assassinaram 180 meninas em uma escola. Um crime de lesa-humanidade. Ao longo de seis semanas, escolas, universidades e institutos científicos em Teerã, Isfahan e Shiraz foram sistematicamente reduzidos a escombros. A estratégia era clara: uma “decapitação intelectual”. O imperialismo tentou assassinar a inteligência iraniana, temendo o saber de um povo que há milênios ensina o mundo a pensar.
O saldo humanitário é uma ferida aberta. Mais de 13 mil alvos atingidos; mais de dois mil iranianos martirizados, a imensa maioria composta por civis — crianças, idosos, trabalhadores. Hospitais foram bombardeados sob pretextos covardes, e fábricas farmacêuticas foram atingidas para que o povo morresse não apenas pelas explosões, mas pela falta de remédios. É a punição coletiva em sua forma mais pura, um desrespeito absoluto aos Tratados de Genebra e a qualquer ética humana.
A doutrina da morte e o sacrifício do Líder
A covardia imperialista atingiu seu ápice com a tentativa de desarticular o Estado iraniano através do método do assassinato político. Utilizando inteligência artificial e drones de penetração profunda, os agressores tentaram silenciar o comando da nação. O ataque direcionado ao Líder Supremo, Ali Khamenei, buscou decapitar a Revolução.
Em vão. Sob a égide do sacrifício do Líder martirizado, a resistência não se dissolveu; ela se transmutou em força redobrada. A condução firme e prudente do Aiatolá Mojtaba Khamenei e outros camaradas do seu estado maior manteve o país coeso. Cada general martirizado, cada cientista abatido, tornou-se semente de uma unidade nacional que o imperialismo estadunidense e o sionismo israelense são incapaz de compreender. A tentativa de criar um vácuo de poder resultou em uma explosão de apoio popular que selou o destino dos agressores.
Contraofensiva e soberania
A vitória do Irã foi conquistada com audácia, resistência, bravura e estratégia. Enquanto o inimigo despejava bilhões em mísseis, a resistência estruturou-se em uma defesa antiaérea soberana, que desafiou a supremacia aérea da coalizão agressora. Na guerra assimétrica, o Eixo da Resistência, unindo irmãos no Líbano, Iraque, Iêmen e Palestina, desferiu golpes letais nos ativos econômicos e militares dos assaltantes, provando que o imperialismo não é invencível e pode ser derrotado.
A jogada de mestre, porém, foi o controle do Estreito de Ormuz. Ao paralisar 20% do fluxo mundial de petróleo, o Irã demonstrou que quem possui a soberania daquela via marítima detém as rédeas da economia global. O bloqueio transformou a agressão em um prejuízo insuportável para o capital internacional, forçando Trump e Netanyahu a aceitarem a mediação do Primeiro-Ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif.
Os 10 pontos para a paz são a vitória da Civilização
A aceitação em princípio do plano de paz de 10 pontos proposto por Teerã é a prova cabal da vitória. Significou a imposição da dignidade iraniana sobre a barbárie imperialista. Os inimigos da humanidade são agora obrigados a sentar-se à mesa de negociações em Islamabad para discutir os termos categóricos do Irã, que vai usar o máximo de sua inteligência política e habilidade diplomática, respaldada na força do seu povo, para desmantelar os instrumentos da coerção e da guerra. Entram na ordem do dia a garantia de não agressão definitiva; a retirada total das forças de combate dos EUA da região; o reconhecimento do controle soberano do Irã sobre Ormuz; o direito soberano ao enriquecimento de urânio em termos a negociar; o levantamento imediato de todas as sanções criminosas; a reparação financeira pelos danos causados à infraestrutura civil.
Neste cessar-fogo de duas semanas, a abertura temporária do Estreito de Ormuz é um gesto de boa-fé de quem venceu com honra, testando a disposição do inimigo em cumprir o que assinou. O imperialismo agora recua, humilhado, tendo que aceitar que o Irã é uma potência inexpugnável.
A vitória de 7 de abril de 2026 está por ser consolidada. Ela assinala o momento em que a civilização persa, com sua ética e sua força, barrou o avanço da barbárie imperialista. Hoje, os raios solares da libertação nacional brilham mais fortes na Ásia Ocidental e estimulam a humanidade a lutar por um mundo de justiça e paz.
*José Reinaldo Carvalho é jornalista, editor do Resistência e Presidente do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz).
Esse é um artigo de opinião e não necessariamente reflete a opinião do Cebrapaz