Conselho Mundial da Paz quer intensificar apoio a Honduras

O Conselho Mundial da Paz (CMP) emitiu, nesta sexta-feira (24), uma nota de apoio ao povo Hondurenho e contra o golpe militar no país latino. O documento também reconhece – e critica – a interferência dos Estados Unidos na deposição do presidente Manuel Zelaya. Em reunião da coordenação Américas da entidade, realizada no Rio de Jeneiro, o CPM propôs ainda intensificar as atividades de solidariedade e criar comitês de apoio à população hondurenha em cada país.

 

De acordo com o coordenador do Conselho para as Américas, José Ramon Rodríguez, o encontro analisou não apenas a situação em Honduras, mas em todo o continente. Segundo ele, uma preocupação que surgiu na atividade foi a de continuar a luta contra o armamentismo, como forma de combater as guerras.

Nesse sentido, houve grande discussão sobre a ampliação da presença militar norte-americana na Colômbia. "Há uma tentativa de transformar o país da América Latina em uma base americana", colocou Rodríguez.

A reunião – da qual participaram a presidente do conselho, Socorro Gomes, e o secretário-geral da entidade, o grego Athanasios Pafilis – contou com representantes de Uruguai, Argentina, Paraguai, Brasil, Cuba, México, Bolívia, Guiana Francesa, Estados Unidos, além de uma delegação visitante do Nepal.

HONDURAS GOLPE ZELAYA por andrestaborga.

Leia abaixo a íntegra da nota.

Moção sobre a situação em Honduras

 
Graves acontecimentos ocorreram em Honduras nas últimas semanas. Os setores mais reacionários de Honduras ligados ao imperialismo estadunidense orquestraram um golpe militar contra o presidente constitucionalmente eleito Manuel Zelaya.

O golpe é fruto de uma reação dos setores mais conservadores de Honduras frente às mudanças políticas que vem sendo levada adiante pelo presidente Zelaya, em especial a consulta ao povo hondurenho para a convocação de uma Assembléia Constituinte.

A reação da oligarquia hondurenha é fruto também da aproximação do governo do presidente Zelaya aos governos progressistas da América Latina e do ingresso de Honduras na ?Aliança Bolivariana para as Américas – ALBA? e conseqüentemente seu distanciamento dos EUA, diminuindo ainda mais a influencia estadunidense na região.

A cada fato novo tornam-se mais evidente as digitais do imperialismo estadunidense no golpe perpetrado em Honduras. O envolvimento da burguesia hondurenha com os setores mais conservadores dos EUA advém de longa data. Na década de 80, um dos períodos mais sangrentos da historia da América Central, Honduras foi a principal base de apoio para as operações de guerra suja contra a revolução sandinista e outros países da região, orquestradas pelos falcões John Negroponte e Otto Reich, que eliminaram as vidas de milhares de pessoas na região. Honduras também foi base por longos anos, do maior terrorista das Américas, Posadas Carriles. Carriles orquestrou desde Honduras vários atentados contra Cuba e prestou seus serviços à guerra suja na região.

 

Os sócios hondurenhos de John Negroponte, Otto Reich e Posadas Carriles estão envolvidos no golpe militar, sendo que alguns dos principais generais golpistas foram alunos exemplares da nefasta Escola das Américas, centro de excelência na prática de golpes militares e técnicas de tortura dos EUA para a América Latina.

 

É evidênte a influencia de setores ultrareacionarios incrustados no aparato do Estado norte-americano, como militares e setores da inteligência dos EUA no golpe. Em Honduras também funciona a base militar dos EUA de Soto Cano, localizada em Palmerola, a 97 km de Tegulcigalpa, uma moderna estrutura que comporta condições de operação de aviões C-5, os maiores dos EUA, além de ser sede da "Força de Tarefa Conjunta Bravo", subordinada ao Comando Sul com sede em Miami. O presidente Manuel Zelaya vinha afirmando que iria romper o tratado que permitia aos Estados Unidos utilizar o solo hondurenho para suas aventuras bélicas. Não há a menor duvida de que esta posição soberana incomodou e os falcões do imperialismo.

 

As últimas semanas têm sido de intensa resistência popular. Milhares de pessoas enfrentam diariamente o toque recolher e as perseguições para garantir a partir da mobilização popular o retorno do presidente constitucionalmente eleito Manuel Zelaya.

 

Em face de tais acontecimentos, a reunião regional das Américas do Conselho Mundial da Paz, reunida na cidade do Rio de Janeiro declara:

 

– Condenamos energicamente o golpe de Estado em Honduras

 

– Afirmamos nosso apoio e solidariedade ao povo hondurenho, que mesmo sob toque de recolher e intensa repressão, tem mantido a resistência nas ruas exigindo o retorno do presidente constitucional.

 

– Defendemos o imediato retorno do presidente Manuela Zelaya a suas funções.

 

– Denunciamos a estratégia dos golpistas em prolongar as negociações com o intuito de buscar legitimidade.

 

– Demandamos aos governos da região o não reconhecimento do governo golpista e que ao mesmo tempo suspendam as relações bilaterais com Honduras até a normalização da situação

 

– Demandamos o fechamento imediato da base militar de Soto Cano, que indiretamente deu suporte à ação dos golpistas, além da suspensão dos programas financeiros de cooperação militar.

 

Defender a democracia hoje em Honduras é defender as transformações políticas que vem acontecendo na América Latina!

 

Toda a solidariedade ao povo hondurenho!

 

Conselho Mundial da Paz

 

Do Rio de Janeiro,
Joana Rozowykwiat

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