Hoje e há 70 anos

A evocação dos 70 anos do início da II Guerra Mundial, que teve lugar a 1 de Setembro de 1939, está já a dar azo a novos exercícios de reescrita da História. Os herdeiros, legais e espirituais, dos que a 26 de Janeiro de 1932 decidiram alcandorar Hitler ao poder procuram esconder que aquela catástrofe humanitária não foi "um plano bem preparado pelo imperialismo alemão e pelo revanchismo que na Itália de Mussolini e no golpe franquista em Espanha procurava por um lado travar o avanço impetuoso do movimento operário estimulado pelas conquistas do socialismo na União Soviética e por outro lado dirimir rivalidades entre as potências do mundo capitalista, particularmente entre a Alemanha e a Inglaterra".
Há 70 anos, a 1 de Setembro de 1939, a Alemanha sob a direcção do regime nazi e de Hitler desencadeou a segunda guerra mundial invadindo a Polónia. A catástrofe que então se abateu sobre a humanidade e que custou 80 milhões de mortos não foi como se procura hoje fazer crer obra de um ditador louco e sanguinário. Foi antes o resultado de um plano bem preparado pelo imperialismo alemão e pelo revanchismo que na Itália de Mussolini e no golpe franquista em Espanha procurava por um lado travar o avanço impetuoso do movimento operário estimulado pelas conquistas do socialismo na União Soviética e por outro lado dirimir rivalidades entre as potências do mundo capitalista, particularmente entre a Alemanha e a Inglaterra.

Quem sabe hoje que a 26 de Janeiro de 1932, o grande capital alemão com Fritz Thyssen à frente decidiu no Clube da Indústria de Dusseldorf levar Hitler ao poder? Quem sabe que as primeiras vítimas do Nazismo foram comunistas e que no 1º de Maio de 1933 os sindicatos foram brutalmente atacados e milhares de sindicalistas lançados nas prisões para gáudio de uma classe exploradora que estava sempre a acusar o movimento operário de não colaborar nem aceitar as dificuldades da crise de 1929? Quem sabe hoje que sem a ajuda da General Motors, os camiões militares e as colunas motorizadas da guerra relâmpago nunca teriam conseguido chegar a Viena e a Praga, que o combustível com que os aviões nazis bombardeavam Londres, Coventry, Birmingham, Liverpool e Manchester vinha da Standard-Oil norte-americana ou ainda que sem o sistema de cartões perfurados da IBM a máquina de extermínio hitleriana nunca teria conseguido organizar o trabalho escravo de modo tão perfeito e eficaz?

Quando o capital fala em «democracia» está a pensar na liberdade para os seus negócios e para exploração, não na liberdade dos povos decidirem do seu destino e de poderem viver em paz e em liberdade.

A derrota do nazi-fascismo traduziu-se pela instauração de uma nova ordem fundada no direito internacional, no respeito pela soberania dos povos e por enormes conquistas sociais dos trabalhadores dos próprios países capitalistas. A correlação de forças favorável ao socialismo que então se verificou tornou possível tais avanços civilizacionais. Mas nos últimos 20 anos temos vindo a assistir à destruição dessas conquistas e ao reforço do poder antidemocrático do grande capital à escala mundial e ao retomar das guerras imperialistas sob o manto da defesa dos «direitos humanos» ou do «combate ao terrorismo».

Com o objectivo de ilibar-se dos seus crimes e responsabilidades, o grande capital e os seus governantes têm vindo a falsificar a História e a confundir as vítimas com os algozes. Inventam teorias como a dos «dois totalitarismos» para ficarem com o terreno livre para prosseguirem o anticomunismo de Estado em que se fundamentou não só o nazismo hitleriano mas uma infinidade de ditaduras fascista de Pinochet a Videla, de Mobutu a Somoza, de Salazar a Ferdinando Marcos ou a Suahrto.

E no que diz respeito a guerras e agressões é o que se vê. As centenas de civis que a NATO assassina quase diariamente no Afeganistão são totalmente ignoradas pelos dirigentes de um mundo capitalista que se afirma «humanista».

Hoje como há 70 anos é necessário que os povos não se deixem contaminar por essa amnésia colectiva com que o capital pretende novamente convencer os povos de que não há alternativa para a exploração, a guerra e o militarismo.

A resistência e a luta contra a opressão e a mentira acabarão por abrir caminho a um mundo de paz, justiça social e liberdade, um mundo socialista.

Este texto foi publicado no Avante nº 1.867 de 10 de Setembro de 2009

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