23 agentes da CIA são condenados por sequestro na Itália

Um tribunal de Milão condenou nesta quarta-feira (4) 23 agentes da CIA a penas que variam entre cinco e oito anos, de prisão pelo sequestro do imã egípcio Hassan Mustafa Osama Nasr, que morava na cidade.

O caso ocorreu em 2003, quando surgiu a primeira evidência dos voos ilegais da CIA na Europa. Este é o primeiro caso que repudia a prática de sequestro por parte da agência de espionagem americana, inaugurada na administração Bush.

Os agentes americanos capturavam estrangeiros em um país e os levavam para outro, no qual esses estrangeiros poderiam ser submetidos a abusos e torturas em seus interrogatórios.

O juiz Óscar Magi não aplicou a sentença ao ex-director dos serviços secretos de Itália (SISMI), Niccolò Pollari, nem ao seu antigo número dois, invocando o segredo de Estado do país.

Dos 26 agentes imputados no processo, que não compareceram em tribunal, três não puderam ser julgados porque gozam de imunidade diplomática.

A pena mais alta, de oito anos de prisão, foi dada ao chefe da CIA em Milão, Robert Seldon Lady. Todos os outros agentes foram condenados a penas de cinco anos. Os agentes italianos terão de cumprir três anos de prisão.

Abu Omar foi levado secretamente da base aérea de Aviano, no nordeste da Itália, onde foi aprisionado e torturado, segundo relatou a organizações não-governamentais de Direitos Humanos após sua libertação em 2007.

Magi determinou também que os condenados devem pagar 1 milhão de euros de indenização a Nasr e todos os acusados terão que pagar uma indenização de 500 mil euros à mulher do sequestrado.

O processo começou a 8 de junho de 2007 mas foi interrompido diversas vezes por violação do segredo de Estado.

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