Êxito de curso qualifica atuação do Cebrapaz, diz Socorro Gomes

Depois de sete conferências — com o envolvimento de cerca de 45 participantes —, terminou neste domingo (21/3), em São Paulo, o primeiro módulo do Curso de Política Internacional do Cebrapaz (Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz). Os debates envolveram dirigentes nacionais e estaduais da entidade, lideranças sociais, professores e estudantes universitários, além de especialistas em relações internacionais.

“Um curso de tão alto nível como este é um avanço para dar mais qualidade e relevância à nossa política e atuação”, comentou a presidente do Cebrapaz, Socorro Gomes, na conferência de encerramento. Socorro lembrou que o Cebrapaz está “em processo de construção” pelo Brasil, mantendo núcleos em 17 estados.

Atualmente, a entidade lidera a campanha “América Latina e Caribe, uma região de paz — Não às bases militares”, que foi iniciada no Brasil em dezembro e teve lançamento continental no mês seguinte, durante o Fórum Social Mundial 2010. O Cebrapaz também deve organizar, em abril, o seminário “A Revisão do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares”, em conjunto com o Senado Federal, a Universidade de Brasília (UnB) e a Fundação Alexandre Gusmão (Funag), ligada ao Ministério das Relações Exteriores.

Aos participantes do curso, Socorro explicou que a luta pela paz inclui “tanto a denúncia do agressor, do terrorismo de Estado, quanto as manifestações de solidariedade aos povos ocupados, saqueados”. A presidente do Cebrapaz alertou que o anseio pela paz é uma causa de amplos setores, e não apenas da esquerda. “Para justificar a guerra, os agressores já usaram o pretexto de conter o comunismo ou proteger o meio ambiente. O ‘inimigo’ de hoje seria o terrorismo, mas o que vemos é a importância estratégica dos países invadidos. Fazem a guerra hoje para saquear recursos naturais, sobretudo os energéticos."

Segundo Socorro, “o maior inimigo da paz, nos dias de hoje, são os Estados Unidos, que respondem por 45% do orçamento militar global e já fizeram mais de mil intervenções militares. Não devemos responsabilizar o povo estadunidense. O obstáculo é o sistema. De acordo com o lingüista e filósofo Noam Chomsky, os Estados Unidos são um Estado obscurantista”.

Socorro Gomes frisou que as Nações Unidas, em seus “princípios fundamentais”, definiram que a paz tem “pressupostos”, como o respeito à soberania nacional. “É impossível haver paz em países sob ocupação ou ingerência.” O Cebrapaz também denuncia a falácia da “não-proliferação” de armas nucleares. “Fala-se muito em uso seguro da energia nuclear para fins pacíficos, mas o grupo de países que detêm as armas não pensa nunca em destruí-las. A ideia da ‘não-proliferação’ é deixar tudo como está, em benefício deles.”

O curso

Considerado por seus organizadores como uma iniciativa bem-sucedida, o Curso de Política Internacional do Cebrapaz teve início na sexta-feira (19/3). Paulo Visentini, doutor em História, fez a conferência inaugural sobre o tema “História da Guerra Fria — Da Segunda Guerra Mundial à Queda do Muro de Berlim”. Visentini tratou dos marcos da Guerra Fria, detalhando a política de contenção da União Soviética pelos Estados Unidos e a construção de uma ordem mundial baseada nos interesses do imperialismo, passando à história como o período da “Pax Americana”.

Na manhã de sábado (20/3), o jornalista Umberto Martins, especialista em Economia e Política Internacional, expôs os conceitos fundamentais do capitalismo e do imperialismo, baseado nas teorias de Karl Marx e Vladimir Lênin. Umberto fez uma abordagem das razões da crise do capitalismo, seu caráter sistêmico e estrutural, além de suas implicações na geopolítica.

O historiador Daniel Sebastiani fez um panorama histórico da luta pela paz e o socialismo. Detalhou a natureza agressiva do capitalismo em sua fase imperialista e apresentou os fundamentos gerais do socialismo científico, nos marcos da luta por uma nova sociedade.

As aulas da tarde de sábado foram dadas por dois dirigentes do Cebrapaz. O jornalista José Reinaldo Carvalho analisou as contradições políticas do mundo contemporâneo e destacou os conflitos internacionais da atualidade. Sua exposição teve tópicos como o sistema de dominação dos Estados Unidos, as contradições interimperialistas, a emergência de novos protagonistas no cenário internacional, as lutas dos povos por independência, direitos e transformações políticas e sociais.

Em seguida, o sociólogo Rubens Diniz discorreu sobre as novas agendas de segurança internacional, com ênfase nas concepções estratégicas dos Estados Unidos para a área, a política nuclear americana e suas implicações para a América Latina, em especial o Brasil. Rubens esmiuçou o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP) e seu papel na manutenção da ordem mundial.

A sexta conferência, já no domingo, coube ao mestrando em Geopolítica Ronaldo Carmona, que falou sobre a integração latino-americana e a política externa do governo Lula. Carmona se baseou no quadro político e no ascenso das forças democráticas, progressistas e anti-imperialistas na região, discutindo os diversos e complementares processos de integração regional, o protagonismo brasileiro e as reações do imperialismo e das classes dominantes ao avanços dessa tendência.

Após a conferência de encerramento, a cargo de Socorro Gomes, os participantes do curso receberam certificados de conclusão do primeiro módulo do curso. Todas as aulas ocorreram no Hotel San Juan, próximo ao Metrô República, na região central de São Paulo.

Deixe uma resposta