Cientista iraniano foi torturado pela CIA; agentes ofereceram US$ 50 milhões por informações secretas do Irã

De volta ao Irã, o cientista Shahram Amiri afirmou ter sido torturado pela CIA e sofrido ameaças de que os Estados Unidos o entregariam a Israel caso não cooperasse com os interrogatórios. As declarações foram feitas logo após a chegada à Teerã, onde Amiri reafirmou que foi sequestrado pelos Estados Unidos.

"Não tenho nada a ver com Natanz e Fordo [duas instalações de enriquecimento de urânio]. Foi uma manobra do governo americano para fazer pressão sobre o Irã", declarou Amiri no aeroporto de Teerã, onde foi recebido pela mulher, o filho de sete anos e o vice-chanceler iraniano, Hassan Ghashghavi. "Não fiz nenhuma pesquisa no campo nuclear. Sou um simples pesquisador que trabalha numa universidade aberta a todos, e não há trabalho secreto algum lá", afirmou.

Segundo ele, o objetivo americano era que ele confessasse informações sigilosas que pudessem prover evidências de que as atividades nucleares da República Islâmica visam à construção de armas atômicas. Os agentes lhe ofereceram US$ 50 milhões para que prestasse informações sobre o programa nuclear iraniano.

“Eles também garantiram que levariam minha família para fora do Irã”, afirmou Amiri, ao desembarcar no Aeroporto Internacional Imam Khomeini, no sul de Teerã. “Sou um simples pesquisador que trabalha em uma universidade que está aberta a todos, e não há trabalho secreto algum lá.” As informações são da Irna, agência oficial de notícias do Irã.

Amiri disse que não atuava diretamente nos projetos relativos ao programa nuclear iraniano. Ele é professor da Universidade de Teerã e afirmou ter sido sequestrado na cidade sagrada saudita de Medina, em 3 junho de 2009, ao participar de uma peregrinação religiosa.

Na última terça-feira (13), o cientista iraniano pediu abrigo na Embaixada do Paquistão, em Washington. Segundo Amiri, ele foi submetido a torturas físicas e mentais nos primeiros dois meses em que permaneceu nos Estados Unidos. “Fui sequestrado durante uma operação conjunta dos saudidas e norte-americanos, quando eu estava na frente do meu hotel na cidade santa de Medina. Fiquei inconsciente e fui transferido para lugares desconhecidos, primeiro na Arábia Saudita e, em seguida, nos Estados Unidos”, afirmou Amiri.

“Washington, por meio de um jogo político, me pressionava para anunciar ao mundo que eu pedi asilo político”, disse o cientista. Representantes do Ministério do Exterior iraniano também informaram ter provas de que Amiri foi sequestrado por agentes secretos americanos.

O porta-voz do ministério do Exterior iraniano, Ramin Mehmanparast, disse que o governo pretende continuar investigando o caso. Segundo ele, serão usados meios legais e diplomáticos para saber qual o papel do governo americano no sequestro do acadêmico.

O caso

Vestindo um terno bege, um sorridente Amiri fez o sinal da vitória enquanto abraçava o filho e a mulher, ambos chorando. Cerca de dez familiares esperavam-no com flores no aeroporto internacional de Teerã.

Shahram Amiri desapareceu em junho de 2009 na Arábia Saudita, para onde havia viajado para uma peregrinação muçulmana. Teerã afirma que ele foi sequestrado pelos Estados Unidos com a ajuda dos serviços de inteligência sauditas. Na terça (13), Amiri se refugiou no escritório de interesses de seu país na embaixada do Paquistão, e disse ao canal de televisão iraniano Press TV que, durante os últimos 14 meses, foi "submetido a uma pressão psicológica grande e vigiado por homens armados".

"Estou realmente surpreso com as declarações da secretária de Estado americana [Hillary Clinton], que afirmou que eu estava livre e que fui livremente para lá. Não estava livre. Estava custodiado por homens armados dos serviços secretos", insistiu. "Nos dois primeiros meses, fui submetido às piores torturas mentais. Também ameaçaram minha família", acrescentou.

Ainda no aeroporto de Teerã, o cientista iraniano falou sobre os interrogatórios aos quais teria sido submetido nos EUA. Além de oficiais dos serviços secretos americanos, Amiri afirmou ter sido pressionado e questionado por agentes enviados de Israel. "Agentes israelenses estiveram presentes em algumas das minhas sessões de interrogatório e sofri ameaças de ser entregue a Israel caso me recusasse a cooperar com os americanos", disse.

O Irã não reconhece a existência do Estado hebreu desde a Revolução Islâmica de 1979 e tem em Israel um de seus maiores inimigos declarados na comunidade internacional.

Processo

A chancelaria iraniana afirmou em comunicado ter entregado à embaixada suíça as provas do sequestro de Amiri pela CIA e pediu uma investigação sobre o caso. "Esperamos que o governo americano anuncie o mais rápido possível os resultados de sua investigação sobre este cidadão iraniano", afirmou Teerã, acrescentando que os Estados Unidos são responsáveis pela sorte de Amiri.

Um diplomata iraniano afirmou que o cientista e o Estado podem processar Washington. "Shahram Amiri e o governo iraniano têm o direito de denunciar judicialmente os EUA pelos danos psíquicos e o sequestro para ele e para sua família", disse.

Da Redação, com agências

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