Hiroxima e Nagasaki relembram 65 anos de ataque dos EUA

 

Em 2010 se comemora o 65º aniversário da vitória sobre o nazi-fascismo, um feito de luta e de resistência aos povos que pôs um fim a um período de terror que marcou a história recente da humanidade. Esse aniversário também está associado, mas não por boas razões, ao primeiro bombardeio atômico de duas cidades. Asjaponesas Hiroxima e Nagasaki foram as primeiras vítimas da nova arma.

 Na manhã de 6 de agosto de 1945, Hiroxima foi a primeira cidade do mundo arrasada por um ataque nuclear: 140 mil pessoas foram mortas instantaneamente e dezenas de milhares morreram ao longo dos anos em consequência da ação letal da radiação deixada pela explosão.

 Três dias depois seria a vez de Nagasaki presenciar o desfecho de um dos crimes mais hediondos cometidos contra a Humanidade. Mais de 80 mil pessoas foram desintegradas pela explosão atômica de imediato. Os Estados Unidos haviam arrasado completamente duas cidades japonesas sem importância estratégica militar que justificasse um ataque.

 A guerra no Pacífico já se encontrava em seus momentos finais. Em julho daquele ano o governo japonês já estudava as condições para a rendição, já que o paísse encontrava praticamente cercado, desabastecido e destruído por sucessivos ataques aliados.

 O Projeto Manhattan, que planejou e concretizou a nova arma, tinha sido concebido originariamente como um contra-ataque ao programa da bomba atômica da Alemanha nazista. Com a derrota da Alemanha, vários cientistas que trabalhavam no projeto consideraram que os EUA não deveriam ser os primeiros a usar tais armas. Um dos críticos proeminentes dos bombardeios foi Albert Einstein.

 Com extrema hipocrisia, o imperialismo justifica o seu crime afirmando que poupou vidas que seriam perdidas com uma eventual invasão do Japão. O processo derevisão da História, em curso atualmente, investe na diminuição do significadoe do impacto desse ato terrorista, omitindo o nome dos seus autores e diluindo os motivos reais que levaram à execução do crime.

 A verdade de Hiroxima e Nagasaki tem a sua raiz na manifestação demente depoderio militar dos Estados Unidos diante do mundo, em particular diante da União Soviética, potência aliada vencedora da Segunda Guerra Mundial,procurando desta forma submeter o mundo e os povos, através da chantagem nuclear, às suas pretensões hegemônicas.

 Antes de deflagrar o ataque, vários cientistas defendiam que o poder destrutivo dabomba poderia ser demonstrado sem causar mortes. Esses cientistas não foram ouvidos. A situação militar e estratégica do Japão era tão frágil que até mesmo setores do exército americano reconheciam, em um estudo, que a explosão das duas bombas foi desnecessária.

 O United States Strategic Bombing Survey escreveu, após ter entrevistado centenasde japoneses civis e líderes militares, depois da rendição do Japão:"Baseado numa investigação detalhada de todos os fatos e apoiados pelo testemunho dos sobreviventes líderes japoneses envolvidos, é a opinião da Survey que, certamente antes de 31 de dezembro de 1945, e, em todas as probabilidades, antes de 1.º de novembro de 1945, o Japão ter-se-ia rendido mesmo se as bombas atômicas não tivessem sido lançadas, mesmo se a Rússia não tivesse entrado na guerra e mesmo se a invasão não tivesse sido planejada."

 O bombardeio

 Na madrugada de 6 de Agosto de 1945 o bombardeiro B-29, pilotado pelo coronel Paul Tibbets, decolou da base aérea de Tinian no Pacífico Ocidental, a aproximadamente 6 horas de voo do Japão. A aeronave chamava-se Enola Gay, nome da mãe do piloto.

 A meteorologia determinou a escolha do dia 6. No momento da decolagem, o tempoestava bom. O capitão da Marinha William Parsons armou a bomba durante o voo, desarmada durante a decolagem para minimizar os riscos. O ataque foi executado de acordo com o planejado e a bomba de gravidade, uma arma de fissão de tipobalístico com 60 kg de urânio-235, comportou-se como esperado.

 Inicialmente,o alvo seria Quioto, ex-capital e centro religioso do Japão, mas o secretário da Guerra, Henry Stimson, trocou-o por Hiroxima, por ser uma cidade situada entre montanhas, detalhe que amplificaria os efeitos da explosão.

 O avião aproximou-se da costa a mais de 8 mil metros de altitude. Cerca das 8h, o operador de radar em Hiroxima concluiu que o número de aviões que se aproximavam era muito pequeno não mais do que três, provavelmente – e o alerta de ataque aéreo foi levantado.

 Os três aviões eram o Enola Gay, o The Great Artist (em português, "O Grande Artista") e um terceiro avião que no momento não tinha batismo mas que mais tarde seria chamado de Necessary Evil ("Mal Necessário"). O primeiro transportava a bomba, o segundo tinha como missão gravar e vigiar todaa missão, e o terceiro foi o avião encarregado de fotografar e filmar a explosão.

 Às 8h15, o Enola Gay largou a bomba nuclear sobre o centro de Hiroxima. Ela explodiu a cerca de 600 metros do solo, com uma explosão de potência equivalente a 13 mil toneladas de TNT, matando instantêneamente um númeroestimado de 70.000 a 80.000 pessoas e destruindo mais de 90% das construções dacidade.

 Nagasaki foi atingida no dia 9 de agosto, às 11h02 da manhã. Inicialmente o plano era de jogar a bomba sobre Kokura, em Fukuoka. Mas o tempo nublado impediu que o piloto visualizasse a cidade, escolhendo a segunda opção. Os americanos não consideravam Nagasaki "um alvo ideal" porque a cidade é rodeada por montanhas,o que diminuiria a devastação de gente e de edifícios.

 A bomba, chamada Fat Boy, era de plutônio 239, com potência equivalente a 22 miltoneladas de TNT, ou seja, 1,5 vez mais potente que a bomba jogada sobre Hiroxima.

 As forças de ocupação dos EUA censuraram as fotos das cidades bombardeadas. Elas foram classificadas como secretas por muitos anos. O governo dos Estados Unidos queria impedir que as imagens do horror fossem vistas pelo mundo.

 Símbolo daluta pela paz

 O viajante que chega à moderna e povoada cidade de Hiroxima fica maravilhado comos grandes e suntuosos edifícios, hotéis e bem delineadas avenidas por onde passam milhares de veículos.

 No entanto, no meio deste turbilhão deslumbrante, o visitante não pode esquecer que se encontra na primeira cidade praticamente volatizada pelo afã dos Estados Unidos de dominar o mundo.

 Este impacto é recebido quando se visita e percorre o Parque da Paz, o Museu dasVítimas e a chama eterna adiante do cenotáfio negro que inscreve os nomes das vítimas do genocídio da Casa Branca para chantagear o mundo dia 6 de de agosto de 1945.

 A presidente do Conselho Mundial da Paz, Socorro Gomes, que está no Japão participando dos eventos em memória da tragédia, descreve por e-mail enviado à redação do Vermelho a sensação que teve ao visitar o Museu das Vítimas e o Parque da Paz:"O que os EUA fizeram não tem perdão. As pessoas derretiam literalmente. Não é aceitável o imperialismo continuar cometendo crimes contra a humanidade,como fez em Hiroxima e Nagasaki há 65 anos e recentemente em Faluja, no Iraque".

 "Ouso das armas de destruição em massa, além das mortes instantâneas, faz com queaté a terceira geração as pessoas nasçam com mutações genéticas, sem olhos, sem órgãos, outros com cancer generalizado", relatou.

 "É incrível que os EUA continuam impunes e falando em combate ao terrorismo! Osmaiores terroristas da humanidade são eles! Eu fiquei estarrecida, só de ver as fotos. É inesquecível!" protestou Socorro.

 Fonte: Portal Vermelho

Deixe uma resposta