Egito desmente afirmações sobre o Iraque em livro de memórias de Bush

O presidente egípcio, Hosni Mubarak, aconselhou os Estados Unidos a não invadirem o Iraque em 2003, comentaram nesta terça-feira (23) diversos veículos de comunicação de Cairo, colocando em dúvida a credibilidade de um livro de memórias do ex-presidente George W. Bush.

Jornais, canais televisivos e sites do Egito fizeram eco à fala do porta-voz da presidência, Suleiman Awad, que recusou as afirmações contidas no volume "Decision Points" com relatos e episódios do ex-presidente dos EUA.

Awad "negou categoricamente" que Mubarak tenha dito a Bush que o Iraque governado por Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa e, ao contrário, aconselhou ele e outros servidores públicos seus que invadir o país seria uma "violação flagrante do direito internacional".

Em declarações reproduzidas pela agência oficial de notícias MENA, o porta-voz presidencial pôs em dúvida a veracidade do que foi dito por Bush e o que foi usado como pretexto para a invasão militar de março de 2003, ainda que ao fim nunca foram encontrados tais arsenais.

Segundo a versão do ex-presidente, Mubarak tinha alertado a Tommy Franks, então comandante das tropas norte-americanas no Oriente Médio, que o "Iraque tinha armas biológicas e que era certo que ia usá-las contra nossas tropas".

Também escreveu que o presidente egípcio "recusou fazer pública essa alegação por medo de provocar protestos no mundo árabe, mas a inteligência de um líder do Oriente Médio que conheceu bem Saddam teve impacto em minha reflexão".

No entanto, Awad acrescentou que Mubarak alertou a seu então homólogo norte-americano que a incursão militar na nação mesopotâmica não seria uma missão fácil para Washington dada a eventual "resistência obstinada na qual o Iraque empregaria todas suas armas e munições".

Ante o que deixou transluzir como obstinação do inquilino da Casa Branca, Mubarak optou por convidar ao Egito o ex-presidente George Bush, pai do primeiro, para explanar sobre as consequências de invadir o Iraque e lhe pedir que as transmitisse a seu filho para dissuadi-lo, disse Awad.

Bush suscitou comentários burlescos um dia antes que viessem a luz suas memórias quando em uma entrevista se autodefiniu como "dissidente" dentro de sua administração porque se opôs à guerra no Iraque, ainda que terminou por desatá-la e internacionalizá-la.

Fonte: Agência Prensa Latina

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