Marroquinos prendem e intimidam participantes do 17º Festival Mundial da Juventude

As autoridades de ocupação marroquinas prenderam dois membros da delegação saharaui que participou do 17º Festival da Juventude e dos Estudantes (Pretória, 13-21 de dezembro de 2010), no aeroporto de Casablanca (Marrocos), no dia 26 de dezembro último, no regresso da delegação composta de 27 membros.

Os dois jovens participantes do festival,  Mariam Bourhimi e a  Kalthoum Lebsir, foram presos ao chegar ao aeroporto de Casablanca, e imediatamente levados em custódia, enquanto os outros membros da delegação foram cuidadosamente revistados e inquiridos. A polícia marroquina confiscou todos os documentos, livros, camisetas e todo o  relacionado ao festival.

As duas detidas, Mariam e Kalthoum, foram transferidas no dia seguinte (27 de dezembro), em carros da polícia de Casablanca para a capital ocupada do Sahara Ocidental (1165 km), onde elas foram levadas ao tribunal colonial marroquino. O juiz marroquino decidiu liberar Kalthoum sem encargo, enquanto a Mariam foi temporariamente liberada e será intimada a depor novamente em março.

Outro membro da delegação que participou do festival, ex-prisioneiro saharaui, o Sr. AbderahmanBougarpha (53 anos), foi assediado no sábado, 1° de janeiro de 2011. Ele estava viajando com sua família em ônibus da capital do Sahara Ocidental, a caminho das fronteiras do Marrocos, quando foi interpelado pela polícia. Foi o único de cerca de 60 passageiros a ter de descer do ônibus. Os policiais o detiveram por cerca de uma hora, sem qualquer explicação, depois deste tempo, aparentemente receberam ordens para deixá-lo seguir seu caminho.

Outros 11 saharauis foram detidos pela polícia marroquina, de 4 a 10 de dezembro passado nos aeroportos de El Aaiun (Sahara Ocidental ocupado) e Casablanca (Marrocos), enquanto viajavam para reunirem-se à delegação saharaui para o 17º festival da juventude e dos estudantes. Eles ainda estão sob custódia sem acusações e serão levados a tribunais marroquinos, alguns deles à corte militar!

Há quatro mulheres entre os 11 presos: Hayat Rguibi (20 anos), Nguia Haouassi (20), Oum El Fadli Jouda (48) e LalaKhaidoma Jamani (31) foram atacadas na prisão, no dia 29, por um grupo de detentos, aparentemente sob as ordens da administração penitenciária marroquina.Foram feridas e mal tratadas e sabe-se que anteriormente foram antes vítimas de assédio, prisão e estupro. Elas foram presas porque estavam indo ao festival, e também como punição pela participação em um protesto no mês de outubro, num acampamento que foi violentamente desmantelado em 8 de novembro passado pela polícia marroquina.

Hasanna Dah (25 anos), um dos 11 presos em 4 de dezembro, declarou ao seu advogado  que desde que foi preso, em 16 de dezembro, tem sido maltratado e torturado. Disse que foi violentamente estuprado por seus torturadores marroquinas com um cassetete de polícia. Quando finalmente foi levado perante o juiz marroquino, afirmou que os traços de tortura eram claros em seu corpo seminu, e informou ao juiz sobre o estupro, mas este nem sequer tentou investigar essa alegação.

Tahlil Mohamed (30 anos), e Bachir Khada (26 anos), dois outros detentos do grupo dos 11, foram submetidos a condições semelhantes na prisão. Afirmaram que foram maltratados, assediados e intimidados, mas não foram fisicamente torturados .

Todos os presos passaram as primeiras semanas de na prisão, algemados, vendados e virados para a parede, quando não também mal tratados ou torturados.

A organização sarahui de direitos humanos, CODESA, relatou que outros seis prisioneiros, detidos entre novembro e dezembro, na mesma prisão em El Aaiun, foram vítimas de tortura e estupro em condições similares às  de Hasanna Dah.

Atualmente há 163 jovens saharauis, homens e mulheres, na prisão marroquina de El Aaiun, todos presos depois que o exército e a polícia marroquinos desmantelaram o acampamento de protesto citado.Todos os prisioneiros foram maltratados, torturados, muitos violentados com cassetetes ou garrafas, mantidos isolados na prisão, em muitos casos, foram estão detidos completamente nus e assim são mantidos desde a prisão, com os carcereiros marroquinos humilhando-os, urinando sobre eles, privando-os de todos os tipos de comunicação com o mundo exterior, etc. Suas famílias não podem visitá-los, assim como quaisquer organizações  de direitos humanos, nacionais ou internacionais. As únicas visitas permitidas foram dois advogados saharauis em 13 e 16 de dezembro, a 19 de presidiários,  e todos afirmaram essas terríveis condições de detenção.

O sistema de justiça marroquino, como é sabido internacionalmente, não é independente, e os juízes obedecem aos líderes políticos do país para decidir o destino de ativistas políticos. No Saara Ocidental, os presos políticos saharauis são normalmente sentenciados com base em acusações falsas e em testes iníquas. Suas famílias não são informadas sobre as detenções e, em geral, nem podem visitá-los até que estejam formalmente presos.

A situação dos direitos humanos no Sara Ocidental está cada vez mais alarmante, e as organizações internacionais de direitos humanos são totalmente incapazes de investigar suficientemente ou relatar a respeito. A missão local da ONU, MINURSO, é a única missão de paz em todo o mundo que não está autorizada a monitorizar e proteger os direitos humanos e a França é firmemente contrária (no Conselho de Segurança das Nações Unidas)  à ampliação  de qualquer tipo de ampliação deste mandato.

Os 11 detidos são:

1) Hasanna Dah, preso em El Aaiun em 4 de Dezembro.
2) Tahlil Mohamed, detido em El Aaiun em 4 de Dezembro.
3) Khadda Bashir, preso em El Aaiun em 4 de Dezembro.
4) Khattari Amreizigue, preso em Casablanca a 06 de dezembro.
5) Sidi Mohamed Ali Zein, detido em Casablanca a 06 de dezembro.
6) Hayat Rguibi, preso em Casablanca, em 08 de dezembro.
7) Nguia Haouassi, preso em Casablanca, em 08 de dezembro.
8) Oum El Fadli Jouda, preso em El Aaiun em 09 de dezembro.
9) Othman Ndour, preso em El Aaiun em 09 de dezembro.
10) Mustafa Labras, preso em El Aaiun em 09 de dezembro.
11) Lala Khaidoma Jamani, preso em Casablanca, em 10 dedezembro.

Com informações do http://www.upesonline.info

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