Embaixador do Vietnã visita Cebrapaz para estreitar laços

Estreitar a cooperação e os laços de amizade entre Brasil e Vietnã. Este foi o objetivo da visita que o embaixador do país asiático, Duong Nguyen Tuong, fez ao Centro Brasileiro de Solidariedade e Luta pela Paz (Cebrapaz), nesta segunda-feira (04).

Em conversa com a presidente da entidade, Socorro Gomes, o embaixador externou o desejo de ampliar as relações e promover um intercâmbio político e cultural entre os países. De acordo com Tuong, o Brasil sempre apoiou o Vietnã, durante e após a guerra, na qual milhões de vietnamitas morrearam e que, até hoje, traz terríveis consequências para a população local.

Ele explicou que a utilização, pelos Estados Unidos, de bombardeios maciços de substâncias químicas extremamente tóxicas, causou mortes, doenças e incapacidades tanto em soldados quanto em civis. O produto utilizado, conhecido como agente laranja, contém grandes quantidades de dioxina, uma substância cancerígena.

Ainda hoje, filhos e netos das cerca de 4 milhões de vítimas diretas do bombardeio químico estão afetados por mutações genéticas. Além dos danos causados aos seres humanos, o agente laranja devastou o meio ambiente. O embaixador informou ainda que, mais de 35 anos após os conflitos, explosões de minas ainda são muito frequentes, deixando inúmeros mortos e feridos.

Ele afirmou então que espera continuar recebendo o apoio e a solidariedade do Brasil, no auxílio a essas vítimas e na luta pelas indenizações a que elas têm direito, sempre fortalecendo o internacionalismo popular. “O Vietnã sempre teve relações muito boas com o Brasil, durante e depois da guerra. Hoje queremos multiplicar isso”, disse.

Nesse sentido, o embaixador também tratou, no encontro, da participação de seu país na Conferência “Integração da América Latina e Cultura de Paz em um Mundo Militarizado”, que o Cebrapaz promove nos dias 17 e 18 de junho, em São Paulo. Uma delegação de dez vietnamitas virá ao evento e o próprio embaixador deverá integrar, ao lado do embaixador cubano, a mesa de abertura.

Tuong e Socorro também conversaram sobre a possibilidade de promover, no Brasil, uma mostra sobre a cultura vietnamita. O embaixador sugeriu ainda um intercâmbio entre jovens dos dois países. Desta forma, vietnamitas poderiam vir ao Brasil – e vice e versa -, não só para estudar a língua, facilitando assim as relações entre os dois países, como também apreendendo a cultura local. A sugestão foi acatada pelo Cebrapaz, que, durante a conferência, fará uma oficina para dar andamento à proposta.

Ao dar as boas-vindas ao embaixador, Socorro falou do respeito e da admiração que os brasileiros nutrem pelo povo vietnamita que, segundo ela, na guerra, mostrou seu heroismo e, na paz, externa seu empreendedorismo na luta pelo progresso. Ela também ressaltou os laços do Cebrapaz com o Movimento pela Paz no Vietnã e lembrou que já esteve por duas vezes no país, conhecendo de perto sua realidade.

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