América do Sul lidera aumento de gastos militares

Em todo o mundo, o gasto militar alcançou US$ 1,6 trilhão em 2010 – um crescimento de 1,3% em termos reais, tendo o maior aumento ocorrido na América do Sul, de acordo com estudo divulgado, nesta segunda-feira (11), pelo Instituto Internacional de Investigação para a Paz de Estocolmo (Sipri, sigla em inglês). No total, a América do Sul registrou um aumento de 5,8%, alcançando um total de US$ 63,3 bilhões. Segundo o relatório, o crescimento no continente é explicado, parcialmente, pelo forte crescimento econômico que a região tem vivido nos últimos anos. Por outro lado, outras regiões do mundo têm sofrido com mais força os efeitos da recessão econômica mundial, o que causou uma queda no gasto militar, ou pelo menos um crescimento mais lento durante 2010.

O Brasil é responsável pela maior parte desse aumento, o que indica, para o Sipri, uma tentativa de “projetar poder e influência”. De 2009 para 2010, a alta foi de 9,3%. “(O Brasil) está proativamente buscando projetar seu poder e influência além da América do Sul por meio da modernização de seu setor militar”, diz o relatório.

O relatório aponta ainda que “o contínuo aumento na América do Sul é surpreendente, tendo em vista a falta de ameaças militares reais na maioria dos estados e a existência de necessidades sociais mais urgentes”, afirma Carina Solmirano, especialista em América Latina do projeto de Gasto Militar do Sipri, no resumo do relatório.

Além do Brasil, outro destaque na região é a Colômbia. O aumento é contínuo no país pelo menos desde 2001 – 72% no total. Os atuais US$ 10,7 bilhões gastos por ano são resultado de crescimento de 7,2% em 2010. A Venezuela, por sua vez, apresentou redução de 27,3%.

O gasto militar se refere a todo gasto de governo nas forças militares atuais e suas atividades, incluindo salários e benefícios, gastos de funcionamento, compra de armas e equipamentos, construção militar, investigação e desenvolvimento, administração central de comando e apoio. O gasto com armas, portanto, representa uma parte do total.

No mundo

A taxa de crescimento do gasto militar nos Estados Unidos desacelerou em 2010, ficando em 2,8%, comparado com a média de crescimento anual de 7,4% entre 2001 e 2009. No entanto, o aumento global, de U$$20,6 bilhões de dólares, em 2010 se deve quase inteiramente aos Estados Unidos, cuja parte representou US$19,6 bilhões de dólares.

Os EUA aumentaram seu gasto militar em 81%, desde 2001, e agora representa 43% do total global, ou seja, seis vezes mais que o segundo lugar, a China. “Os Estados Unidos representam a carga militar mais alta fora do Oriente Médio”, afirma o Dr. Sam Perlo-Freeman, chefe do projeto de Gasto Militar do Sipri, no resumo do relatório.

Na Europa, onde o gasto militar caiu 2,8%, os governos tiveram que cuidar de seus altos déficits orçamentários, implementando, previamente, uma série de pacotes de estímulo em 2009. Mesmo sem ter enfrentado grande recessão nos últimos anos, o crescimento econômico nos países da Ásia desacelerou em 2009, enquanto o gasto militar continuou crescendo mais rápido. No Oriente Médio, o gasto chegou a US$ 111 bilhões em 2010, aumento de 2,5%. O líder da região é a Arábia Saudita.

Fonte: Agência Adital

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