Oficina do Cebrapaz em Fortaleza: Construindo uma Cultura de Paz

Com o objetivo de qualificar formadores de opinião e militantes voltados para o tema Paz e Direitos Humanos, o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta Pela Paz (Cebrapaz) realizou no último final de semana, nos dias 30 e 31 de julho, em Fortaleza, a Oficina de Formação “Construindo uma Cultura de Paz” — a primeira de uma série prevista para 12 capitais brasileiras e Distrito Federal.

Leia também:
RS fortalece luta pelos direitos humanos e pela paz

Essas atividades contam com o apoio da Secretaria dos Direitos Humanos do Governo Federal e do Programa Balcão de Direitos Humanos, a partir dos princípios estabelecidos pela ONU de educação para a paz.

A oficina foi animada por conferências e debates que envolveram palestrantes e alunos. Iniciada na manhã de sábado, estendeu-se até a tarde do domingo, tratando de variados subtemas pertinentes à realização da paz no plano internacional, brasileira, regional e local.

A oficina

O primeiro tema coube à professora Sandra Costa, membro da Direção Nacional do Cebrapaz, que abordou o histórico do Conselho Mundial da Paz; a luta pela paz no mundo e no Brasil desde 1949; e a visão de paz como Direito Humano, exemplificando as ações adequadas à defesa da humanidade, dos países e dos povos ameaçados pela violência e posições belicistas dos Estados Unidos e agressividade refletida na presença de bases militares e frotas espalhadas pelo planeta.

O segundo módulo foi desenvolvido pela psicopedagoga Ruth Cavalcante, que experimentou uma rica vivência com os participantes, centrada nas questões da sociabilidade, valores humanos, respeito ao próximo e quanto à boa convivência em sociedade — tratando-os nas amplas circunstâncias que envolvem o ambiente familiar, a casa, vizinhos, amigos, colegas, na busca comum da paz e dos direitos humanos requeridos pelo processo civilizatório contemporâneo.

No terceiro módulo, Peregrina Capelo, professora de Sociologia da Universidade Federal do Ceará, abordou as questões relacionadas à diversidade racial e social dos negros, índios, caboclos, dos portadores de deficiência e das classes e camadas sociais, sob o princípio da igualdade na ONU (Organização das Nações Unidas) e na constituição brasileira e da visão de ações voltadas para o combate à discriminação. Peregrina fez um circunstanciado relato e desenvolveu o debate sobre a vida concreta da sociedade rural e urbana — enfatizando a vida do povo e suas vicissitudes na capital e no sertão.

No módulo seguinte, o sociólogo, escritor e jornalista Luiz Carlos Antero discorreu sobre o tema Paz, Direitos Humanos e Mídia. O palestrante, a partir dos textos publicados no Portal Vermelho e na revista Nordeste XXI (edições 22 e 24 – “O Terror da Mídia é o Controle Social”) produziu reflexões acerca das controvertidas situações que envolvem hoje os meios de comunicação, a cultura da paz e da desigualdade. Desde o exame do secular e contraditório processo da formação econômica e social do Brasil, esclareceu as circunstâncias contemporâneas que determinam o papel da grande mídia, as vulnerabilidades do seu monopólio e a vocação emergente da sociedade e de seus meios alternativos.

Depois foi a vez do advogado Hélio Leitão, ex-presidente da OAB-CE, que elaborou uma circunstanciada análise da progressiva e cumulativa da evolução do Direito em suas diversas gerações e seu enquadramento no processo de globalização, percorrendo as questões do Direito dos povos à paz; as declarações e pactos universais sobre paz e direitos humanos, o funcionamento desses acordos; a interpretação diferenciada de regras na perspectiva universal — que valem para alguns países mas não se aplicam a outros.

O último módulo foi abordado pela palestrante Mônica Martins, professora da Universidade Estadual do Ceará e do Observatório das Nacionalidades, que discutiu as complexas relações nacionais sob o tema “Estrangeiros: os de fora aqui e nós lá fora”. Mônica discorreu sobre a tradição brasileira de receber estrangeiros desde D. Pedro II; a atualidade interativa que envolve os vizinhos latinos, os asiáticos, o trabalho semi escravo; as ações voltadas para a superação das dificuldades que se interpõem à marcha civilizatória da humanidade.

A oficina foi concluída com uma avaliação panorâmica e o desenvolvimento de um balcão de ações, preparado a partir das reflexões dos grupos que debateram as possibilidades de atuais e futuras atividades sustentadas nos conteúdos dos diversos módulos. O momento culminante da dinâmica de grupo centrou-se na avaliação da metodologia construída e proposta de ações para o desdobramento do programa local e contribuições desenvolvidas naturalmente para sua implementação nos demais estados e suas capitais.

Participação e opinião

Os resultados da oficina ganham materialidade no depoimento de uma de suas participantes. Segundo a universitária Flaviene Vasconcelos, o debate da luta pela paz na ordem do dia. “No momento em que assistimos os Estados Unidos espalhando suas bases militares pela América Latina, renovando sua decisão de impor a Cuba um vergonhoso bloqueio econômico, além da manutenção do centro de torturas de Guantánamo e reativação da IV Frota para nos ameaçar nas águas do Atlântico, verificamos ações que se configuram como ameaça à soberania de todo o continente. Sensibilizar mais pessoas e chamar à atenção para essa questão pode ser a única forma de nos proteger do imperialismo estadunidense”.

Teresinha Braga Monte, coordenadora do Cebrapaz no Ceará, evento foi de grande importância. “Encontros como esse fortalecem a entidade, abrem novas perspectivas e permitem que ampliemos nosso relacionamento no estado. Cumprimos nosso objetivo de formar novos multiplicadores”.

A médica destacou ainda a grande participação dos inscritos. “Fizeram parte da oficina pessoas de diversos segmentos: jovens, mulheres, sindicalistas, lideranças populares, intelectuais. Aprofundamos a temática da paz em seus vários aspectos, com pessoas da mais alta importância no campo da intelectualidade cearense. A oficina contribuiu para a consolidação da entidade e abriu perspectivas de multiplicarmos esse encontro também no interior do estado e, na capital, formar novos núcleos da paz, ampliando esse movimento que é um dos mais significativos para uma sociedade justa e fraterna”, avalia.

As demais oficinas acontecerão em Vitória (ES); Belo Horizonte (MG); Belém (PA); Manaus (AM); Curitiba (PR); Porto Alegre (RS); Salvador (BA); Goiânia (GO); Brasília (DF); Rio de Janeiro (RJ); São Paulo (SP); e Rio Branco (AC).

De Fortaleza,
Luiz Carlos Antero
 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s