Líder mapuche preso denuncia armação contra seu povo

O líder mapuche Héctor Llaitul denunciou que as acusações que apontam a CAM (Coordenadora Arauco Malleco) como responsável pelos incêndios no Chile são na verdade uma montagem para justificar o uso da lei antiterrorista contra os povos originários da região.

Llaitul, condenado à prisão pela justiça chilena depois de um processo no qual foi aplicada a referida legislação, recusou energicamente as insinuações que apontam a CAM como autora do incêndio de Carahue, na região da Araucanía, onde morreram sete bombeiros.

“Estamos diante de uma montagem para justificar a aplicação da lei antiterrorista às comunidades mapuches em conflito, ao movimento mapuche autônomo e em particular à CAM”, enfatizou Llaitul, principal dirigente desse agrupamento que reivindica os direitos ancestrais dos povos indígenas e em particular a recuperação de suas terras.

Tal estratégia, acrescentou em um comunicado divulgado no Chile pela Rádio Bío Bío, “busca consolidar dita lei como uma ferramenta válida para enfrentar também os movimentos estudantis e sociais chilenos, antecipando-se num ano em que se vislumbram maiores mobilizações e lutas”.

Llaitul lamentou a morte dos bombeiros e comentou que se tratam de pessoas pobres, obrigadas a trabalhar em condições deploráveis, com salários miseráveis, sem as mínimas medidas de segurança. Além disso, segundo o líder mapuche, os bombeiros foram enviados para defender os interesses de uma das famílias mais ricas do Chile.

O líder ainda acusou os empresários florestais da região pela morte dos bombeiros. “O mesmo empresariado que usurpa o território ancestral mapuche”, completou.

As declarações de Llaitul ocorreram depois que o ministro do Interior, Rodrigo Hinzpeter, afirmou que a CAM poderia estar por tràs dos incêndios que atingiram Carahue.

Posteriormente, o governo se desvinculou de uma acusação direta contra os mapuches, mas manteve a desconfiança de que os focos de incêndio teriam sido criados de forma criminosa.

Críticas

O governo chileno recebeu duras críticas da oposição por conta das declarações e também pela tentativa de uso da lei antiterrorista.

“Claramente não são dados os elementos e requisitos para aplicar a lei antiterrorista e o que se está fazendo é gerar maiores tensões na Araucanía”, opinou o senador do opositor Partido pela Democracia, Jaime Quintana.

Fonte: Prensa Latina 

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