Argentina quer decretar bloqueio aéreo às ilhas Malvinas

O governo argentino estuda, como último recurso caso o governo do Reino Unido siga recusando a negociar a soberania das Ilhas Malvinas, a articulação de um bloqueio aéreo sul-americano ao arquipélago. A medida também é cogitada caso os britânicos decidam aumentar seu contingente militar na região, como já ocorreu. A informação foi divulgada na edição deste domingo (23) do jornal argentino Perfil.

 De acordo com a publicação, o Ministério das Relações Exteriores argentino mantém reuniões reservadas e em todos os níveis de governo para conseguir impedir o traslado de aviões do Chile às ilhas, que ocorre uma vez por semana. A última delas teria ocorrido nesta sexta-feira (20).

De acordo com o depoimento de um diplomata de alta patente ao jornal, a retomada das negociações com os britânicos é um objetivo prioritário de Cristina Kirchner em seu segundo mandato.

Para a diplomacia argentina, a recente declaração do premiê David Cameron sobre a disputa territorial foi altamente positiva. Ele chamou os argentinos de “colonialistas” por reivindicar a soberania das ilhas contra a vontade da população local. Foi uma reação à decisão dos outros três países integrantes do Mercosul (Brasil, Argentina e Paraguai), além do Chile, de proibirem a entrada de navios com bandeira das Malvinas em seus portos. O Peru deve adotar a restrição na próxima semana.

“Se os ingleses continuarem a reagir desta forma ante o nosso pedido, o corte dos voos não será aplicado, porque eles mesmos estão colocando o tema em pauta na imprensa mundial. Estão jogando a nosso favor”, disse a fonte. “Temos que ver se eles decidirem reforçar a militarização das ilhas. Aí, veremos.”

Obstáculos

A possibilidade de isolar as ilhas de contato aéreo, no entanto, é um assunto delicado. Em primeiro, porque ela isolaria quase por completo os cerca de três mil habitantes da região, os kelpers, que juram lealdade à bandeira britânica e não querem a nacionalidade argentina. Em segundo, porque ela envolveria o Chile, em uma esfera que nem o governo, se quisesse, poderia intervir. “A LAN (principal empresa aérea do país e que realiza voos semanais às ilhas) é privada. Não podemos forçá-la a proibir suas rotas”, diz o deputado chileno Jorge Tarud, da aliança Concertação, ao Perfil. Grande parte dos produtos farmacêuticos, editoriais, insumos de turismo e de tecnologia chega a bordo dos aviões da companhia.

Por isso, as opções argentinas se resumiriam a impedir que as aeronaves passem por seu espaço aéreo ou dialogar com as autoridades da empresa para que o cancelamento dos voos ocorra de maneira “voluntária”. A fonte diplomática não confirma nem nega que o governo argentino trate do tema com a companhia.

O ano de 2012 marca o trigésimo aniversário da Guerra das Malvinas, quando a junta militar que comandava o país (na época presidida pelo general Leopoldo Gualtieri) invadiu o pequeno arquipélago em abril. Foi derrotado em três meses, o que contribuiu para a derrocada da ditadura civil-militar do país (1976-1983). Cristina, que condena a opção armada e sempre se opôs ao antigo regime militar, quer aproveitar a posição argentina de presidente rotatória do Mercosul para continuar a lograr êxitos diplomáticos na questão da soberania, quando buscará uma opinião de consenso na Unasul (União das Nações Sul-Americanas).

Fonte: Ópera Mundi

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