Argentina denunciará Reino Unido à ONU por militarização do Atlântico Sul

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, afirmou nesta terça-feira (07/02), que o chanceler de seu país, Héctor Timerman, denunciará a militarização do Atlântico Sul por parte do Reino Unido ao Conselho de Segurança e à Assembléia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em meio à disputa pela soberania das ilhas Malvinas.

 

“Mais uma vez, estão militarizando o Atlântico Sul. Não podemos interpretar de nenhuma outra maneira o envio de um destróier [navio de guerra] acompanhando o herdeiro real”, disse, em referência ao príncipe William, que chegou às ilhas na semana passada para a realização de exercícios militares como piloto de caça da força aérea britânica.

Discursando em frente a uma bandeira das Malvinas com as cores da bandeira argentina, Cristina Kirchner classificou a atitude inglesa como “irresponsável” e um “grande risco para a comunidade internacional”, afirmando que este território não pode ser tratado como um “troféu de guerra”.

“Que ninguém espere que façamos algo fora da política e da diplomacia. Somos gente que sofreu demais a violência em nosso país, não nos atraem os jogos das armas e das guerras”, disse ela, reforçando a posição pacífica do atual governo argentino na reivindicação pela soberania das ilhas, que estão sob domínio britânico desde 1833.

“Peço ao primeiro ministro [David] Cameron, que dê, pela primeira vez, uma chance à paz e não à guerra”, afirmou a presidente argentina, que também criticou a “exploração pesqueira e petroleira das ilhas [pelo Reino Unido], sem nenhum tipo de controle”. “É um anacronismo que no século 21 ainda mantenham colônias”, disse.

Abertura

As declarações de Cristina foram feitas após Cristina Kirchner a assinatura de um decreto que determina a criação de uma comissão para a abertura e conhecimento público do Informe Rattenbach, documento elaborado por ordem do ditador Reynaldo Bignone, em dezembro de 1982, meses após a finalização da Guerra das Malvinas, há 30 anos.

Nunca publicado oficialmente, o Informe Rattenbach foi o resultado de uma investigação sobre o desempenho das Forças Armadas argentinas durante guerra no Atlântico sul. O documento estava, até então, mantido em sigilo sob a classificação de “segredo político e militar”, e recomendava penas graves para os responsáveis pela guerra, segundo trechos vazados na imprensa da época.

De acordo com o novo decreto, tanto o informe, como os documentos anexos e as fontes consultadas serão de conhecimento público, à medida que não apresentarem riscos para a segurança nacional e as relações exteriores, critérios que serão avaliados por uma comissão formada pelos ministérios de Defesa e Relações Exteriores, e presidida pelo coronel Augusto Benjamin Ratttenbah, filho do relator do documento original.

Cristina Kirchner também anunciou que a partir de março, os ex-combatentes argentinos que participaram da guerra das Malvinas receberão tratamento para distúrbios psicológicos, mencionando os numerosos suicídios de veteranos argentinos que, 30 anos depois, não receberam o auxílio adequado após participar do combate.

Para presenciar o anúncio, a Casa Rosada convidou dirigentes opositores, sindicais, parlamentares e representantes de organizações de direitos humanos. Integrantes de associações de veteranos da guerra nas ilhas também compareceram ao evento, levantando bandeiras azul e brancas e cantando “Malvinas Argentinas”, durante a entrada de Cristina no salão.

Escalada

A tensão entre Reino Unido e Argentina pela soberania do arquipélago aumentou nas últimas semanas, com a proximidade do aniversário de 30 anos da guerra. Desenrolado entre abril e junho de 1982, o combate terminou com a rendição argentina e resultou na morte de 255 soldados britânicos, 649 argentinos e três residentes das ilhas.

Há duas semanas, Cameron informou ao Parlamento que tinha convocado o Conselho Nacional de Segurança para tratar a situação no Atlântico Sul e acusou a Argentina de “colonialismo” por reivindicar a soberania das ilhas.

Para Cristina Kirchner, a reivindicação pela soberania das Malvinas “deixou de ser uma causa argentina para ser uma causa americana, uma causa global”. “Esta é uma das nossas maiores conquistas”, afirmou, sobre o apoio demonstrado recentemente por países latino-americanos, que, segundo ela, se deve a que estes veem no domínio inglês “uma potencialidade do que pode acontecer”.

Em dezembro, os países do Mercosul – Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai – decidiram bloquear a entrada em seus portos de navios com bandeira das Malvinas. No último fim de semana, os integrantes da Alba (Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América), também aprovaram o apoio do grupo à reivindicação de soberania sobre as Ilhas Malvinas.

Hugo Chávez afirmou que se o “Império Britânico” agredir a Argentina, o país não estará sozinho. O equatoriano Rafael Correa chegou a propor que a Alba imponha sanções à Inglaterra frente às recusas britânicas em dialogar sobre a disputa pelo arquipélago. Nicarágua, Cuba, São Vicente e Granadinas, Dominica e Antígua e Barbuda também aderiram à decisão de impedir a entrada de navios com bandeira das ilhas Malvinas em seus portos.

O chanceler da Argentina, Héctor Timmerman, afirmou que a Grã-Bretanha já “entendeu que a Argentina não está sozinha”, lembrando do apoio de países da Celac (Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos), Unasul (União das Nações Sul-americanas) e Caricom (Comunidade do Caribe).

Fonte: Opera Mundi

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