Jornalista francês defende Farc: guerrilha quer saída negociada

O jornalista francês Romeo Langlois, que foi entregue nesta quarta-feira (30) após ser retido durante 33 dias pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), afirmou em coletiva de imprensa que as Farc “querem uma solução negociada ao conflito interno da qual participem outros países”.

Langlois disse que sua visão se mantém igual que antes de ter se entregado ao grupo armado. “O que lhes digo agora é o que pensava desde antes de ter me entregue. É necessário juntar muita gente e organizações para solucionar este problema”.

O jornalista francês, que esteve em cativeiro, explicou que as Farc enviaram uma carta ao presidente Francois Hollande. “As Farc enviaram uma carta ao presidente Francois Hollande. De fato, me pediram opinião a respeito do conteúdo desta carta. Eu tive autoridade para lê-la. Por razões óbvias não posso falar sobre o conteúdo desta carta a Hollande, a menos que as Farc e o presidente Hollande estejam de acordo”.

Langlois também detalhou que no momento de sua entrega às Farc se recordou que o compromisso do grupo é conseguir um país melhor “me falaram de sua luta e do chamado que fazem aos países do mundo a ajudar a Colômbia a conseguir com franqueza uma solução negociada ao conflito interno, nada diferente do que leram ontem (terça-feira, 29) no comunicado”, afirmou.
O comunicador francês afirmou que é necessário “baixar o tom à polêmica. Esta sempre é necessária, o importante hoje é resolver o conflito” e lamentou que na Colômbia haja “muito ódio de ambos os grupos”.

Em coletiva de imprensa o comunicador afirmou que a guerrilha ia entregá-lo após dois dias “mas ao ver a revolta causada decidiram retê-lo mais para fazer política”.

Afirmou que “eles (Farc) querem a paz, mas não vão ser comprados com “entreguem as armas” e um sermão e pronto, por isso vai ser complicado para a Colômbia e para a sociedade” conseguir um acordo de paz. As Farc “estão preparadas para seguir a guerra por mais 50 anos. Querem uma paz negociada, mas não confiam no governo nem no Exército”, apontou.

Destacou que a guerrilha colombiana deixou claro que a imprensa não é inimiga nem é objetivo militar e agradeceu que lhe tenham pedido desculpas “no dia da minha entrega me pediram desculpas pela lesão no braço e por tratar-me a princípio como prisioneiro de guerra”.

Outro mundo

O jornalista fez um chamado aos meios de comunicação para que penetrem nos povoados esquecidos da Colômbia e contem o que os campesinos vivem. “Você vai lá e é outro mundo porque os campesinos dizem coisas que não se vê na televisão, dizem que o Exército é terrorista”.

Apontou que os meios apresentaram uma versão “light” deste conflito “e este conflito é muito duro”. “Os campesinos me repreenderam e me disseram ‘vocês dos meios não dizem a verdade, digam a verdade, o Exército chega aqui coloca em nós vestimentas militares e nos matam’”, acrescentou Langlois.

Afirmou que para a imprensa nacional e internacional o conflito armado vivido pela Colômbia está muito esquecido e lamentou que “para que Caquetá saia nos meios tenha que acontecer um sequestro”.

Langlois, de 35 anos, viajava em um helicóptero do Exército colombiano, em 28 de abril, para realizar uma reportagem sobre o narcotráfico na região. De acordo com a imprensa colombiana, a aeronave aterrissou em um campo minado e aconteceu um enfrentamento entre tropas do Exército e as Farc que culminou na entrega voluntária de Langlois.

Fonte: TeleSUR
Tradução: Adital

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