Organizações manifestam apoio ao processo de paz na Colômbia

Na última terça-feira (4), diversas organizações sociais e políticas reuniram-se no Rio de Janeiro para debater o processo de paz que ocorre na Colômbia.

Leia abaixo a íntegra do manifesto em apoio aos Diálogos de Paz:

Manifesto de solidariedade com o processo de paz na Colômbia e com o movimento Marcha Patriótica

A partir do Rio de Janeiro, as organizações sociais e políticas que acompanhamos solidariamente o processo da Marcha Patriótica da Colômbia entendem a importância que tem, para o povo colombiano e para toda a América Latina, o início do processo de diálogos de paz entre o governo daquele país e as Farc-EP, por isso recebemos com entusiasmo a vontade de ambas as partes envolvidas nessa empreitada.

É necessário que haja uma real vontade de paz, com justiça social, como expressado pela Marcha Patriótica, já que o fim da guerra, que existe há mais de cinco décadas na Colômbia, não será possível apenas pelo silenciamento dos fuzis, mas apenas quando forem atendidas suas profundas raízes políticas, sociais e econômicas, para superar – dentre outras – a situação de mais de vinte milhões de colombianos/as que vivem na pobreza, e os mais de oito milhões que vivem na indigência, em um país que tem quarenta e seis milhões de habitantes.

Para que exista paz com justiça social, é fundamental também que seja garantida a soberania nacional e a autodeterminação do povo, porque sabemos da histórica ingerência político-militar e econômica dos Estados Unidos sob a falaciosa luta contra o narcotráfico e o terrorismo, o qual não só afeta à Colômbia, mas a toda a região.

Consideramos que o êxito do processo passa pelo necessário cessar-fogo durante os diálogos, para o qual devem se comprometer tanto o governo colombiano quanto as Farc-EP. Neste ponto, reconhecemos como sendo valiosa a iniciativa, por parte dessa guerrilha, de um cessar-fogo unilateral durante dois meses, já que é o povo quem realmente sofre, em sua vida cotidiana, as consequências diretas e indiretas da inclemência da guerra.

Por outro lado, somos conscientes dos mais de cinco mil assassinatos de membros do partido União Patriótica, como dos duzentos mil desaparecidos, os nove mil presos políticos e de tantos exilados nos últimos 25 anos, assim como das perseguições e assédios contra o Movimento Político e Social Marcha Patriótica, que data do período do seu lançamento, em abril desse ano. Por isso, fazemos um chamado ao governo colombiano para oferecer as garantias necessárias da participação política para essa organização; também destacamos a necessidade de restabelecer os direitos políticos da ex-senadora Piedad Córdoba, e permitir a ampliação do diálogo para o conjunto do movimento social e popular, quem farão aportes importantes nesse processo de paz.

Manifestamos todo o nosso respaldo e que seguimos acompanhando o conjunto do movimento social e popular da Colômbia, na sua iniciativa para participar de maneira ativa nos diálogos de paz. Afirmamos que reconhecemos na Marcha Patriótica um dos atores chave para este processo, dada a sua capacidade para congregar diversas forças sociais e políticas, assim como sua plataforma claramente democrática, em termos políticos e econômicos.

Como organizações democráticas de trabalhadores urbanos e camponeses do Brasil, jovens, estudantes, favelados, comunicadores alternativos, mulheres, negritudes, dentre outras, nos comprometemos a acompanhar e expressar a plena disposição para assumir concretamente a solidariedade com o processo de paz na Colômbia.

Afirmamos que a luta do povo colombiano por sua segunda e definitiva independência é a luta de todos e todas que somos internacionalistas, na América Latina e no mundo. Estaremos juntos na construção de todas as iniciativas que permitam ao povo brasileiro conhecer a realidade social colombiana e as lutas daquele povo.
No Brasil também estamos na Marcha pela paz da Colômbia.

Rio de Janeiro, 4 de dezembro de 2012.

Organizações que assinam o manifesto:

Associação Cultural José Martí (ACJM)
Associação Estadual das Comunidades Remanescentes de Quilombos Brigadas Populares Câmara Comunitária Rocinha
Casa da América Latina Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB)
Centro Acadêmico de Serviço Social José Paulo Netto – (CASS-UFRJ)
Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz)
Coletivo Bonde da Cultura Coletivo Intervozes Coletivo Serviço Social Crítico – Rio de Janeiro
Comité de Solidariedade à Luta do Povo Palestino
Confederação Nacional das Associações de Moradores (CONAM)
Consulta Popular Encontro Sindical “Nuestra América” (ESNA)
Federação Metalúrgica dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (FIT-Metal – Brasil)
Federação Sindical Mundial (FSM) – Sub-região do Cone Sul
Frente Negra Afro-latina Levante Popular da Juventude – RJ Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD)
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)
Movimento dos Trabalhadores Sem Teto Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM)
Noticiário Latino-americano da Radio Santa Marta
Partido Comunista Brasileiro (PCB)
Partido Comunista do Brasil (PCdoB)
Sindicato – Associação dos Docentes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Adufrj)
Sindicato dos metalúrgicos do Rio de Janeiro
Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro)
TV. Memoria Latina União da Juventude Comunista (UJC)
União da Juventude Socialista (UJS)
União de Negros pela Igualdade (UNEGRO)
Unidade Classista
Visão da Favela

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