Ato em São Paulo mostrou solidariedade a Maduro

19 DE FEVEREIRO DE 2014 – 19H34 

Ato pró Maduro: “Golpista, recua. O poder popular tá na rua”

 

Cerca de cem pessoas, representando movimentos sociais, partidos políticos e entidades de esquerda se reuniram, nesta quarta-feira (19), diante do Consulado da Venezuela em São Paulo em um ato em apoio à Revolução Bolivariana e em solidariedade ao presidente Nicolás Maduro e ao povo venezuelano. Do ato convocado pela direita, para o mesmo local, mas contra o chavismo, compareceram apenas seis pessoas.

Por Vanessa Martina Silva, do Portal Vermelho

 

“Recua, golpista, recua. O poder popular tá na rua”. As palavras de ordem entoadas pelos jovens que festivamente ocuparam a rua em frente à embaixada deram o tom do ato desta quarta (19). Acuados, os manifestantes pró-Maduro apenas conseguiram gritar ofensas e acusações infundadas contra a Venezuela, Cuba e o governo Dilma. Os chavistas no entanto, cantaram a Internacional Comunista, e, entre outros gritos de guerra, parodiaram um funk: “Respeita o moço! Patente alta, Maduro, bigode grosso”.

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Á esquerda da imagemm na calçada, grupo contra o governo de Nicolás Maduro| Foto: Vanessa Martina Silva

Para o secretário de Relações Internacionais do PCdoB, Ricardo Alemão Abreu, o ato foi importante porque “demonstrou que no Brasil a militância está alerta, consciente de que o que está em jogo é a democracia não só na Venezuela, como também no Brasil e em outros países da América Latina” e acrescentou: “na América Latina há uma contraofensiva da direita e um grande desafio para nós brasileiros porque quem está aqui hoje é na maior parte lideranças. Temos o desafio de convencer a maioria do povo”, defendeu.

O golpe da direita

“O que o país está atravessando é um golpe e é essencialmente contra Maduro, um governo legítimo. Desde o ano passado estão sendo realizados uma série de atos para desestabilizá-lo, o que é inegável diante da sabotagem”, disse o diplomata venezuelano referindo-se às reiteradas denúncias do governo de que setores dominantes da economia escondem alimentos em galpão para criar uma crise de abastecimento no país. 

No mesmo sentido, o deputado estadual pelo PT, Adriano Diogo, pontuou que “há uma ofensiva para enfrentar a esquerda em toda a América Latina, com comando nos Estados Unidos e na Colômbia. Acusam Maduro pela falta de gêneros alimentícios e isso já ocorreu na América Latina com Salvador Allende [ex-presidente do Chile], precedido por um golpe do setor patronal. No Brasil diariamente é armado um golpe contra Dilma e a democracia. Então este processo na Venezuela está sendo suficientemente didático para que as pessoas que acreditam na luta percebam que há um divisor de águas”, declarou enfatizando que esta luta não é só da Venezuela.

altOs motivos da esquerda

“Estamos aqui porque somos favoráveis ao internacionalismo proletário. Na Venezuela o povo chegou ao poder a partir da eleição de Hugo Chávez em 1998. Para nós, a Venezuela é o bastião da classe trabalhadora e por isso tem que ser defendida. O Brasil se mostra cada vez mais está próximo politicamente da Venezuela. A solidariedade do Brasil é também uma garantia de que nosso processo irá cada vez mais à esquerda”, manifestou Diego “Moscou”, membro do jornal Inverta.

Por sua vez, o secretário de políticas sociais da CTB, Rogério Nunes, explicou que a “CTB defende Maduro porque ele representa a verdadeira aspiração do povo venezuelano contra a ingerência de reacionários em conluio com a embaixada dos Estados Unidos e reconhece que do ponto de vista político este governo atende aos interesses dos trabalhadores”.

A ingerência estadunidense

“Está claro que os Estados Unidos não suportam um país com a autonomia da Venezuela. Um país que está acima de uma das maiores reservas de petróleo do mundo. Estes fatos [na Venezuela] ocorrem justamente em um momento em que vários países se tornam independentes politicamente. Isso reflete a crise dos Estados Unidos e o desespero deles porque em momentos assim eles partem para o tudo ou nada. Não considero que pode haver um golpe de fato porque o povo e o governo estão organizados para enfrentá-lo. O povo está consciente, na rua, então não vão atingir o governo”, defendeu Susana Lischinsky, dirigente nacional do Partido Pátria Livre.

“O que fazem hoje na Venezuela é igual o que fazem em Kiev, Bangkok, Damasco, Quito e chegarão ao Brasil. Por isso estamos defendendo a democracia e o governo brasileiros também porque se trata de uma estratégia orquestrada internacionalmente e que tem até cartilha da CIA, envolve ONGs e entidades que financiam estes movimentos, então a defesa não é só de Maduro, mas da democracia, da legitimidade do governo constitucionalmente eleito pelas forças populares.”, afirmou o membro do Comitê pelo Estado da Palestina, Lejeune Mirhan.

Assim, para Thomás Toledo, do Cebrapaz, “o que vemos não é um fato isolado. Assistimos a operações para mudança de regime no Oriente Médio, com destaque para a Síria, no leste europeu agora com a Ucrânia. Como na Ucrânia, na Venezuela os Estados Unidos estão dispendendo somas vultuosas de dinheiro para manipular informação e contratar grupos de franco-atiradores para criar uma situação de caos que justifique uma ação estrangeira mais agressiva”.

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Ato contou com a presença de diversos movimentos sociais e partidos políticos| Foto: Vanessa Martina Silva


O venezuelano Orlando Machado, integrante da Juventude Trabalhadora Católica denunciou ao Portal Vermelho a situação que vive seu país: “estamos denunciando os atos fascistas de setores universitários que têm interesses burgueses; as ONGs e outras organizações financiadas com capital estadunidense que se mobilizam para criar medo, violência e desestabilização; e ressaltamos a forte manipulação midiática que tenta desgastar o governo do presidente Nicolás Maduro”, pontuou.

As razões do povo

“O povo venezuelano lutou para que este governo estivesse lá, percebemos as mudanças no país. Ele erradicou o analfabetismo, deu moradia para as pessoas e se não tivesse uma direita articulada, o governo ainda faria mais. Então esta direita atende ao interesse burguês de destruir o que já foi construído, por isso todos os povos têm que se somar e lutar junto pelo povo venezuelano”. Marilene Camargo, milita no movimento por educação e no Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST).

Já o vice-presidente da União da Juventude Socialista (UJS) de São Paulo, Renan Alencar, considerou que “sempre que a América Latina se levanta o imperialismo tenta organizar uma contraofensiva. O que a direita não aceita é que o povo tome o protagonismo e as rédeas do processo. No Brasil estamos vigilantes para dizer que aqui estamos solidários não somente com Maduro, mas com o povo que decidiu continuar o processo democrático na Venezuela. Porque se os conservadores não aceitam [este governo], terão que ir às ruas derrotar este processo”.

Matéria original do Portal Vermelho

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