Reconciliação nacional significa o fortalecimento do povo palestino

Na semana passada, a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e o partido Hamas, que governa a Faixa de Gaza, assinaram o esperado acordo de reconciliação, para finalizar o período de sete anos de divisão entre os principais partidos políticos palestinos. O acordo garante uma data para as novas eleições, que podem ocorrer em seis meses, conforme avançado pela Autoridade Nacional Palestina. 

O documento final dos diálogos de reconciliação busca finalizar o longo período desde que os confrontos entre as diversas facções políticas dividiu a Palestina, fratura intensificada com o bloqueio militar que Israel impôs à Faixa de Gaza. A divisão, que também resultou na saída do Hamas da OLP, enfraqueceu os palestinos, como reconhecem as autoridades em várias linhas políticas, que enfatizam a sua superação como um ponto central para o interesse nacional.

É caricata e frequente a tentativa do governo israelense de minar a reconciliação. No caso do último acordo assinado, a reação do regime de ocupação e opressão foi a suspensão definitiva das negociações, o que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu justificou com a alegação usual de que foram os palestinos os que rechaçaram a paz, embora o período de nove meses estabelecido para a nova rodada de negociações se esgote sem qualquer avanço para o fim da ocupação e para a libertação da Palestina.

Com o acordo nacional, a OLP e o Hamas comprometem-se om os princípios da reconciliação, já estabelecidos pelo Acordo do Cairo e pela Declaração de Doha, resultados das rodadas anteriores nos diálogos, mediados pelo Egito e pelo Catar. O acordo também prevê a formação de um governo de unidade dentro de cinco semanas e enfatiza a necessidade de reativação do Conselho Legislativo, o parlamento palestino, suspenso desde as eleições de 2006, devido ao conflito interno e à prisão de alguns parlamentares por Israel.

A representação do Fatah (partido à frente da Autoridade Palestina) afirmou que nenhum dos lados aceitará a retomada das negociações com Israel sem diretrizes concretas, e que os diálogos, relançados em julho e previstos para terminarem em 29 de abril, só foram suspensos devido à intransigência de Israel e à tendenciosidade dos EUA, historicamente negligentes frente à expansão da ocupação israelense sobre a Palestina.

Os Estados Unidos – que se apresentam como mediadores das negociações com Israel, embora anunciem publicamente a sua aliança com o governo israelense – já reagiram ao acordo, advertindo que “o novo governo deve reconhecer Israel, renunciar à violência e cumprir os compromissos assinados pela OLP,” embora as mesmas ressalvas não sejam feitas à política de opressão e ocupação avançada pelo regime sionista de Israel, o que garante a sua perpetuação, com base na violação sistemática dos direitos mais básicos dos palestinos, a começar pelo seu direito à autodeterminação. 

O passo dado na reconciliação nacional é histórico e uma medida de fortalecimento imprescindível para os palestinos, que chegam ao fim das negociações com Israel sem qualquer avanço significativo da diplomacia para a sua independência, mas que consolidam alternativas importantes, como a adesão a dezenas de convenções internacionais relevantes, para o avanço da sua justa causa pela libertação e para a responsabilização do regime sionista israelense pelos crimes que perpetra diariamente contra os palestinos.

Por Moara Crivelente, membro do Cebrapaz – São Paulo.

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