Entidades brasileiras manifestam apoio aos presos palestinos em greve de fome

Organizações sociais brasileiras, partidos políticos e movimentos palestinos no Brasil decidiram criar, em 19 de maio, a Campanha Brasileira de Solidariedade aos Presos Políticos Palestinos. Com bandeiras da Palestina, a campanha esteve no grande ato em São Paulo, no dia 21. Lançou também o manifesto com que pretende “divulgar e apoiar a causa justa dos presos políticos palestinos em greve de fome” e exige que Israel “cumpra as Resoluções da ONU sobre a Questão Palestina, como a Resolução 194, que assegura o direito de retorno dos refugiados”. Leia a íntegra do documento a que o Cebrapaz também adere.

PRESOS POLÍTICOS PALESTINOS

MANIFESTO EM SOLIDARIEDADE AOS PRESOS POLÍTICOS PALESTINOS EM GREVE DE FOME

São Paulo, Brasil, 22 de maio de 2017.

Desde o dia 17 de abril cerca de 1580 presos políticos palestinos estão em greve de fome, lutando por liberdade, pela libertação imediata dos doentes, dos mais idosos, das mulheres e das 300 crianças. Também exigem tratamento digno, direito de estudar e de receber visitas de seus familiares e o fim das detenções administrativas, uma herança da dominação britânica, onde ocorre a prisão por seis meses sem acusação, e podendo ser renovada, fato que dificulta a defesa do prisioneiro. O governo de Israel mantém nas prisões 6500 palestinos. São prisioneiros políticos, que lutaram contra o colonialismo israelense, contra a violência e a ocupação de suas terras, fato que teve início no dia 15 de maio de 1948, data que os palestinos chamam de “Al Nakba” (A catástrofe). Neste dia, grupos terroristas ligados ao movimento sionista (um movimento colonialista e racista) se uniram, deram um golpe de Estado, e proclamaram o nascimento do “Estado de Israel”. A Palestina estava ocupada pelo Império Turco-Otomano até 1918. Entre 1918 e 1948 foi ocupada pelas tropas britânicas.

Os presos palestinos lutam pela independência nacional, por soberania e autodeterminação, direitos assegurados pela Carta de fundação da Organização das Nações Unidas (ONU). Também lutam para que um dia exista paz, justiça e melhores condições de vida e de trabalho para todo o seu povo.

O governo de Israel é o campeão mundial em desrespeito aos direitos humanos e às Resoluções da ONU. Israel e sua política colonialista/expansionista nunca permitiu a existência do Estado da Palestina. Israel ocupou terras palestinas em 1948/1949 e em 1967. E continuou tomando território palestino nos anos 70, 80 e 90. Mesmo depois dos “Acordos de Oslo” (1993/1994), Israel continuou violando direitos, construindo assentamentos ilegais na Cisjordânia, expulsando palestinos e demolindo casas em Jerusalém, erguendo o muro da separação em terras palestinas. Jerusalém, a capital do Estado da Palestina, está ocupada pelo colonialismo israelense desde junho de 1967. Progressivamente, o Estado sionista avança sobre o povo palestino, cercando e isolando sua existência.

Os presos políticos palestinos são a expressão mais heroica de um povo que nunca abandonou a luta por uma pátria livre, justa, democrática e independente. Os prisioneiros sempre foram um exemplo de resistência e de unidade nacional contra o sionismo e o imperialismo, e sabem que para vencer Israel é preciso da participação coletiva e ativa de todo o povo e suas legítimas organizações. Eles unem o povo num único grito de justiça e liberdade.

Nós, brasileiros e brasileiras, membros de organizações da classe trabalhadora, de mulheres, de jovens e estudantes, membros de partidos políticos, sindicatos, movimentos populares e comitês de solidariedade, nos juntamos às entidades da comunidade árabe e palestina para divulgar e apoiar a causa justa dos presos políticos palestinos em greve de fome. Seguindo seu exemplo, nos unimos para criar a Campanha Brasileira de Solidariedade aos Presos Políticos Palestinos (CBSPPP), uma ação unitária que já está nas ruas.

Exigimos que a entidade sionista (ISRAEL) respeite e atenda as reivindicações dos prisioneiros. Exigimos que cumpra as Resoluções da ONU sobre a Questão Palestina, como a Resolução 194, que assegura o direito de retorno dos refugiados. Exigimos que retire imediatamente suas tropas para as fronteiras de 04 de junho de 1967 e que se retire de Jerusalém, terminando com 50 anos de ocupação militar. Exigimos a derrubada do muro da vergonha e o fim da política de genocídio, limpeza étnica e apartheid dos sucessivos governos israelenses contra o povo palestino. Israel e seus líderes devem responder por suas décadas de crimes. Exigimos o fim imediato do bloqueio a Gaza!

Vamos defender a vida dos prisioneiros palestinos em greve de fome. Israel quer a sua morte! Nós queremos que vivam com dignidade e conquistem, bravamente, sua liberdade. Nada, nem ninguém, pode deter a marcha de um povo pela sua libertação! A vitória virá, e juntos, em todo o mundo, vamos comemorar o fim do colonialismo, do racismo e do imperialismo em terras palestinas!

Contra o colonialismo israelense! Viva a luta do povo palestino!

O povo brasileiro apoia a greve de fome dos prisioneiros palestinos!

Campanha Brasileira de Solidariedade aos Presos Políticos Palestinos

Assinam o manifesto:

  • Associação Cultural José Martí (Baixada Santista)
  • Campanha Global pelo Retorno à Palestina (Brasil)
  • Campo Progressista Árabe
  • Cebrapaz – Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz
  • Centro Cultural Árabe-Palestino-Brasileiro de SP
  • Comitê de Solidariedade ao Povo Palestino ABCDMRR/SP
  • Comitê Democrático Palestino
  • CUT
  • Esquerda Marxista
  • Federação de Entidades Árabes-Palestinas do Brasil (Fepal)
  • Iniciativa Cultural “Palestina, Sanaúd-Voltaremos”
  • MST
  • PCB
  • PCdoB
  • PPL
  • Sindicato dos Professores do ABC
  • Sociedade Palestina de SP
  • União da Juventude Comunista (UJC)

Com informações do Portal da Resistência