No aniversário da guerra contra a Coreia, Socorro Gomes denuncia o papel dos EUA nas tensões atuais

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Para marcar o 67º aniversário da Guerra da Coreia (1950-1953), que consolidou a divisão da nação coreana e a ingerência militarizada por parte do imperialismo estadunidense, a presidenta do Conselho Mundial da Paz Socorro Gomes emitiu uma nota, nesta quinta-feira (29), em que alerta para a escalada das tensões na região. Socorro enfatizou, porém, que evitar a guerra cabe às forças da paz e ao reforço da luta anti-imperialista em todo o mundo. Leia o texto a seguir:

Arco da Reunificação, símbolo da Declaração Conjunta assinada pelos líderes coreanos em 15 de junho de 2000.

Nos 67 anos da guerra contra a Coreia, exigimos o fim da ingerência imperialista!

Há 67 anos, no dia 25 de junho, teve início a Guerra da Coreia, fruto da ingerência imperialista dos Estados Unidos na Península Coreana que resultou na divisão da Pátria. Uma nação inteira foi separada, famílias afastadas. Por décadas a fio se seguiram perseguições, ameaças de uma nova guerra e provocações militares que podem levar a região e o mundo a uma catástrofe generalizada. 

Após o armistício que suspendeu a guerra na Península Coreana em 27 de julho de 1953, a pendência de um acordo definitivo demonstra que a situação está longe de ser concluída. A República Popular Democrática da Coreia (RPDC) tem reafirmado sua disposição por um pacto de paz, mas esta nunca foi a intenção do imperialismo estadunidense, em sua sanha pelo controle geopolítico e geoestratégico de uma região que a política externa dos EUA só enxerga através das lentes deturpadas de seu próprio interesse de dominação. 

Em 25 de junho, marcando o aniversário de 67 anos da guerra, o Comitê Nacional Coreano da Paz, organização membro do Conselho Mundial da Paz (CMP), enfatizou a importância desta data para os eventos e para a conjuntura atual na região e no mundo. Lembrou também — esforço de memória que sublinhamos como necessário — que os EUA devastaram dezenas de cidades coreanas, lançando mais de 428 mil bombas apenas na capital da RPDC, Pyongyang, e mataram 1.231.540 pessoas, usando inclusive napalm. A violação brutal e flagrante do Direito Internacional Humanitário continua impune.  

O CMP soma-se às demandas das forças da paz e da justiça coreanas e internacionais pelo reconhecimento histórico da responsabilidade da liderança criminosa dos EUA pelas atrocidades cometidas durante a guerra de 1950 a 1953 e pelos entraves postos à reunificação pacífica do povo coreano, conforme é do seu desejo expresso.  

Além disso, nos solidarizamos com o povo coreano e com a Coreia Popular na defesa da sua soberania, apoiamos a denúncia reiterada da ameaça de guerra — inclusive de caráter nuclear — e a militarização da região, marcada sobretudo pelas repetidas provocações anuais por parte dos EUA e seus aliados regionais, como a própria Coreia do Sul, com exercícios de guerra que visam atacar a RPDC.

Enfatizamos, por isso, a urgência e a necessidade de distensão na região, sob pena de encontrarmo-nos no caminho de uma guerra de proporções inéditas, de incalculáveis devastações, que seria uma tragédia para toda a humanidade. 

A guerra, entretanto, pode ser evitada! 

Em nossa firme luta contra o imperialismo, exigimos, no aniversário trágico de um dos episódios mais brutais da História recente, o fim da ingerência dos EUA na região e a solução pacífica do conflito na Península, entre o povo coreano. Exigimos ainda o fim da propaganda de guerra e a perseguição sistemática contra a Coreia Popular, seja pela mídia ocidental, seja através das sanções, da tentativa de isolamento e das ameaças contra o país. 

Pela paz na Península Coreana e o fim da militarização do planeta, juntos, podemos evitar a guerra!

Socorro Gomes
Presidenta do CMP