Socorro Gomes repudia deportação de diplomata saráui pelo Peru

{Español} {English} A presidenta do Conselho Mundial da Paz Socorro Gomes emitiu uma nota nesta quinta-feira (28) em repúdio à decisão do Peru de deportar a diplomata saráui Jadiyetu El Mohtar Sid Ahmed, que passou 18 dias no aeroporto de Lima em protesto pela negativa à sua entrada e pelo tratamento que recebeu. Seu caso mobilizou dezenas de associações de solidariedade ao povo saráui e até mesmo astros do cinema espanhol. Leia o texto de Socorro a seguir:

Diplomata saráui Jadiyetu El Mohtar Sid Ahmed

Contra a deportação da diplomata saráui Jadiyetu El Mohtar Sid Ahmed pelo Peru

É com consternação e revolta que protestamos contra a deportação, nesta quarta-feira (27/09), da diplomata saráui Jadiyetu El Mohtar Sid Ahmed, que chegou ao aeroporto de Lima, capital peruana, em 9 de setembro e, desde então, continuava impedida de entrar no país. A diplomata estava em greve de fome para denunciar a decisão controversa e ainda não esclarecida satisfatoriamente pelas autoridades peruanas. 

A República do Peru reconheceu a República Árabe Saráui Democrática (RASD) em 1984 e a diplomata saráui tentou entrar no país com seu passaporte diplomático e seu passaporte espanhol. Jadiyetu não teve resposta da denúncia que fez à Justiça peruana sobre a violação dos seus direitos, mas seguia no aeroporto, como protesto. 


Seus advogados denunciaram a transferência do processo de uma corte a outra e, na quarta-feira, um comunicado da Chancelaria reiterava a negativa à entrada da diplomata, acusando-a de exercer funções diplomáticas sem ser acreditada para tanto, o que Jadiyetu e seus advogados refutam. As relações entre Perú e a RASD estão suspensas desde a década de 1990. 


A decisão de negar permissão à sua entrada foi emitida pela Comissão de Relações Exteriores do Congresso, segundo a diplomata, influenciada pelo deputado fujimorista Rolando Reátegui, presidente da Liga Parlamentar de Amizade Perú-Marrocos.


Jadiyetu El Mohtar Sid Ahmed protestava pelo tratamento recebido no próprio aeroporto e denuncia o tratamento degradante que recebeu pelas autoridades que, de acordo com testemunhas do movimento peruano de solidariedade, a levaram forçosamente pelo aerporto para ser deportada. Por isso, apelamos às autoridades peruanas que expliquem e se retratem pela situação degradante a que submeteram a diplomata saráui, em grave afronta e desrespeito à pessoa e à RASD. 


Movimentos de paz e solidariedade devem se somar ao repúdio a este episódio enquanto segue apoiando a luta do povo saráui pela libertação do Saara Ocidental, pelo fim da ocupação do território saráui sustentada pelo Marrocos há quatro décadas a despeito do compromisso internacional com a descolonização do território e a autodeterminação do povo saráui. 


Socorro Gomes
Presidenta do Conselho Mundial da Paz

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