Membros do Conselho Mundial da Paz discutem agenda de lutas na região Ásia-Pacífico

A Reunião Regional da Ásia-Pacífico do Conselho Mundial da Paz aconteceu nos dias 27 e 28 de julho em Catmandu, Nepal, para reforçar a luta das entidades a partir da avaliação da conjuntura regional. Ao todo, 44 delegados de organizações de sete países participaram no encontro e uma agenda de ações para o restante do ano foi adotada. Temas como a situação no Myanmar e no Mar Meridional da China, assim como o avanço das forças imperialistas na região, estiveram em pauta.

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Foto: Conselho Mundial da Paz

Em sua Declaração Final, divulgada neste sábado (4), as entidades participantes expressam sua preocupação com a deterioração da situação internacional e regional, destacando que a Ásia-Pacífico é a segunda região com maior número de armas nucleares ativas, atrás apenas da Europa, palco de uma corrida militarista inédita.

As entidades denunciam planos para a criação de um bloco militar regional semelhante à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e a crescente presença das forças estadunidenses, assim como a militarização do sudeste asiático e do Mar Meridional da China. “Como resultado”, ponderam, “vários conflitos regionais estão persistentemente exacerbando a situação na região, casos da península da Coreia, Afeganistão, Irã, o subcontinente indiano, o Golfo e o Oriente Médio.”

A reunião também abordou com grande preocupação o aprofundar do fundamentalismo religioso, o terrorismo e os significativos níveis de pobreza, analfabetismo, endemias, má-nutrição e subdesenvolvimento. Por isso, destacam os participantes, as organizações membro do Conselho Mundial da Paz “devem compreender a natureza multidimensional, abrangente e interconectada desses desafios, que ameaçam não apenas a paz mundial, mas também a própria sobrevivência do planeta.”

Com esses desafios em consideração, a reunião identificou as áreas em que o movimento da paz deve fortalecer suas ações, notando que a paz e a estabilidade devem ser enfatizadas. “O componente relevante das nossas atividades deve cobrir as questões do desarmanento nuclear completo, exigindo o fim de todas as bases militares estadunidenses, detendo todos os exercícios militares estrangeiros, apoiando propostas para uma paz justa vindas de diferentes países desta região, e mobilizando os povos desta região em prol de tais atividades.”

Saudando os avanços das conversações intercoreanas e os esforços por encerrar as ameaças e sanções contra a República Popular Democrática da Coreia (RPDC), a declaração final da reunião também prioriza o apoio à luta do povo da Coreia pela desnuclearização da península e pela reunificação nacional pacífica.

Ao destacar o aprofundar do extremismo religioso, o documento nota o drama vivido pelo povo rohingya em Myanmar, onde ideologias sectárias têm dividido o país. A declaração afirma que as organizações membro do CMP devem organizar ações para que essas forças possam ser contrapostas.

Também foi enfatizada a solidariedade com outros povos em luta, como na Palestina, na Coreia, em Cuba, Venezuela e Vietnã.

Para a agenda deste segundo semestre, as endidades devem realizar ações para marcar o aniversário dos ataques nucleares dos EUA contra Hiroshima e Nagasaki, em 6 e 9 de agosto, enfatizando na luta contra os armamentos e contra bases militares estrangeiras; comemorar o Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestino, em 29 de novembro; participar na Missão Internacional de Solidariedade à Síria em outubro; participar na Conferência Internacional contra Bases Militares dos EUA e da OTAN na Irlanda, em novembro; e realizar uma reunião trilateral entre entidades da Índia, Paquistão e Bangladesh.

A reunião foi acolhida pelo Conselho da Paz e Solidariedade do Nepal e contou com a participação do vice-primeiro-ministro do país, Ishwor Pokharel. Delegados da Índia, Bangladesh, Sri Lanka, Paquistão, Laos e Nepal representaram suas entidades e o encontro contou também com a participação do secretário executivo do Conselho Mundial da Paz, Iraklis Tsavdaridis, da Grécia. A próxima reunião regional deve ocorrer no Laos, em 2019.