Congresso Internacional de Mulheres discute rumos na luta anti-imperialista em Caracas

No reforço da resistência contra retrocessos históricos e pelo avanço das lutas dos povos pela paz, a democracia e a justiça social, em 20 e 21 de setembro acontece o 1º Congresso Internacional de Mulheres em Caracas, Venezuela. O tema do encontro será “Pela Paz e a Solidariedade entre os Povos”, e a presidenta do Conselho Mundial da Paz, Socorro Gomes, participa.

De acordo com a organização do evento, coordenada pela vice-presidenta na Secretaria da Mulher do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) Gladys Requena, o encontro visa inclusive debater “o papel que a mulher desempenha hoje nos cenários políticos no mundo e sua luta pela igualdade de gênero, contra a discriminação e a exploração”.

Em declarações à imprensa, Gladys Requena disse que “as mulheres do mundo são capazes de amalgamar nossos esforços emancipatórios em uma estrutura organizativa setorial à altura dos desafios presentes na luta contra o imperialismo”, identificando este ponto como objetivo central do congresso. As declarações foram divulgadas pela página do PSUV.

A construção do evento, impulsionada no âmbito do Foro de São Paulo, almeja reforçar a resistência anti-imperialista, contra os retrocessos antidemocráticos e o avanço do neoliberalismo, a exploração e a opressão, e a defesa das conquistas alcançadas através das lutas populares até hoje. Sua realização na capital bolivariana reflete o apoio internacional à luta do povo venezuelano contra a sustentada tentativa de derrubar seu governo legitimamente eleito, um projeto que tem acarretado grande sofrimento à nação com medidas coercivas como as sanções, o cerco e até mesmo reiteradas ameaças de intervenção militar.

Por isso, um dos objetivos apontados por Gladys Requena é “seguir apoiando os esforços da Revolução Bolivariana como um dos motores na luta contra o imperialismo, o capitalismo, o racismo e o colonialismo.” Outro será a articulação de um mecanismo de solidariedade com as organizações de mulheres do mundo com o fim de contribuir com as lutas anti-imperialistas.

Nas diversas mesas do congresso, segundo a jornalista e autora Geraldina Colotti, em artigo para a página Resumen Latinoamericano, serão debatidos temas cruciais da luta dos povos, aos que o Conselho Mundial da Paz e o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (CEBRAPAZ) se também se dedicam: o papel da mulher na luta pela paz com justiça social e a autodeterminação dos povos; as bases militares, a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), o sionismo e suas ações ingerencistas contra os povos e seus efeitos sobre as mulheres — violência política e sexual contra mulheres e meninas em cenários de guerra e os direitos humanos.

Outras mesas discutirão a descolonização e a luta contra o patriarcado, o capitalismo e o racismo; a crise do capitalismo, o bloqueio e as medidas coercivas do imperialismo contra os povos; o papel das empresas de comunicação e a indústria cultural como instrumento imperialista; economias feministas e modelos alternativos de produção social; mulheres na luta pelos direitos da Pachamama, a soberania e a autodeterminação dos povos na proteção de etnias indígenas; e a defesa dos processos revolucionários e progressistas no mundo, na proteção da soberania e a autodeterminação dos povos.

Para Geraldina Colotti, “a luta contra o patriarcado e as muitas formas de violência contra as mulheres que ele produz, como dado estrutural e intrínseco à violência do capitalismo e do imperialismo, determinam por tanto o âmbito da confrontação.”

Por isso, continua a autora, “uma comparação de ideias e projetos que almeja estabelecer uma agenda comum para a luta, que é mais necessária que nunca para quem considera que a liberdade das mulheres indica o nível de civilização existente em uma sociedade. Uma confrontação que se determina no contexto de um ataque multifacético e concêntrico contra a revolução bolivariana, uma revolução feminista em que as mulheres estão na vanguarda de todas as estruturas de poder popular e do governo.”

Geraldina Colotti destaca os efeitos das medidas agressivas imperialistas sobre as mulheres venezuelanas, que se veem “obrigadas a redobrar seus esforços para enfrentar as condições materiais complicadas pelos ataques à moeda, a escassez de produtos, a inflação estratosférica induzida.” Lembra ainda que quase 80% das estruturas do poder popular na Venezuela estão encabeçadas por mulheres, desde os conselhos comunitários. Por isso, argumenta, “encerrar novamente [as mulheres] entre as paredes da casa, ocupar suas mentes com problemas econômicos mais do que com a gestão da polis significaria, portanto, golpear no coração da revolução bolivariana.”

Mesmo assim, a autora destaca o forte arcabouço legislativo construído pela Revolução Bolivariana na promoção da liberdade das mulheres e o firme papel delas na resistência aos vários golpes e medidas agressivas adotadas pela oposição golpista aliada ao imperialismo estadunidense e às forças reacionárias da região. E “agora que o governo bolivariano está comprometido com a busca de diálogo com a oposição, em vários estados da Venezuela, mais de 60% das assinaturas que a vice-presidenta Delcy Rodríguez levará à ONU para dizer ‘No + Trump‘ levam nomes de mulheres.”

A iniciativa do Congresso, assim como a dos congressos de Trabalhadores e o de Povos Indígenas, o primeiro já realizado e o segundo, a se realizar em 12 de outubro, foi articulada no Foro de São Paulo que aconteceu também em Caracas, no início do ano. Ali, como aponta Colotti, entre outros, ficou clara a “necessidade de coordenar as diversas formas de resistência a nível internacional, centrando-se na defesa do socialismo bolivariano e da revolução cubana e no apoio às experiências progressistas no continente latino-americano.”